Experimento Noir é um espaço de troca de experiências e experimentos que bebam da fonte do gênero noir.
Participe para saber mais e envie a sua colaboração. Após análise, publico com crédito do experimentador.


sábado, 25 de maio de 2013

Bob le Flambeur, 1956

Bob le Flambeur, 1956
98 min - França
Crime
Diretor: Jean Pierre Melville
Estrelando: Isabelle Corey, Daniel Cauchy, Roger Duchesne

http://www.imdb.com/title/tt0047892/

"Eu nasci com um ás na palma da minha mão."

Um grande noir francês sobre gângsters, de Melville, considerado o precursor da Novelle Vague.

Ambientado no bairro de Montmartre em Paris, o protagonista é o jogador Bob, um gângster de idade avançada com pinta de galã, sempre bem vestido em seu Cadillac de 2 cores, além de residir em um belo apartamento e receber da polícia e dos mais jovens respeito e admiração por sua posição e ser um daqueles caras a quem sempre tem alguém grato por seus favores, a não ser o cafetão Marc, ao que parece, seu único inimigo.
Bob é um jogador compulsivo, passando suas noites nos cassinos, acompanhando as corridas de cavalos, brincando com a sorte o azar. Sua vida porém passa por uma fase de perdas constantes, até descobrir sobre o local onde o Cassino Deauville guarda uma boa soma em dinheiro, planejando um assalto que poderá solucionar seus problemas financeiros, assim como, para um jogador obssessivo, significa uma última jogada de mestre.

O próximo passo é montar uma equipe e planejar o intento, trazendo de volta companheiros de crimes do passado.
Este filme possui algumas peculiaridades muito interessantes, como por exemplo, tratar-se muito mais de um filme "masculino", com ênfase na amizade entre os mesmos e o comprometimento dessa relação. A opção da vida ilegal voltada para o crime é detalhe importante no filme e nos remete ao nascimento dos gângsters norte-americanos em meio à crise econômica, onde homens tomam as rédeas para si e fazem seus próprios negócios, violando as leis e passando a ser respeitados em meio à ma sociedade sem esperanças.
Desta forma, Bob le Flambeur mostra um submundo de ladrões, cafetões, prostitutas e toda sorte de personagens que fizeram suas vidas à custa de vícios e negócios obscuros.

O papel feminino existe, mas algo mais coadjuvante, com Anne no papel da femme fatale e Suzanne, ambas inclusive cientes e de certa forma envolvidas na trama do assalto.
Melville conseguiu, em seu primeiro filme, de forma bela, leve e com um toque de humor irônico, conceber um clássico sobre gângsters, daí a grande influência gerada sobre diversos diretores da Vague francesa. Ele tinha um baixíssimo orçamento e valeu-se da filmagem com uma câmera de mão andando em uma bicicleta, daí não haver ângulos de câmera extravagantes nem flashbacks, mas um realismo que capta o glamour exagerado e o mau gosto das noites de Pigalle.


Encontrei o filme para indicação abaixo no YouTube, na íntegra porém com legenda em espanhol. Espero que aproveitem.

Cartazes Bob le Flambeur, 1956





segunda-feira, 13 de maio de 2013

#13Noir - Estética noir e sadomasoquismo

Primeiro vídeo da série "#13Noir" mostra a atriz Giovanna Ewbank em cenas masoquistas

Projeto independente dirigido por Felipe Solari e Pedro Urizzi e com trilha sonora de Lucas Lima, #13Noir é o novo trabalho, com 13 curtas onde o primeiro foi divulgado nesta segunda, 13 de maio.


Fonte:
http://cinema.uol.com.br/noticias/redacao/2013/05/13/giovanna-ewbank-protagoniza-curta-sadomasoquista-na-serie-13noir.htm

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Black Angel - 1946

Black Angel, 1946
81 min - USA
Crime | Noir | Mistério
Diretor: Roy William Neill
Estrelando: Dan Duryea, June Vincent, Peter Lorre

http://www.imdb.com/title/tt0038360/

Baseado no romance de Cornell Woolrich e o último filme dirigido por Roy William Neill.



