Experimento Noir é um espaço de troca de experiências e experimentos que bebam da fonte do gênero noir. Participe para saber mais e envie a sua colaboração. Após análise, publico com crédito do experimentador.
O Film Noir Foundation (http://www.filmnoirfoundation.org/home.html) reúne vídeos do gênero e hoje vamos assistir à entrevista com Stephen Bogart, filho dos ícones Humphrey Bogart e Lauren Bacall, falando de Dark Passage e This Last Lonely Place, considerado um neo noir. Assistam (vídeo dividido em 2 partes):
Døden er et kjærtegn - 1949 1h28 - Noruega Drama | Romance Diretor: Edith Carlmar Estrelando: Claus Wiese, Bjorg Riiser-Larsen, Ingolf Rogde http://www.imdb.com/title/tt0136099/
Filme dos anos 40 de origem norueguesa, e, segundo pesquisas, parece que numa época em que o cinema norueguês tinha pouca atividade e relevância, mas este parece impressionar. Erik Hauge, mecânico de automóveis, envolve-se com uma mulher casada em que o marido e homem de negócios está fora, viajando. O romance cresce e vemos como tema principal da trama o ciúme e a obscessão. A recepção de público e crítica foi negativa por considerar os temas abordados um escândalo para a época, sendo boicotado, além de o diretor receber ameaças de morte.
Estrelando: Isabelle Corey, Daniel Cauchy, Roger Duchesne
http://www.imdb.com/title/tt0047892/
"Eu nasci com um ás na palma da minha mão."
Um grande noir francês sobre gângsters, de Melville, considerado o precursor da Novelle Vague.
Ambientado no bairro de Montmartre em Paris, o protagonista é o jogador Bob, um gângster de idade avançada com pinta de galã, sempre bem vestido em seu Cadillac de 2 cores, além de residir em um belo apartamento e receber da polícia e dos mais jovens respeito e admiração por sua posição e ser um daqueles caras a quem sempre tem alguém grato por seus favores, a não ser o cafetão Marc, ao que parece, seu único inimigo.
Bob é um jogador compulsivo, passando suas noites nos cassinos, acompanhando as corridas de cavalos, brincando com a sorte o azar. Sua vida porém passa por uma fase de perdas constantes, até descobrir sobre o local onde o Cassino Deauville guarda uma boa soma em dinheiro, planejando um assalto que poderá solucionar seus problemas financeiros, assim como, para um jogador obssessivo, significa uma última jogada de mestre.
O próximo passo é montar uma equipe e planejar o intento, trazendo de volta companheiros de crimes do passado.
Este filme possui algumas peculiaridades muito interessantes, como por exemplo, tratar-se muito mais de um filme "masculino", com ênfase na amizade entre os mesmos e o comprometimento dessa relação. A opção da vida ilegal voltada para o crime é detalhe importante no filme e nos remete ao nascimento dos gângsters norte-americanos em meio à crise econômica, onde homens tomam as rédeas para si e fazem seus próprios negócios, violando as leis e passando a ser respeitados em meio à ma sociedade sem esperanças.
Desta forma, Bob le Flambeur mostra um submundo de ladrões, cafetões, prostitutas e toda sorte de personagens que fizeram suas vidas à custa de vícios e negócios obscuros.
O papel feminino existe, mas algo mais coadjuvante, com Anne no papel da femme fatale e Suzanne, ambas inclusive cientes e de certa forma envolvidas na trama do assalto.
Melville conseguiu, em seu primeiro filme, de forma bela, leve e com um toque de humor irônico, conceber um clássico sobre gângsters, daí a grande influência gerada sobre diversos diretores da Vague francesa. Ele tinha um baixíssimo orçamento e valeu-se da filmagem com uma câmera de mão andando em uma bicicleta, daí não haver ângulos de câmera extravagantes nem flashbacks, mas um realismo que capta o glamour exagerado e o mau gosto das noites de Pigalle.
Encontrei o filme para indicação abaixo no YouTube, na íntegra porém com legenda em espanhol. Espero que aproveitem.
