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domingo, 2 de dezembro de 2012

Carol Reed


30/12/1906 (Londres - Putney) a 25/04/1976 (Londres - Chelsea)

"I give the public what I like, and hope they will like it too."

Desde que assisti a The Third Man, percebi que havia um algo mais no trabalho de Carol Reed, em especial no gosto pela inclinação da câmera em momentos de suspense, causando um atordoamento à cena e ao expectador.

Cabe então em nosso blog uma breve biografia desse grande diretor, que "no final da década de 1930 foi considerado como um dos jovens diretores mais promissores na Inglaterra; no final da década de 1940, o criador de um dos filmes mais populares e aclamados pela crítica da década, e o diretor britânico mais festejado ao lado de Alfred Hitchcock. Durante os anos 1950, foi premiado com um título de cavaleiro e fechou 1960 com um dos musicais de sucesso mais lucrativo em bilheteria." (http://mubi.com/cast_members/1762)

Nascido em família voltada ao cinema, com o pai ator de teatro e fundador da Royal School of Dramatic Arts, Sir Herbert Beerbohm Tree e a mãe Pinney Reed, teve uma criação em meio à classe média educada, com o objetivo já muito cedo de ingressar na carreira de ator, mesmo com a mãe tentando fazê-lo mudar os planos.

Já em 1924 e com 20 anos, conhece o escritor Edgar Wallace e a parceria entre eles estendeu-se por certo tempo, quer na trupe encabeçada por Wallace para seguir pela estrada apresentando peças, onde Reed ingressa em 3 adaptações além de trabalhar como assistente de palco e mais tarde, em 1927, quando Wallace torna-se presidente da Corporação de Cinema British Lion, levando o parceiro como seu assistente, o que permitiria a Redd um intenso aprendizado sobre cinema e participação nas produções.

Ao que parece, Reed abandona a carreira como ator e caminha para trilhar a carreira como diretor, e em 1935 dá um grande salto definindo seus próximos passos,  inicialmente em associação com Robert Wyler em It Happened One Night (Aconteceu em Paris). 

Daí em diante Reed segue com uma série de produções de baixo orçamento mas já caracterizando o estilo marcante do diretor.

Em 1936 vemos sua direção na comédia Laburnum Grove (1936) e Talk of the Devil, o primeiro filme feito no Pinewood Studios, financiado por Alexander Korda, e o filme foi co-escrito por Reed e o futuro diretor Anthony Kimmins. 

Entre os filmes de Reed o mais distinto era The Stars Look Down (1939), um drama sobre o sofrimento dos pobres mineiros de carvão de Gales, mas o que o colocou no gosto popular foi Night Train to Munich (1940). 

Chega a Segunda Guerra e Reed junta-se a unidade do exército britânico de cinema, onde fez uma série de documentários destinados à propaganda de novos recrutas, e fez o melhor longa-metragem com a infantaria britânica, o Way Ahead (1944), co-autoria de Eric Ambler e Peter Ustinov. 

Após a guerra, Odd Man Out (1947) torna-se sucesso de crítica e bilheteria, destacando-o entre os melhores cineastas britânicos da época.

Junto com Michael Powell e Emeric Pressburger, Lean David, e Gilliat, Reed fez parte da geração de cineastas cujos filmes britânicos transformaram a indústria cinematográfica britânica, ao ponto de por um tempo tornar-se um sério rival para Hollywood. 

Em 1948 Reed realiza outro sucesso de bilheteria, The Fallen Idol, sobre um garoto que busca proteger um mordomo e seu amigo, acusado da morte da esposa.

Finalmente em 1949 chega The Third Man, baseado no romance de Greene e produzido em associação com Alexander Korda e David O. Selznick. "Uma caçada humana em meio a corrupção e miséria de Viena do pós-guerra, o filme transcende o gênero thriller, em parte através de um quinteto de performances brilhantes de Orson Welles, Cotten José, Valli Alida, Howard Trevor, e Lee Bernard, assim como a fotografia atmosférica Robert Krasker de e, no geral, um sentido irônico ... de Reed, que deu o tom para o filme inteiro, não só como diretor, mas também através de sua seleção de locais de Viena... The Third Man tornou-se o mais popular de todos os thrillers pós-guerra britânicos, um dos filmes mais amplamente lembrados e citados na história, e fez várias fortunas..." (http://mubi.com/cast_members/1762)

Seus próximos dois filmes, Outcast of the Islands (1952) e The Man Between (1953)- novamente com James Mason protagonizando a trama - , foram decepções., mas Reed foi premiado com o título de cavaleiro, pela primeira vez tal honra fora concedida a um diretor de cinema.

