Experimento Noir é um espaço de troca de experiências e experimentos que bebam da fonte do gênero noir.
Participe para saber mais e envie a sua colaboração. Após análise, publico com crédito do experimentador.


sábado, 3 de dezembro de 2011

Imagens e Filme - Scarlet Street, 1945


Scarlet Street - 1945
103 min - EUA
Drama | Filme Noir
Diretor: Fritz Lang
Atores: Edward G. Robinson, Joan Bennett, Dan Duryea




Fritz Lang sabe como ninguém conduzir uma trama, enfatizando expressões, mostrando a ingenuidade de um homem de meia idade que numa noite inesperada, vê-se enamorado de uma bela mulher, ao acreditar protegê-la de um suposto assaltante numa noite escura, não suspeitando que acaba de cair em uma cilada que transformará sua vida. 


A menina mimada e inescrupulosa sem limites para atender às vontades de seu violento companheiro, é a femme fatale que irá explorar Christopher (Edward Robinson), um pintor amador e caixa de uma loja de roupas. Acreditando ser este um homem rico, é levada pelo namorado a criar um relacionamento com o homem casado porém infeliz, buscando estorquir-lhe a suposta fortuna.


Chris, cego de paixão por Kitty, aluga uma apartamento para ela vendo-o como estúdio para suas pinturas, estas roubadas e comercializadas em nome da amante sem seu conhecimento, até a descoberta de tratar-se de um sucesso nas galerias de arte. 
Mas a história não terá um final feliz. Furtos, desenganos, suborno e assassinato tomam conta de Chris ao ponto de não encontrar paz, vivendo em pensamentos atormentados pelas dificuldades e a lembrança de que a amada o enganou, levando-o a caminhos nunca antes pensados.


Scarlet Street foi baseado no romance francês La Chienne, que tornou-se filme pelas mãos de Jean Renoir em 1931, classificado como drama e não um noir, como o de Lang.


Segundo o crítico Dennis Schwartz, "Scarlet Street é um noir psicológico sombrio...com tendências de um criminoso não punido por seu crime. O personagem de Robinson é o homem comum influenciado por um casal inescrupuloso que aproveita sua vulnerabilidade, levando-o a uma estrada amoral, onde, em um momento de fraqueza, perde a cabeça e comete um assassinato. Sua imaginação já não pode salvá-lo de sua existência terrível, e sua queda completa ocorre quando da perda da realidade e dignidade." (http://en.wikipedia.org/wiki/Scarlet_Street).


O filme chegou a ser proibido em Nova York em 1946, considerado amoral e sua exposição tenderia a moral corrupta ou incitar ao crime e a proibição extendeu-se por outras cidades como Milwaukee e Atlanta.


Ainda assim, o filme é denso e reúne diversas características do noir, além do notável toque expressionista que só Lang poderia trabalhar com tamanha maestria.


Mais uma vez, vemos o homem casado que enamora-se por uma bela desconhecida e cede a seus encantos, fazendo-lhe todas as vontades, passando por cima de toda conduta antes respeitada; a mulher inescrupulosa, que buscando a vida fácil, age em direção a seus objetivos e o namorado malandro e articulador, buscando às suas custas e diante das oportunidades, fazer fortuna ilicitamente.


São as fragilidades e deslizes humanos revelados em diálogos bem trabalhados e cenas muito bem estruturadas e brilhantemente dirigidas por Fritz Lang. Trata-se de um filme memorável e que certamente agradará ao apreciador de mais um incrível noir.

Cartazes Scarlet Street - 1945

Uma das seleções mais extensas em cartazes, com tratamento gráfico os mais diversos e interessantes.














segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Dick Tracy - Dos quadrinhos para as telas

Em 1931, nascia pelas mãos do cartunista Chester Gould a história de um detetive ágil, inteligente e difícil de ser baleado por grotescos vilões. Com tiras distribuídas pelo Chicago Tribune Syndicate, Gould permaneceu esccrevendo e desenhando o personagem até 1977.

O ambiente escolhido pelo desenhista é a Chicago dos anos 30, refletindo a violência urbana da época. Segundo a Wikipedia: " Gould procurava se manter atualizado, mostrando as mais recentes técnicas de combate ao crime, usava a ciência forense e uma aparelhagem eletrônica mesmo com os casos do detetive geralmente acabando em tiroteio. Nos anos 50 ele abordou temas como a corrupção, delinquência juvenil e a televisão."