Sinopse: O Dr.Riedenschneider, conhecido como Doc, é solto da prisão. Com um plano de roubo milionário de jóias, ele procura Cobb para financiamento. São contratados o arrombador Louis, o motorista Gus, o ladrão Dix e o advogado Emmerich como receptador. O roubo é efetuado mas Louis é baleado. Emmerich não tem condições de trocar as jóias por dinheiro e planeja se apoderar delas, com a ajuda de seu empregado Robert Bannom. Este, no momento da troca, é morto na troca de tiros com Dix, que é ferido. Emmerich é forçado por Dix e Doc a negociar com a companhia de seguros. Após a polícia encontrar o corpo de Bannom, todos os envolvidos no roubo acabam por serem descobertos ou mortos.
O diretor John Huston faz uma adaptação da obra de WR Burnett e cria este filme com primorosa narrativa, fazendo surgir o considerado assalto definitivo, tão perfeito que inspirou diversas releituras e homenagens por nomes não menos memoráveis como Kubrick (The Killing) e Jules Dassin (Rififi), ainda que quatro indicações ao Oscar não teve sua conclusão em premiar este trabalho.
The Asphaut Jungle inicia em um ambiente urbano sombrio e decadente, com ruas vazias onde apenas um solitário carro de polícia patrulha a área isolada. Pelo rádio, o policial ouve sobre um assalto no Hotel Paris por um suspeito "armado, homem alto, branco, vestindo um terno escuro e macio chapéu. " Curiosamente, um homem com tal descrição (Dix Handley) esconde-se atrás de um poste durante a passagem da patrulha.
Blink - 1994 106 min - USA Crime | Drama | Thriller Diretor: Michael Apted Estrelando: Madeleine Stowe, Aidan Quinn, Jame Remar Emma é uma mulher que esteve cega por 20 anos, vítima de violência da própria mãe e mulher feita, vive por sua conta com um cão que a ajuda a caminhar e trabalha como violinista numa banda em casas noturnas.
Em uma intervenção cirúrgica, recupera parcialmente a visão - uma espécie de visão deformada e sob certa névoa -, tendo ainda surtos de memória quanto ao que vê, como se viesse à tona flashbacks do que vira antes.
Acontece que Emma, após uma noite chuvosa e cheia de álcool que ingeriu para suportar a noite e as dificuldades ainda vividas pelas dificuldades da visão, acorda ouvindo um barulho que a leva à porta do prédio onde mora, onde vê um vulto e supõe ser o vizinho ao lado, que diz a ele pra não se preocupar e voltar para seu apartamento. Emma acorda mais tarde tem novos flashbacks que a aterrorizam e supõe que algo de errado ocorreu com o vizinho, levando-a à polícia para convencer o detetive John Hallstrom e seu parceiro Tom Ridgely a checarem o possível acontecimento, apesar de duvidarem de seu depoimento. Mas quando os policiais finalmente chegam ao local, encontram o homem morto, com o mesmo modus operandi de uma série de assassinatos que Hallstrom e Ridgely já estão investigando há algum tempo.
Durante as investigações, ainda há dúvidas sobre o que Emma pode ter visto devido às falhas de visão e memória, e esta ainda revive todo o tempo a imagem da mãe batendo seu rosto contra o espelho quando criança, por brincar com suas maquiagens, fato que a levou à cegueira. Emma passará então a correr perigo, pois é a única que pode identificar o assassino, e começa a perseguição, período que John Hallstrom ficará encarregado de sua proteção, surgindo uma relação amorosa entre ambos.
Alguns detalhes do filme que podemos relacionar com o noir começa da fotografia contrastante numa luz mais sombria, mesmo nas cenas diurnas. O filme cria um clima constante de tensão e delírio, em especial na personagem de Emma, quer nos flashbacks que criam suas incertezas, as visões distorcidas da visão parcial e ainda a pressão quanto o assassinato. São detalhes que criam insegurança na personagem que tenta convencer aos outros e a si mesma a respeito dos fatos, como se tivesse medo se estar a beira da loucura.