A década de 50 foi de novidades na carreira de Reed mas que parecem ter descaracterizado o estilo do diretor, segundo a crítica. Em 1955, faz uma fábula para a Disney que tornou-se um dos mais populares da época. Trapeze (1956), foi uma completa surpresa; uma produção anglo-americana pela empresa de propriedade de sua estrela, Burt Lancaster, que foi também o primeiro Reed em Cinemascope, e foi um sucesso, mas também era desprovida de qualquer um dos toques pessoais que tinham sido encontrados em filmes anteriores de Reed. The Key (1958), foi igualmente criticado por sua natureza impessoal. Em 1959, Reed foi a Cuba para filmar Our Man in Havana, baseado em uma história de Graham Greene, não be recebido como os anteriores.

Os anos 1960 foram uma época menos satisfatória para Reed, sendo substituído em Mutiny on the Bounty por Lewis Milestone, e L'extase et l'agonie (1965) foi muito  ruim nas bilheterias. 

Em 1968, o diretor teve seu triunfo final, com o lançamento do musical Oliver!, com base no trabalho de palco por Lionel Bart. Foi distinguido não só como um dos poucos sucessos de sua época como uma das melhores adaptações do teatro para o cinema, o que conferiu a Reed o Oscar de Melhor Filme e Diretor.

Reed fez mais dois filmes, Flap (1970, lidando com a situação dos nativos americanos) e aos olhos do público (1972). A má distribuição e a saúde precária e idade avançada do diretor interferiram em uma melhor divulgação e apreciação dos filmes.

Reed faleceu em 1976, após anos de enfraquecimento da saúde e um leve ataque cardíaco.

Não há dúvida quanto a carreira brilhante e os momentos de experimentações e novos saltos na carreira desse diretor, conhecido por suas características marcantes ao criar uma cena. A seguir, algumas frases sobre o papel do diretor:


"Um diretor deve planejar com antecedência como uma cena deve ser feita, mas ele deve estar sempre pronto para colocar a câmera aqui em vez de lá, e mudar tudo no último momento se perceber uma melhor forma de fazê-lo."


"Eu acho o trabalho do diretor - como no antigo teatro - é para transmitir fielmente o que o autor tinha em mente. A menos que você tenha trabalhado com o autor em primeiro lugar, você não pode transmitir aos atores o que ele tinha em mente, nem pode transmitir para o editor no final a idéia original..."
"Tudo o que eu acredito que o diretor pode fazer é aproximar seu assunto com uma lista de cenas meticulosamente preparadas para serem filmadas com sua descrição geral...e uma idéia absolutamente clara do efeito que ele quer alcançar."
" Eu não acredito que o cinema é um lugar para palestras sobre como todos devem viver. Eu não acho que o público quer que seja, a menos que eles sejam muito originais e marcantes. Pessoalmente eu não gosto da infusão de política amadora em filmes. Certamente que não é o trabalho do diretor."

A impressão dos críticos sobre a obra de Carol Reed:
"Dirigindo habilmente uma série de dramas com excelentes atores, Carol Reed criou filmes que são ricos em atmosfera e ambiente, com adaptações literárias de personagens principais complexos ... Reed, uma vez comentou:". Dou ao público o que eu gosto , e espero que eles gostem também "-. Ronald Bergan.
"Uma vez considerado um grande diretor britânico, Sir Carol Reed era na verdade um artesão competente, que atingiu seu pico durante um breve período no final dos anos 40, com 3 consecutivas adaptações literárias. Mesmo em seus melhores trabalhos, o seu pendor para tiros invulgares em ângulo e iluminação expressionista pode parecer estudado e irrelevante." Geoff Andrew (O Manual do Filme, 1989)