Dick Tracy passou por adaptações ao longo de sua carreira. Na  década de 60 houve adaptações com aventuras na Lua, usando naves espaciais com propulsão magnética. Já em 70, volta a temas terrestres com Dick portando um bigode e cabelos mais longos, ainda que logo deixam de existir, mantendo as características anteriores.


Com um toque de temas de filme noir, "Gould reflete sobre como pequenos delitos levam a outros maiores. Os eventos se desenrolam sem controle e mostram como a vida pode ser imprevisível e cruel. As traições se sucedem nas histórias: capangas são mortos pelos empregadores, estes são traídos pelas namoradas e pessoas boas são mortas por estarem no lugar e hora errados."





Cada episódio era considerado um "Caso" para Tracy, e os vilões sempre foram os maiores apelos das tiras, como Big Boy, chefe de quadrilha e o primeiro vilão das tiras, responsável por matar os pais de Tess, a namorada de Dick Tracy; o deformado Selbert Depool; Shoulders, o espião nazista Pruneface e ainda, o vilão que se apresenta apenas uma voz sem corpo, conhecido por Mr. Intro.

Após 1977, Max Allan Collins e Rick Fletcher assumem a produção das tiras. A partir de 2006, Dick Locher  passa a assinar as tiras.

Tracy tornou-se menos cínico em relação ao sistema policial americano. Os equipamentos espaciais foram suprimidos, mantendo-se o rádio de pulso, transformado em computador em 1987.

Em 2006, segundo o blog HQ Maniacs.com, a IDW de San Diego preparou uma edição encadernada, sendo o primeiro volume com quase 500 tiras publicadas de 1931 a 1933, escritas e desenhadas por Chester Gould. (http://hqmaniacs.uol.com.br/principal.asp?acao=noticias&cod_noticia=8569)

No blog Quadrinho.com (http://quadrinho.com/index.php?option=com_content&view=article&id=182:processo-de-criacao-de-uma-tira-de-dick-tracy&catid=14:multimidia) há uma matéria do processo de criação dos quadrinhos de Dick Tracy, com direito a vídeo do YoutTube e ainda um link para acompanhar as tiras via internet no GoComics:

http://www.gocomics.com/dicktracy


A produção para o cinema chega em 1990, com direção e atuação como protagonista de Warren Beatty, acompanhado por nada menos que Madonna e al Pacino.




Dick Tracy - 1990
101 min - EUA
Diretor: Warren Beatty
Atores: Warren Beatty, Madonna e Al Pacino

Sinopse: O detective Dick Tracy, famoso no combate ao crime pela rapidez com foge às balas e a precisão com atira sobre os bandidos, é agora alvo de um plano que visa a sua eliminação. Em 1938, Big Boy Caprice, o rei do crime, arma uma cilada para incriminar o detetive Dick Tracy por assassinato. Kid, um garoto de rua que ele praticamente adotou, ajuda Tracy a tentar se livrar da acusação e ao mesmo tempo enfrentar os gangsters, que passam por uma luta interna pelo poder. Para atrapalhar a vida do herói e desviá-lo do cumprimento do dever, a sensual Breathless, cantora da boate Ritz e ligada aos criminosos, tenta seduzir Tracy, para desespero da namorada deste.

Fontes: http://pt.wikipedia.org/wiki/Dick_Tracy

http://www.imdb.com/title/tt0099422/

http://www.adorocinema.com/filmes/dick-tracy/

http://www.gocomics.com/dicktracy

http://quadrinho.com/index.php?option=com_content&view=article&id=182:processo-de-criacao-de-uma-tira-de-dick-tracy&catid=14:multimidia

http://hqmaniacs.uol.com.br/principal.asp?acao=noticias&cod_noticia=8569

domingo, 27 de novembro de 2011

Bugsy - 1991

A produção de 1991, dirigida por Barry Levinson, é considerada um drama sobre o gângster judeu Benjamin "Bugsy" Siegel, conhecido por ter sido um dos criadores da atual Las Vegas.

Em 1945, Bugsy abre o Hotel Flamingo, visto como um dos pilares principais de Vegas, onde o prorietário costumava instalar-se na suíte presidencial quando lá se hospedava. 

Acontece que sua ascensão e poder meteóricos tornou-o perigoso entre seus associados, o que resultou em sua morte por um pistoleiro em sua casa em Beverly Hills. Há quem diga inclusive ser assombrado pelo mafioso, em especial no Hotel Flamingo.