Rogue's Regiment - 1948 86 min - EUA Thriller | Ação | Aventura Diretor: Robert Florey Estrelando: Dick Powell, Marta Torén, Vincent Price http://www.imdb.com/title/tt0040744/
Sinopse: Após a Segunda Guerra Mundial, os ex-soldados dirigem-se para a Saigon de domínio francês para se juntar à Legião Estrangeira, entre elas o americano Whit Corbett (Dick Powell) e o alemão Carl Reicher (Stephen McNally), um suposto criminoso de guerra nazista. O negociante de arte Van Ratten e a cantora Lili Maubert também são mais do que parecem. Corbett é o agente de inteligência americana que seguirá o rastro desse criminoso para desvendar se está infiltrado na Legião Estrangeira, tornando-se um membro para seguir o rastro o mais perto possível. Apesar de meio previsível e um tanto ingênuo em algumas situações - como Powell escapando facilmente num momento que fora capturado - e valorizado pelo ambiente exótico da Indochina, o mais interessante sobre este filme é que foi o primeiro a falar do do domínio colonialista da França, onde a Legião Estrangeira não fazia perguntas aos que se alistavam em seu grupo, perfeita situação para alemães fugitivos ingressarem, mantendo-se a salvo de perseguições por seus atos nazistas. Um tema corrente após a guerra com o terror do nazismo ainda latente, com a perseguição dos fugitivos possivelmente infiltrados entre a sociedade.
Estrelando: Dana Andrews, Gene Tierney, Gary Merril
http://www.imdb.com/title/tt0043132/
Bela abertura durante os créditos, em meio ao negro da noite, os letreiros luminosos e a noite agitada na grande cidade.
Aparentemente um filme como muitos que envolve um assassinato e a polícia em busca da verdade quanto ao ocorrido. Mas a essência desta trama psicológica está ligada à figura do detetive Mark Dixon, que por seu comportamento explosivo, por vezes discutido no departamento de polícia, tornando as coisas difíceis ao ponto de seu quase rebaixamento, ainda o coloca em uma situação complicada ao acidentalmente assassinar o jogador e alcoolizado Ken Paine, durante sua visita em busca de provas, e decidir não assumir as consequências, ocultando o ocorrido.
Mesmo arquitetando um plano aparentemente perfeito, ocultando o corpo e plantando provas para isentar-se da culpa, Dixon não terá paz devido à busca perspicaz do Detective- Tenente Thomas (Karl Malden). O espectador terá a sua frente uma teia muito bem arquitetada envolvendo a moral turva de Dixon, abusando de sua autoridade e escondendo seus atos por meio de sua posição na polícia, o emaranhado de situações que envolvem diversos personagens por seus atos, envoltos na fotografia escura e sombria, os cenários na Grande Nova York que enchem os olhos. Mas a trama psicológica vai mais além...
Dixon é um policial em conflito com a herança de um pai criminoso que o leva ao desejo de ser alguém diferente desse padrão, além de encontrar-se apaixonado pela bela Morgan (Gene Tierney), antes envolvida com o morto, o que poderá incriminar seu pai e fazê-la sofrer. A figura de Dixon levará o espectador a questionar continuamente se há remorso pelo assassinato ou decepção em perceber-se nas mesmas condições do pai que sempre odiou, o que o levará a um auto-sacrifício ao final.
Recomendo não perder a oportunidade de assistir a esse clássico, outra grande maravilha dirigida por Preminger, apesar da crítica tê-lo recebido desfavoravelmente em comparação a sua produção anterior Laura. Já os escritores de cinema o chamam de um noir grittier, que tem êxito em mostrar um lado mais sombrio da polícia semelhante aos filmes noir que o seguem. Fornecendo maiores detalhes, o roteiro foi escrito por Ben Hecht - baseado no romance Night Cry de William L. Stuart - e a incrível fotografia é assinada por Joseph LaShelle. Interessante ainda a escolha da música no início do filme (assista ao vídeo acima), a tipografia manuscrita que "passeia" pelas calçadas novaiorquinas, fazendo um paralelo divertido com o título do filme.
Análise Noir Em uma análise sobre o noir, Boris Trbic - roteirista e professor de mídia - comenta que este filme reflete uma fase epecífica do desenvolvimento do estilo noir, onde, enquanto as grandes produções dos anos 50 afastaram abordar o drama e problemas sociais, evitando conflitos com a crítica conservadora da época, o tema é tratado em thrillers de baixo orçamento como esta produção. (Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/Where_the_Sidewalk_Ends)
Sinopse: Militante líder de uma organização anti- governista (IRA) e ex-presidiário, organiza um assalto a uma fábrica em forma de protesto. Envolvido numa imprevisivel reação dos seguranças termina gravemente ferido e abandonado pelos amigos.Vagará sem rumo encontrando apoio em pessoas desconhecidas, carregando a culpa de ter,possivelmente, assassinado um dos seguranças. Como sobreviver com o peso de um crime? Como limpar e esquecer as mãos sujas de sangue inocente?