Sinopse: Kirk Bennett é condenado à morte injustamente por matar a chantagista Mavis Marlowe, ex-esposa do alcoólatra Martin Blair. Sua esposa Catherine Bennett tenta provar sua inocência, contando com a ajuda de Blair, que se apaixona por ela. A execução de Bennett se aproxima, ainda que o principal suspeito seja Marko (Peter Lorre), o proprietário de uma boate. A um passo da sentença ser concluída, Catherine e Blair seguirão por desvendar a verdade sobre o real assasino.

Cartazes de Black Angel - 1946









domingo, 28 de abril de 2013

The Alfred Hitchcock Hour: "An Unlocked Window" (1965)

The Alfred Hitchcock Hour: "An Unlocked Window" - 1965 
60 min - USA 
Crime | Drama | Mistério 
Diretor: Joseph N. Newman 
Estrelando: Alfred Hitchcock, Dana Wynter, T.C. Jones 

Sinopse: "Um serial killer está nas redondezas onde alguns enfermeiros privados se trancaram em uma casa grande, com exceção de uma janela do porão.
Um terceiro assassinato nas últimas duas semanas é relatado na televisão, e a polícia dizem haver um louco psicopata à solta, atacando enfermeiros. Numa noite de tempestade escura, a enfermeira Stella Crosson (Dana Wynter) e a enfermeira Betty Ames (TC Jones) estão cuidando de um homem com um problema no coração que reside em uma mansão arrepiante fora da cidade e precisa de atenção constante. Um telefonema do assassino informa as mulheres que ele sabe que estão sozinhos, e tem a intenção de fazer uma visita antes que a noite acabe. Verificando se todas as portas e janelas estão trancadas, Stella descobre que ela dava para um janela do porão, um erro que pode revelar-se muito caro."

Fonte imdb: http://www.imdb.com/title/tt0394099/ 

Pelo que estive pesquisando, após 3 décadas dirigindo filmes, Hitchcock passou a apresentar na TV uma série intitulada Alfred Hitchcock Presents, considerada pela Times um dos "100 melhores programas de TV de todos os tempos". (fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/Alfred_Hitchcock_Presents)

An Unlocked Window, episódio sobre um assassino de enfermeiras, deu ao escritor James Bridges o prêmio Edgar em 1966. Aproveitem para conhecer este instigante thriller.

 

domingo, 21 de abril de 2013

Cold Brewed

Interessante trabalho com texto de Lance Schaubert e fotografia de Mark Neuenschwander de um noir sobre café, dividido em episódios que são apresentados gradativamente no site
http://cold-brewed.com/




Bela fotografia unida ao texto, ao mesmo tempo divertido e instigante. 

No site já se encontra disponível o 1º e 2º episódios, e uma sequência de chamadas informando ao visitante o que está por vir.




Indicado por https://www.facebook.com/filmnoirfoundation?hc_location=stream

domingo, 7 de abril de 2013

Moonrise - 1948

Moonrise - 1948
90 min - USA
Drama | Filme Noir
Diretor: Frank Borzage
Estrelando: Dane Clark, Gail Russel, Ethel Barrymore

http://www.imdb.com/title/tt0040607/
Apesar de transitar entre o romântico e o noir, Moonrise revela um ambiente atormentado desde o início, onde com notável habilidade e por meio de sombras, um enforcamento apresenta-se na primeira cena do filme, sendo o acontecimento que levará nosso protagonista, Danny Hawkins, a amargar desde muito cedo as perseguições dos colegas e o trauma da morte de seu pai, que cometera o crime contra o médico que neligenciara a vida de sua esposa e mãe de Hawkins, levando-a à morte.
Hawkins parece ter o dom em atrair problemas a seus dias, sempre brigando e tomando para si o que deseja sem muita amabilidade. Durante uma noite em um baile, acaba acidentalmente matando um rapaz após uma briga - um jovem de posses na cidade que outrora participou das perseguições infantis contra Danny, fato que em sua ira virá à  lembrança -, fugindo da situação com medo de assumir a culpa, mas que o acompanhará em sua mente sem trégua, gerando outros acidentes para si e quem o acompanha, como a bela Gilly Johnson, seu grande amor.

