Experimento Noir é um espaço de troca de experiências e experimentos que bebam da fonte do gênero noir.
Participe para saber mais e envie a sua colaboração. Após análise, publico com crédito do experimentador.


sábado, 30 de junho de 2012

Naked Alibi - 1954

Naked Alibi - 1954
86 min - EUA
Crime | Drama | Filme Noir
Diretor: Jerry Hopper
Estrelando: Sterling Hayden, Gloria Grahame, Gene Barry

http://www.imdb.com/title/tt0047263/



Anos 50, as ruas tensas, com assaltos a mão armada e pressão sobre a polícia para resolver rapidamente os casos.

Al Willis, um alcoólatra explosivo, é suspeito de um assassinato, pois atacara membros da polícia ao ser espancado, jurando vingança.
Acontece que o Tenente Parks é assassinato logo na noite seguinte e outros ataques a policiais se sucedem, o que o levará a tornar-se o principal suspeito do crime, sendo perseguido pelo implacável Chefe Conroy, ao ponto de perseguí-lo em uma cidade na fronteira mexicana, para onde Willis tenta fugir. Para Conroy inclusive não lhe resta muito a fazer, pois sua insistência em desvendar o caso tira-lhe inclusive o poder como policial quando a imprensa fotografa uma cena mais violenta sobre Al Willis, afastando-o do caso.
Já na cidade mexicana surge a sedutora Mariana (Gloria Grahame), dançarina e cantora de El Perico, onde deixa os homens loucos com sua provocativa apresentação.  Mas afinal, o que uma bela mulher está fazendo em uma cidade fronteiriça, arruinada, trabalhando numa boate de baixo calão?  É com a chegada de Al que o mistério se revela, pois ele tem um caso com Mariana, e aproveitou a situação tensa com a polícia para convencer a mulher que precisava descansar um pouco longe da cidade, deixando-a para encontrar Mariana.
Esse é o momento em que Al revela sua natureza ciumenta, psicótica e auto-destrutiva, aliás, característica percebida nos 3 personagens principais (Al, Conroy e Mariana), quer na natureza explosiva de Al Willis tentando manter sua vida dupla ou a firmeza pseudo-calma de Conroy que deseja desvendar o mistério e revelar quem é o homem que persegue, e a imagem da mulher entre o impasse que vai aumentando entre os protagonistas masculinos, tentando descobrir a verdade. Conroy inclusive quer que Mariana o ajude a desmascarar Al Willis, formando um triângulo tenso e perigoso.


Todos tem a oportunidade de ir embora mas ao mesmo tempo parecem comprometidos com o destino final, seja lá o que for. O destino é irresistível e inevitável e explode nas cenas finais no telhado de uma igreja.

O elenco é excelente, com Barry incrivelmente convincente como o psicótico e perturbado Al Willis e Gloria Grahame está belíssima em suas atuações, em especial em seu belo vestido com os ombros à mostra - me lembra uma delicada e sensual camisola - em El Perico, algo que certamente faz muitos suspirarem.
Muito boa a trilha de abertura em meio as tomadas noturnas dos carros de policia chegando à delegacia, a fotografia em claros e escuros muito bem dirigida - ainda que o filme não se atenha o tempo todo às cenas noturnas - , muita tensão e violência e diversas cenas com o toque de sedução que tempera o clima. Não encontrei uma cópia muito boa para apreciar ao máximo o filme, mas confesso que me surpreendi e gostei bastante do trabalho de Jerry Hopper. Gostei da dinâmica e intensidade que dos acontecimentos, construindo uma interessante trama que prende o espectador.  Aproveitem o post, assistam ao filme e comentem suas impressões.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

A Life not to Follow - 2013



Hoje falarei a respeito desta proposta de trilogia neo-noir pelo morador de Boston e escritor-diretor de A Life Not to Follow, Christopher Di Nunzio.

Para este novo projeto - ele diz já ter feito outros filmes com baixos orçamentos - Christopher aproveita a internet para arrecadar fundos para realizar o intento.

Em uma breve sinopse, ele conta um pouco da história: Eric é um homem morto e sabe disso. A morte é iminente e ele deve fazer as pazes de seus pecados passados​​, matando aqueles que enganaram, não importa o preço: Alguém um dia disposto a fazer qualquer coisa para subir no mundo deve agora fazer o sacrifício final. Ele deve matar seu melhor amigo ou morrer. Durante a busca de uma garota desaparecida, ele se depara com uma série de personagens desagradáveis ​​que o levarão à perdição ou salvação.

