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sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Bonnie and Clyde - 1967

Bonnie and Clyde
(Bonnie e Clyde - Uma Rajada de Balas)
112 min - EUA
Biography | Crime | Drama
Diretor: Arthur Penn
Atores: Warren Beaty, Faye Dunaway, Michael J. Pollard, Gene Hackman


http://www.imdb.com/title/tt0061418/


Talvez o leitor esteja se perguntando porque esta que lhes escreve optou por postar a respeito de Bonnie and Clyde, uma espécie de biografia meio que romanceada do casal Bonnie Parker e Clyde Barrow, os fora-da-lei que aterrorizaram os estados centrais dos Estados Unidos na época da Grande Depressão por serem os responsáveis por vários assaltos a bancos no início dos anos 30, e em 67 Warren Beaty e Arthur Penn conseguem produzir o filme que inicialmente foi ignorado ou muito criticado pela crítica e somente em um relançamento posterior é que conquistou importância para público e crítica além de faturar milhões para os envolvidos.


Fato é que, lendo "Como a Geração Sexo-Drogas-e-Rock'n'Roll salvou Hollywood", de Peter Biskind, que fala dos bastidores do cinema e como diretores reescreveram a Hollywood dos anos 70, Bonnie and Clyde é apontado como um dos que fizeram a indústria cinematográfica tremer, devido a tomada de novos nomes com suas mentes criativas buscando revolucionar os conceitos e a forma de apresentar ao público sua histórias.


Como diz Susan Sontag: "Foi um momento muito específico nos 100 anos da história do cinema, pensar, falar sobre cinema tornou-se uma verdadeira paixão entre estudantes universitários e outros jovens. Você se apaixonava não pelos atores, mas pelo próprio cinema." (Como a Geração Sexo-Drogas-e-Rock'n'Roll salvou Hollywood - página 16).

Com a empolgação em torno do cinema na época, em especial na cabeça de jovens comuns e aspirantes a cineastas, Bonnie and Clyde passou por um tempo de maturação, eu diria, desde a incansável e árdua insistência de Warren Beaty em conseguir algum financiamento para sua produção, além de convencer os grandalhões de Hollywood que tratava-se de uma boa história que culminaria em um sucesso de bilheteria.

Esta afirmação baseava-se em que Bonnie e Clyde eram muito populares, sendo sempre citados por serem conhecidos de alguém que os viu, sendo inclusive tema de Hallowween para as crianças, como conta Benton, da Revista Esquire(idem - página 27).



Ocorre ainda que o sentimento da população em relação ao casal de bandidos real era de admiração, considerando-os heróis, algo muito semelhante ao sentimento relacionado aos gângsters que tomavam para si o poder, dinheiro e mulheres, numa época de plena penúria e desolação de uma população sofrida com a Queda da Bolsa na Depressão e a moral totalmente abalada.

E no caso do filme Bonnie and Clyde, é interessante perceber que apesar da violência em que inevitavelmente vão se envolvendo ao longo do caminho, resultando inclusive na dor da morte do irmão de Clyde quando de uma fuga e mesmo o final trágico do casal, vítima de uma traição inesperada, desde o início a proposta de ambos é de viver livremente, sem machucar ninguém, tomando para si o que consideram adequado e assim lhes basta.



Ambos são péssimos ladrões ou bandidos, há cenas em que os dois parecem duas crianças inocentes brincando de polícia e ladrão. É como se fosse um ato de rebeldia adolescente em relação ao mundo sem graça e de pouca oferta estimulante a que estes renegam e tomam para si a todo preço o caminho que desejam para suas vidas.

Sim, Bonnie and Clyde não é considerado um noir, não foi produzido em preto e branco com longas sombras ou apresenta uma voz off no início da trama. Mas tem aquela angústia latente, neste caso da não aceitação do lugar comum e o que a sociedade está disposta a oferecer; há as questões sociais do anos 60, como a ira do pai de Moss - o garoto que torna-se motorista da dupla por algum tempo - ao ver que este concordou em tatuar-se, supondo ter sido uma sugestão dos bandidos.


O garoto C.W. Moss (Pollard) , à direita como motorista da "quadrilha Bonnie and Clyde".

O filme é famoso tanto por sua montagem acelerada quanto por suas rápidas mudanças do tom da narrativa, passando rapidamente do humor para a intensa violência, não só dos atos criminosos como da ação policial em seu encalço para agarrá-los. 

O figurino remonta a década de 30 e relembra os gângsters que tomaram conta do comércio de bebidas, tomando o poder para si acima da lei, e não é o que o casal deseja, ser livre, ter o dinheiro fácil para ir e vir e divertir-se em meio a uma fuga que é o grande ponto de excitação que os une, uma vez que sexualmente tem dificuldade em encontrar-se?



Divagações a parte, o filme tornou-se muito popular nos anos 60 ainda que polêmico pela glorificação aos bandidos e pelo excesso de violência na tela. Ganhou 2 Orcars dos 5 que foi indicado e ainda é considerado pelo American Film Institute entre os 100 melhores filmes de todos os tempos.

Após ler o capítulo sobre o filme, não resisti em revê-lo e foi um prazer incrível após conhecer toda a dificuldade e insistência que profissionais do cinema aplicaram para realizar este bom filme. 

Noir ou não, parece que crime, drama, questões sociais e violência são correntes e vem a tona à sociedade em forma de obra cinematográfica, demonstrando que as apropriações, as releituras sobre modos de vida e questões que nos atormentam sempre retornam à discussão.

Desculpem se este post saiu demais ao tema do blog. O livro e filme me inspiraam a escrever, e ainda o vejo como um retrato da Depressão, o que estaria adequado à época do surgimento do estilo e as inquietações sociais vigentes.

Deixo abaixo alguns vídeos sobre a dupla que assombrou os Estados Unidos de 1931 a 1934.



Um comentário:

  1. Post indicado nos links da Semana.
    http://blogsdecinemaclassico.blogspot.com/2011/10/links-da-semana-de-24-30-de-outubro.html

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