A culpa incessante na mente de Danny reside na dúvida constante quanto a natureza ruim supostamente herdada de seu pai como um criminoso, o que o levará ainda a questionar seu merecimento do amor de Gilly.
E lá vamos nós à perseguição em busca do misterioso assassino do rapaz rico em uma noite chuvosa, em meio à angústia de Danny em ver-se diante de sua culpa revelada. 
Seus delírios e pânico crescentes quanto a ser perseguido são tamanhos ao ponto de cometer loucuras, como saltar da montanha-russa ao ver-se próximo do xerife da cidade.

Desespero, paranóia e a certeza constante de não haver redenção não só pelo crime cometido mas ainda pela "maldição" a que se entende perseguido pelo passado de seu pai, são companhias constantes nos passos de nosso protagonista em meio a diálogos e questionamentos filosóficos, num clima dramático intensificado pelos alto-contrastes na fotografia assinada por John L. Russell.

Somente após uma longa conversa com sua avó, Danny entende os atos do pai e vislumbra alguma luz no fim do túnel, dando novos rumos a seus atos.
Eu diria que nos últimos tempos, é um dos mais bem construídos e interessantes filmes que assisti. Os elementos noir são representados pelo crime e a paranóia em meio à fotografia alto-contrastada, e a tortura incessante do protagonista na brilhante atuação de Dane Clark criam um clima tenso e instigante do início ao fim, desta vez com final nada dramático ou fatal.

Consegui uma boa cópia apenas via Torrent, e aconselho o caminho devido ao não acesso via locadoras ou reproduções pela internet.

domingo, 31 de março de 2013

The Asphault Jungle - 1950




The Asphault Jungle - 1950
Brasil: O Segredo das Jóias | Portugal: Quando a Cidade Dorme
112 min - USA
Crime | Filme Noir | Drama
Diretor: John Huston
Estrelando: Sterling Hayden, Louis Calhern, Jean Hagen, Marilyn Moroe


Sinopse: O Dr.Riedenschneider, conhecido como Doc, é solto da prisão. Com um plano de roubo milionário de jóias, ele procura Cobb para financiamento. São contratados o arrombador Louis, o motorista Gus, o ladrão Dix e o advogado Emmerich como receptador. O roubo é efetuado mas Louis é baleado. Emmerich não tem condições de trocar as jóias por dinheiro e planeja se apoderar delas, com a ajuda de seu empregado Robert Bannom. Este, no momento da troca, é morto na troca de tiros com Dix, que é ferido. Emmerich é forçado por Dix e Doc a negociar com a companhia de seguros. Após a polícia encontrar o corpo de Bannom, todos os envolvidos no roubo acabam por serem descobertos ou mortos.

O diretor John Huston faz uma adaptação da obra de WR Burnett e cria este filme com primorosa narrativa, fazendo surgir o considerado assalto definitivo, tão perfeito que inspirou diversas releituras e homenagens por nomes não menos memoráveis como Kubrick (The Killing) e Jules Dassin (Rififi), ainda que quatro indicações ao Oscar não teve sua conclusão em premiar este trabalho.

The Asphaut Jungle inicia em um ambiente urbano sombrio e decadente, com ruas vazias onde apenas um solitário carro de polícia patrulha a área isolada. Pelo rádio, o policial ouve sobre um assalto no Hotel Paris por um suspeito "armado, homem alto, branco, vestindo um terno escuro e macio chapéu. " Curiosamente, um homem com tal descrição (Dix Handley) esconde-se atrás de um poste durante a passagem da patrulha.