The Other Woman - 1954 81 min - USA Filme Noir Diretor: Hugo Haas Estrelando: Hugo Haas, Cleo Moore, Lance Fuller http://www.imdb.com/title/tt0047317/
Este filme escrito, produzido, dirigido e com a atuação do judeu Hugo Haas - à semelhança de seu admirado Chaplin, tendo nos anos de 1951 a 1962 optado por trabalhar na produção completa de seus filmes, ainda que tal feito tenha lhe rendido certa frustração por não ter o devido reconhecimento por parte de Hollywood - parece mostrar justamente a situação de um diretor em apuros na indústria cinematográfica da época. Sherry Stewart (Cleo Moore) é a atriz que quer vingar-se do diretor Walter Darmas (Haas) que lhe oferece um papel menor. Atraindo-o para sua casa, droga-o com uma bebida, chantageando-o em seguida como se os dois tivessem uma noite íntima que gerou uma gravidez. A condição para não contar sobre o caso à sua esposa é receber a soma de US$50.000, sem saber que o diretor encontra-se em ruínas, vivendo do casamento com a filha do dono da produtora.
A chantagem levará ao assasinato da bela jovem por estrangulamento, seguida de investigações sobre o crime, levando o protagonista a um destino nada promissor. Além do clima noir, envolvendo crime, investigação e mistério, Haas tem como tema central a visão pessoal da indústria cinematográfica, mostrando o negócio e as relações que vão do lucro ao interesse pela arte em si. A figura de Cleo é a própria ruína de Darmas e a representação da bela indústria cheia de artimanhas e caminhos perigosos; Darmas este não consegue entender o motivo da intenção dessa mulher, apesar de não tratar-se de um inocente no sentido de ter escolhido casar-se com a filha do produtor que garantirá os lucros do negócio para um imigrante a quem o interesse é exercer sua arte. A produção de Haas mistura ficção e realidade, a fim de contar ao expectador sua condição, e de outros tantos que chegaram aos Estados Unidos, já carregados do sentimento de desolação da guerra, buscando um lugar em Hollywood, expostos a toda sorte de artimanhas que podem levá-los à ruína. De qualquer forma, Haas consegue produzir um bom thriller de baixo orçamento que merece o conhecimento do expectador.
Eyes in The Night - 1942 80 min - USA Crime | Mistério Diretor: Fredd Zinnemann Estrelando: Edward Arnold, Ann Harding, Donna Reed http://www.imdb.com/title/tt0034711/ O detetive Duncan MacLain, um homem cego que é auxiliado por seu cão Sexta-Feira e o assistente Marty, é chamado pela amiga Norma para interromper um namoro entre a enteada de 17 anos e um ator de 50 anos de idade. O homem porém é encontrado morto, e Norma torna-se a principal suspeita do crime. Duncan faz uma visita à sua casa e descobre uma conspiração para roubar segredos militares de seu marido para o inimigo nazista. Dirigido por Fredd Zinnemann, baseado no romance de 1941 de Baynard Kendrick.
Anos 50, as ruas tensas, com assaltos a mão armada e pressão sobre a polícia para resolver rapidamente os casos.
Al Willis, um alcoólatra explosivo, é suspeito de um assassinato, pois atacara membros da polícia ao ser espancado, jurando vingança.
Acontece que o Tenente Parks é assassinato logo na noite seguinte e outros ataques a policiais se sucedem, o que o levará a tornar-se o principal suspeito do crime, sendo perseguido pelo implacável Chefe Conroy, ao ponto de perseguí-lo em uma cidade na fronteira mexicana, para onde Willis tenta fugir. Para Conroy inclusive não lhe resta muito a fazer, pois sua insistência em desvendar o caso tira-lhe inclusive o poder como policial quando a imprensa fotografa uma cena mais violenta sobre Al Willis, afastando-o do caso.
Já na cidade mexicana surge a sedutora Mariana (Gloria Grahame), dançarina e cantora de El Perico, onde deixa os homens loucos com sua provocativa apresentação. Mas afinal, o que uma bela mulher está fazendo em uma cidade fronteiriça, arruinada, trabalhando numa boate de baixo calão? É com a chegada de Al que o mistério se revela, pois ele tem um caso com Mariana, e aproveitou a situação tensa com a polícia para convencer a mulher que precisava descansar um pouco longe da cidade, deixando-a para encontrar Mariana.