A história deste famoso gângster é interpretada por Warren Beaty, numa releitura dos famosos filmes de gângsters, ainda que em versão colorida.



Nos cartazes, a variação das artes são sutis, sempre enfatizando a imagem do protagonista.






Abaixo, o trailer do filme:




Bugsy - 1991
136 min - EUA
Biografia | Crime | Drama
Diretor: Barry Levinson
Atores: Warren Beaty, Annette Bening e Harvey Keitel


Sinopse: 'Bugsy', o gângster de New York Ben Siegel, vai em viagem de negócios para Los Angeles, para onde foi enviado a fim de assumir a chefia das operações da máfia em Los Angeles. É um mulherengo e com um mau temperamento: não hesita em matar ou mutilar qualquer um que passa por seu caminho e lhe parece indesejável. 


Bugsy deslumbra-se com a vida, os filmes, e acima de tudo a força de vontade e a beleza da jovem atriz Virginia Hill, por quem se apaixona, o que o detém por mais tempo no local enquanto sua família o espera de volta para casa (a viagem prevista para 4 dias estende-se até seu final fatal). 




Em pouco tempo conquista a atenção de todos, ou por meio da violência ou por seu sorriso. Fazendo de tudo por sua amada, ele sonha construir um luxuoso hotel-cassino em pleno deserto de Nevada - o que daria origem à futura Las Vegas. Em uma viagem em um local no deserto conhecido como Las Vegas dá-lhe a grande ideia de construir um fantástico hotel, para homenagear a estrela e affair acima citada. Nascia assim Las Vegas.




A inspiração aparentemente brilhante foi o início do seu fim, já que enfrentou vários problemas durante a construção do cassino, tendo sua credibilidade gradativamente destruída.


Foi um filme muito indicado e teve premiações como o Oscar (8 indicações, recebendo o Oscar de melhor figurino e direção de arte), e 7 indicações para o Globo de Ouro, vencendo como melhor filme.

Fontes: http://www.imdb.com/title/tt0101516/
http://www.paranormalknowledge.com/articles/ghost-of-bugsy-siegel.html
http://www.youtube.com/watch?v=Bs296PVx01E
http://pt.wikipedia.org/wiki/Bugsy

O Falcão Maltês recomenda Experimento Noir

Antônio Nahud Junior, um visitante assíduo do blog e criador de O Falcão Maltês, interessante blog sobre cinema (http://ofalcaomaltes.blogspot.com/), teve publicada uma entrevista em Poses e Neuroses (http://poseseneuroses.blogspot.com/2011/11/entrevista-antonio-nahud-junior.html), no dia 24 deste mês.

 

Antônio Nahud Junior...



...e seu blog O Falcão Maltês.



Durante a entrevista, Antonio conta a trajetória da concepção do blog, seu interesse pelo cinema, além de salientar posts que considera mais marcantes, relacionando ainda blogs que considera relevantes sobre cinema, citando gentilmente nosso Experimento Noir.

Antonio descreve ainda como é o circuito de cinema em Natal, cidade onde vive, algo que nos dá a visão de como circula a cultura nos demais estados além do padrão Rio-São Paulo.

Trata-se de uma interessante entrevista e merecedora que o visitante aproveite a leitura e aproveitem para seguir estes blogs.


Entrevista: Poses e Neuroses, de Adecio Moreira Jr: http://poseseneuroses.blogspot.com/2011/11/entrevista-antonio-nahud-junior.html

Blog O Falcão Maltês, de Antonio Nahud Junior: http://ofalcaomaltes.blogspot.com/

domingo, 20 de novembro de 2011

Bogart e Bacall - Amor e talento em dose dupla


Penso que o leitor já deve estar acostumado ao meu jeito de escrever, sempre referindo-me mais aos filmes e focando, ao falar de um ator ou diretor, sobre seu trabalho no cinema, uma vez que o objetivo do blog se refere ao cinema e gênero noir, não importando trazer curiosidades sobre a vida privada de quem vive de cinema.

Neste caso porém, refiro-me a dois grandes atores que, ao que parece, felizmente uniram o talento profissional a uma atração que transformou suas vidas, levando-os a união na vida real, gerando dois filhos.

Bogart sempre foi considerado um homem de palavras mais diretas, sem muita diplomacia, muito parecido com a imagem de seus personagens no cinema, ainda que o aspecto realista sem muita polidez parecia ser a característica que chamava a atenção e causava simpatia, conferindo-lhe apreço pelo público que o firmou como um dos grandes atores de sua época.