O papel da Femme Fatale na sociedade dos anos 40


Já mencionei algumas vezes sobre o elemento Femme Fatale no filme noir, e acabo de encontrar no site Doc Films uma matéria interessante que enfatiza o processo de inserção da mulher no mercado de trabalho com o pós-gerra, porém sua imagem no cinema ainda como uma espécie de bandida e usurpadora para conquistar o desejado, pela sua não aceitação por completo num mundo até então masculino.

"Como as mulheres foram se tornando mais ativas no trabalho e na família com o pós-guerra, foram permitidos papéis femininos no cinema... a Femme Fatale é alguém...capaz de usar o protagonista masculino para atingir seus próprios objetivos."

...os tipos de poder somente revelou como as mulheres americanas tiveram pouco poder na vida real. A femme fatale não ganha poder honestamente, ela é ou um bandido, uma sedutora, ou uma boa menina temporariamente equivocada...Levaria mais alguns anos antes que as mulheres fossem autorizadas a um papel legítimo na sociedade, dentro e fora da tela."

Acessem para ler a matéria na íntegra e ainda ver os comentários sobre clássicos e suas incríveis Femme Fatales.

http://docfilms.uchicago.edu/dev/calendar/2013/spring/essay-spring-monday.shtml





sábado, 30 de março de 2013

Dr Noir's - Crime Posters

Para os fâs e colecionadores de posteres de filmes noir, segue a dica deste site novaiorquino com uma seleção ampla de "Crime Posters".

Acessem e divirtam-se:



Link: http://www.drnoir.com/

Cartazes Brute Force - 1947










Witness of the prosecution - 1957

Sessão pipoca: Blink - 1994



Blink - 1994
106 min - USA
Crime | Drama | Thriller
Diretor: Michael Apted
Estrelando: Madeleine Stowe, Aidan Quinn, Jame Remar

Emma é uma mulher que esteve cega por 20 anos, vítima de violência da própria mãe e mulher feita, vive por sua conta com um cão que a ajuda a caminhar e trabalha como violinista numa banda em casas noturnas.
Em uma intervenção cirúrgica, recupera parcialmente a visão - uma espécie de visão deformada e sob certa névoa -, tendo ainda surtos de memória quanto ao que vê, como se viesse à tona flashbacks do que vira antes.
Acontece que Emma, após uma noite chuvosa e cheia de álcool que ingeriu para suportar a noite e as dificuldades ainda vividas pelas dificuldades da visão, acorda ouvindo um barulho que a leva à porta do prédio onde mora, onde vê um vulto e supõe ser o vizinho ao lado, que diz a ele pra não se preocupar e voltar para seu apartamento.

Emma acorda mais tarde tem novos flashbacks que a aterrorizam e supõe que algo de errado ocorreu com o vizinho, levando-a à polícia para convencer o detetive John Hallstrom e seu parceiro Tom Ridgely a checarem o possível acontecimento, apesar de duvidarem de seu depoimento. Mas quando os policiais finalmente chegam ao local, encontram o homem morto, com o mesmo modus operandi de uma série de assassinatos que Hallstrom e Ridgely já estão investigando há algum tempo.
Durante as investigações, ainda há dúvidas sobre o que Emma pode ter visto devido às falhas de visão e memória, e esta ainda revive todo o tempo a imagem da mãe batendo seu rosto contra o espelho quando criança, por brincar com suas maquiagens, fato que a levou à cegueira.

Emma passará então a correr perigo, pois é a única que pode identificar o assassino, e começa a perseguição, período que John Hallstrom ficará encarregado de sua proteção, surgindo uma relação amorosa entre ambos.
Alguns detalhes do filme que podemos relacionar com o noir começa da fotografia contrastante numa luz mais sombria, mesmo nas cenas diurnas. O filme cria um clima constante de tensão e delírio, em especial na personagem de Emma, quer nos flashbacks que criam suas incertezas, as visões distorcidas da visão parcial e ainda a pressão quanto o assassinato. São detalhes que criam insegurança na personagem que tenta convencer aos outros e a si mesma a respeito dos fatos, como se tivesse medo se estar a beira da loucura.