Esse é o momento em que Al revela sua natureza ciumenta, psicótica e auto-destrutiva, aliás, característica percebida nos 3 personagens principais (Al, Conroy e Mariana), quer na natureza explosiva de Al Willis tentando manter sua vida dupla ou a firmeza pseudo-calma de Conroy que deseja desvendar o mistério e revelar quem é o homem que persegue, e a imagem da mulher entre o impasse que vai aumentando entre os protagonistas masculinos, tentando descobrir a verdade. Conroy inclusive quer que Mariana o ajude a desmascarar Al Willis, formando um triângulo tenso e perigoso.
Todos tem a oportunidade de ir embora mas ao mesmo tempo parecem comprometidos com o destino final, seja lá o que for.O destino é irresistível e inevitável e explode nas cenas finais no telhado de uma igreja.
O elenco é excelente, com Barry incrivelmente convincente como o psicótico e perturbado Al Willis e Gloria Grahame está belíssima em suas atuações, em especial em seu belo vestido com os ombros à mostra - me lembra uma delicada e sensual camisola - em El Perico, algo que certamente faz muitos suspirarem.
Muito boa a trilha de abertura em meio as tomadas noturnas dos carros de policia chegando à delegacia, a fotografia em claros e escuros muito bem dirigida - ainda que o filme não se atenha o tempo todo às cenas noturnas - , muita tensão e violência e diversas cenas com o toque de sedução que tempera o clima. Não encontrei uma cópia muito boa para apreciar ao máximo o filme, mas confesso que me surpreendi e gostei bastante do trabalho de Jerry Hopper. Gostei da dinâmica e intensidade que dos acontecimentos, construindo uma interessante trama que prende o espectador. Aproveitem o post, assistam ao filme e comentem suas impressões.
O protagonista de Crack-Up é George Steele (Pat O'Brien), um historiador de arte de meia-idade que acredita que a arte é para todos desfrutar, não só uma minoria rica, mas suas idéias não são bem-vindas no Museu Metropolitan, e ele se torna o alvo de uma campanha de difamação bem elaborada.
George começa a suspeitar que alguém no museu está substituindo obras de arte por falsificações. Ele tenta descobrir os culpados para desvendar este intricado mistério.
Na sequência de abertura, George tenta freneticamente invadir o museu, mas o guarda o impede e este entra em colapso, perdendo os sentidos. Ele acorda em um sofá no escritório museu, cercado por seus colegas. Ele pergunta se havia outros sobreviventes no desastre de trem e todos negam que tal fato tenha ocorrido há meses nos arredores.
Confuso, George tenta refazer seus passos e, em flashback, relembra que teve de fazer uma viagem de trem para visitar a mãe doente, onde presencia na direção oposta um farol se aproximando até que se choca com o trem em que está a bordo, tirando-lhe a consciência. Isso é tudo o que ele lembra, mas a invasão do museu lhe é desconhecida ou mesmo o motivo que poderia tê-lo levado a tal. George suspeita que alguém está tentando desacreditá-lo, e talvez foi o que o levou à invasão do museu, a fim de desvendar o caso das falsificações.
A tensão aumenta quando George percebe que há semelhanças entre o esquema de falsificação com crimes cometidos pelos nazistas durante a guerra, levantando a suspeita de uma ação atual em plena América.
George passa a maior parte do filme entre as poucas pistas que consegue reunir, atordoado pela amnésia parcial ou simplesmente inconsciente. Mesmo a força internacional de polícia na fuga dos falsificadores deixa George no escuro. É como se é próprio cérebro não pertencesse a ele. Os vilões manipulam facilmente sua mente e seu corpo é feito um fantoche para as autoridades. Esta falta de auto-consciência vem à cabeça quando o psiquiatra Dr. Lowell usa um soro para extrair a verdade e a ficção da mente de George. Pensando no gênero, vemos o ambiente urbano na névoa entre a verdade e o submundo do crime, com cenas escuras da cidade fria e decadente, além do desiquilíbrio humano influenciado em especial pelos resquícios ainda latentes da guerra, criando um mal-estar que chega a mente do espectador.