A bela mulher de forma delgada e estilo elegante parece ter conquistado o ator, após 3 casamentos não bem-sucedidos anteriormente. Apesar da diferença de mais de 20 anos entre os dois, Bacall e Bogart acabam por entregar-se ao romance e segundo as leituras, foi a união que mais alegrias trouxe ao ator, chegando a modificá-lo nas atitudes. O casal permaneceu até a morte de Bogart, vítima de câncer no esôfago devido ao fumo e alcoolismo.

No YouTube há um vídeo que conta um pouco a feliz união do casal:


Como parceiros de profissão, protagonizaram filmes com sucesso de atuação, deixando tais produções como marcos do cinema, relembrados e apreciados até os dias de hoje, em sua maioria trillers e noirs que abrilhantaram o estilo.

E mais uma vez a Amazon vem nos presentear com a oferta do box Bogart & Bacall Collection, com os clássicos To Have and Have Not (Triller - 1944), The Big Sleep (Noir - 1946), Dark Passage (Noir, Triller - 1947) e Key Largo (Noir, Crime - 1948), sendo o quinto VHS uma retrospectiva sobre a biografia do casal. (Preço: U$ 19).

http://www.amazon.com/Bogart-Bacall-Collection-Sleep-Passage/dp/B00003XAMZ


To Have and Have Not (1944).


The Big Sleep (1946).


Dark Passage (1947).


Key Largo (1948).


Breve biografia dos atores:


Humphrey DeForest Bogart (conhecido como Bogie ou Bogey) - 25/12/1899 (NY) - 14/01/1957(Hollywood) - Filho de médico cirurgião e mãe artista gráfica.

Inicia sua carreira nos palcos do Brooklin em 1921, seguindo para a Broadway e atuando em peças teatrais até 1934. Em 1936 estréia pela Warner Bros em A Floresta Petrificada (Petrified Forest).



O sucesso chega em 1941 com O Último Refúgio (High Sierra), com participação no roteiro de John Huston.

O grande clássico do cinema mundial vem com o inesquecível Casablanca, em 1942, que ganhou o Oscar de melhor filme com indicação para Bogart de melhor ator.


Em 1944 atua em Uma Aventura na Martinica (To Have and Have Not), onde conhece Lauren Bacall. Em 45 já encontram-se casados e atuam juntos em À Beira do Abismo(The Big Sleep).



Em 1949 fundou a própria produtora de nome Santana Productions, e atuou até 1956, sendo seu último trabalho A Trágica Farsa (The Harder They Fall).


Devido ao álcool e bebida, teve câncer no esôfago e veio a falacer após uma cirurgia em janeiro de 1957. encontra-se sepultado em Los Angeles, nos Estados Unidos.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Humphrey_Bogart



Lauren Bacall (Betty Joan Perske) - 16/09/1924 - Nova York.

Filha de judeus da Polônia e Romênia, estudou dança e atuou como modelo nos primeiros anos de carreira, mas devido ao preconceito perdeu um trabalho por ser judia.

Em 1942 estreou como atriz pela Broadway mas a fama veio justamente com Uma Aventura na Martinica (To Have and Have Not), ao lado de Bogart, o que levou-a ao estrelato sendo considerada uma das estréias mais impactantes do cinema.

Durante os sets de filmagem, Bacall ficava nervosa na frente da câmera, então Hawks sugeriu que ela inclinasse sua cabeça e puxasse seu cabelo para um dos lados do seu rosto. Ela pressionou seu queixo contra o peito, e então dirigiu os olhos para cima de modo a poder olhar para a câmera. Esse efeito veio a deixá-la conhecida como The Look, o que tornou-se sua marca registrada.

Bacall atuou ao lado de Bogart em The Big Sleep e Dark Passage, além do suspense de John Huston Key Largo - Paixões em Fúria (1948).

A indicação para o Oscar como melhor atriz veio com O Espelho tem Duas Faces, recebendo como prêmio o Globo de Ouro em 1996.

Conhecida por sua voz rouca e aparência sensual, tornou-se ícone da moda e modelo da mulher moderna, além de considerada uma atriz lendária por sua longevidade de atuação.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Lauren_Bacall

Posts dos filmes em Experimento Noir:

http://experimentenoir.blogspot.com/2011/10/key-largo-1948.html

http://experimentenoir.blogspot.com/2011/04/in-dark-passage-prisioneiros-do-passado.html