Fontes:

http://mubi.com/cast_members/1762

http://www.imdb.com/name/nm0715346/

http://www.screenonline.org.uk/people/id/459891/index.html



http://en.wikipedia.org/wiki/Carol_Reed

http://melhoresfilmes.com.br/diretores/carol-reed

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Odd Man Out - 1947

Odd Man Out - 1947
116 min - UK
Crime - Drama - Noir
Diretor: Carol Reed
Estrelando: James Mason, Robert Newton, Cyril Cusak, Kathleen Ryan

http://www.imdb.com/title/tt0039677/



" This story is told against a background of political unrest in a city of Northern Ireland.
It is not concerned with the struggle between the law and an illegal organisation, but only with the conflict in the hearts of the people when they become unexpectedly involved."

("Esta história é contada num contexto de instabilidade política em uma cidade da Irlanda do Norte. Não há perocupação com a luta entre a lei e uma organização ilegal, mas apenas com o conflito nos corações das pessoas quando elas se tornam inesperadamente envolvidas. ")

Este texto parece enunciar o objetivo do filme, apresentado logo em sua abertura.
E que filme interessante, com uma fotografia noir impressionante, atuações dignas de nota e um clima de desesperança e dor que perdura por todo o filme.

Johnny McQueen (James Mason) é o líder do grupo IRA e encontra-se escondido das autoridades na casa de sua namorada (Kathleen Sullivan) e a avó, após sua fuga da prisão, lugar que parece tê-lo feito pensar muito, trazendo uma nítida mudança em suas atitudes - que o faz questionar se a negociação não seria melhor que a violência - , situação que causa certo desconforto e desconfiança por parte de seus companheiros quanto a atuação de Johnny dali em diante.

Após um assalto que o grupo faz em um banco, Johnny sofre uma vertigem e compromete a fuga, caindo ao chão após um tiro, abandonado pelo grupo que sai com o carro em alta velocidade.
A partir daí o filme seguirá o curso até o final com o paralelo entre dor, sofrimento, e as vertigens de Johnny, sangrando entre becos e ruas estreitas irlandesas, em meio à neve que aumenta cada vez mais. Por onde passa, em alguns momentos ele quase consegue ajuda, porém a maioria da população nega-se com medo de envolver-se no caso e complicar-se com a polícia, que mantém-se implacável a fim de capturar o fugitivo, sob as ordens incansáveis do inspetor de polícia (Denis O'Dea).


Johnny vaga quase insconsciente por perder muito sangue nas ruas sem encontrar lugar seguro, enquanto Kathleen tenta encontrá-lo por todos os cantos, perguntando a todos sobre seu paradeiro. 

Um homem pobre vai ao encontro do padre Tom, amigo de Kathleen, tentando conseguir algum ganho caso entregue Johnny, e estes tentam por meio do homem recuperar Johnny enquanto ainda há tempo.

A cena em meio a neve onde Kathleen e Johnny já sem forças se encontram é memorável, onde esta resolve guiá-lo pelas ruas a fim de salvá-lo a tempo de sua condição deplorável e ainda das mãos dos policiais que circulam pelas ruas. Mas este já não tem forças e ela não consegue levá-lo para a igreja junto do padre que os aguarda, e decide por encerrar sua fuga em um final trágico no confronto com os policiais.
Como mencionei inicialmente, o filme tem uma fotografia belíssima, mostrando os becos estreitos e escuros da Irlanda, com tomadas de câmera e o claro escuro muito marcado, expressando a angústia do perseguido e da caçada sem trégua. 





James Mason tem uma atuação brilhante e muito cênica, com suas fortes interpretações em especial em suas vertigens que levam o personagem a sofrer alucinações hora como se estivesse ainda na prisão e os efeitos provocados em sua mente, quer em suas lembranças com os últimos acontecimentos que o atormentam.




O filme parece ter sido feito com um final bastante violento, atraindo críticas ao ponto de fazer com que a produção final tivesse esse final atenuado.

Odd Man Out foi muito premiado, como o prêmio BAFTA de Melhor filme britânico em 1948, além de nomeado para o Leão de Ouro no Festival de Veneza em 1947 e melhor edição de filme para o Oscar, em 1948. (http://en.wikipedia.org/wiki/Odd_Man_Out).