Trata-se de um filme médio, com certas discrepâncias em algumas situações do filme, porém a abordagem do atordoamento do pós-guerra, criando uma sociedade entre as ações escusas e a completa sensação de desequilíbrio é um tema corrente do noir, expressando o sentimento latente da época.
Filmado no estilo de semi-documentário, t-Men acompanha um caso de falsificação de dinheiro, investigado pelos agentes do Tesouro dos EUA (os T-Men), dois dos quais trabalham infiltrados numa quadrilha de gângsters. Dennis O’Keefe, o protagonista do filme, é um dos agentes. Diria que essa trama mostrando a infiltração dos agentes foi muito bem trabalhada por Anthony Mann aliada a fotografia brilhante de John Alton.
Sobre os documentários com investigações policiais, é bom salientar que faz parte do gênero noir, sendo condsiderado um sub-gênero inclusive. Na segunda metade dos anos 40, vários filmes com estas características foram produzidos, como “Moeda Falsa”, “A Casa da Rua 92”, “Cidade Nua” entre outros. Uma característica mais ou menos comum de todos eles é a exaltação das autoridades (sejam os federais ou a polícia), geralmente mostradas como quase infalíveis. Até as mortes dos agentes são exaltadas com frases do tipo “morreu no cumprimento do dever”.
Anthony Mann ficou muito conhecido por dirigir westerns, mas antes de dirigir ou alcançar tal fama, produziu uma série filmes noir. Este talvez seja o melhor de todos eles, ainda que eu aprecie também He Walked by Night. Assistam e tirem suas conclusões.
Estrelando: Robert Mitchum, Jane Russel, William Bendix, Gloria Grahame
http://www.imdb.com/title/tt0044863/
O cenário abre-se no porto de Macau, onde estão em um mesmo navio Nick Nick Cochran (Mitchum), um ex-militar, a sensual cantora noturna Julie Benson (Russel) e Lawrence Trumble (Bendix), um vendedor ambulante que trabalha com contrabando.
Sebastian, um policial corrupto, avisa o dono do cassino local e uma espécie de "patrão", por tê-lo na lista de pagamento por informações - Vincent Halloran (Dexter) - sobre a chegada do navio e seus tripulantes, pois temem a presença de um policial vindo de Nova York para descobrí-lo e prendê-lo por seus atos escusos. Justamente Nick é o suspeito eleito por Vincent, e tenta suborná-lo a fim de ver-se livre da ameaça, ainda que Nick está claramente atraído pela bela Julie, sendo este seu único interesse. Vincent aproveita-se da situação para contratar Julie como cantora de seu cassino, a fim de atrair o rapaz para tentar descobrir sobre suas suspeitas.
Nick aparece em certo momento com um colar de diamante que tenciona vender, o que Halloran reconhece-o, por tê-lo enviado a Hong Kong uma semana antes para ser vendido, e Nick é feito prisioneiro seguindo a interrogatório.
Fuga, perseguição, morte e revelações entre Trumble e Nick, geram o clímax do filme. Após tais revelações, Nick quer que Julie parta com ele, mas descobre que antes Halloran a convidou para uma viagem à Hong Kong, quando percebe que é hora de agir e desmascarar sua trama, entregando-o aos policiais.
Trata-se de um bom filme, com personagens típicos noir - um chefão do crime (Dexter), sua amante (Grahame), um ex-militar (Mitchum), uma menina má com um coração de ouro (Russell), um policial disfarçado (Bendix), um policial torto (Gomez), entre outros personagens.
A abertura já atrai a atenção para a ação e o romance entre Mitchum e Russell. O ritmo é intenso e com diálogos ágeis. A história começa com uma perseguição em uma doca. O homem que está sendo perseguido é um policial de Nova York que é morto. Vemos que Vincent Halloran (Dexter) está envolvido no assassinato.
Diria que Dexter está incrível como o dono desonesto do cassino Ele fala com uma voz suave, muitas vezes com um cigarro pendendo de sua boca. É muito bonita a cena em que Jane Russel canta "You Kill Me", no belíssimo e exótico cenário do cassino, enquanto seus frequentadores jogam, fumam seus charutos ou apreciam a beleza estonteante da cantora em seu elegante vestido branco.
Pelo que li, o processo nas filmagens foi um tanto tenso, porém trata-se de um bom entretenimento, com toques de aventura e cinema noir tal como descrito pelo Imdb, sendo uma boa diversão para conhecimento do espectador.