Para saber mais sobre o projeto e, quem sabe, dar uma força para a filmagem, acesse:

http://www.kickstarter.com/projects/1091918793/a-life-not-to-follow

sábado, 23 de junho de 2012

Fear in the Night - 1947

Fear in the Night - 1947
72 min - USA
Crime | Drama | Filme Noir
Diretor: Maxwell Shane
Estrelando: Paul Kelly, DeForest Kelley, Ann Doran

http://www.imdb.com/title/tt0039372/


Baseado na história de Cornell Woolrich, vemos o confuso Vince Grayson (DeForest Kelley), que acorda de um pesadelo perturbador em que ele esfaqueia um homem com um furador em um armário. Embora o crime sangrento parecia apenas um pesadelo, Vince encontra em seu bolso um botão e chave que ele viu no sonho, e percebe hematomas no pescoço, os quais sugerem que o evento realmente aconteceu. Ele busca a ajuda do parente e detetive Cliff Herlihy (Paul Kelly), que zomba dos medos imaginados por Vince, mas como a evidência cresce, ele começa a ter dúvidas quanto a veracidade do assassinato.
 Cliff começa a investigar o caso após as tentativas de suicídio de Vince, encontrando o marido traído Lewis Belnap que poderia ter hipnotizado Vince para matar a esposa e seu amante.

Tentando desvendar o mistério, Cliff ainda tenta fazer Lewis hipnotizar Vince a fim de incriminá-lo, o que quase gera o suicídio de Vince em um lago.

A trama é descoberta com o triste fim do culpado, mas Vince ainda tem de prestar contas com a justiça a fim de tentar livrar-se da culpa não intencional.
Trata-se de uma adaptação fiel, com atuações muito boas, como Vince, um indivíduo reprimido mas honesto em seus princípios, lutando em conflito com sua consciência sensível.

São explícitas as crises de culpa do suposto assassinato cometido pelo protagonista, e o questionamento durante o filme de uma espécie de força maior imperando sobre os atos humanos independente de sua conduta. 

Mas tal sensibilidade vai mais além, pois há inclusive uma questão implícita que mostra o caráter homossexual de Vince que sugere a razão de sua sensibilidade, onde a maneira de lidar com seu comportamento inadequado é suprimir a consciência em memórias fragmentadas vistas nos sonhos ou mesmo por meio de um transe hipnótico. Percebe-se em diversas cenas a sugestão de atos homossexuais retratados na obra de Woolrich.

Aliás, a hipnose que leva Vince a quase afogar-se é brilhante, onde o rosto de Vince aparece refletido no relógio de Belnap. Linhas pretas atravessam a imagem, dando-lhe um olhar estilhaçadom fragmentado, diminuindo seu auto-controle, levando a deslizar na água do lago onde lhe foi sugerido o caminho para apaziguar suas culpas e medos.

A paranóia da culpa e a fragilidade que faz do personagem marionete em mãos criminosas é o tema corrente deste filme, por sinal muito bem interpretado por DeForest. 

Cartazes Fear in the Night - 1947

To Kill a Dead Man - Portishead



Curta-Metragem: To Kill a Dead Man
10:32 Min - 1994
Ideia original e música: Portishead.
Fotografia e Direção: Alexander Hemming.
Estrelando: Geoff Barrow, Tim Bishop, Beth Gibbons, Dave McDonald, Richard Newell, Adrian Utley



A banda de Trip-Hop Portishead realizou seu primeiro trabalho musical mas não exatamente um disco, e sim o curta-metragem To Kill a Dead Man.

É sobre um assassinato em que a intriga e mistério envolvem os protagonistas. 



Filmado em preto e branco, é muito bem feito e tem seus pontos fortes: as cenas muito bem construídas, bela fotografia com atmosferas sombrias, o curta é mudo todo o tempo, voltado mais à linguagem cinematográfica, ressaltando a tensão e as expressões dos personagens.

Pelo que pude recolher de informações, o filme foi feito em 1991 e lançado em 94, o ano em que a banda lançou o Dummy, seu primeiro álbum. To Kill a Dead Man aparece então como um bônus no Roseland NYC Live DVD lançado em 2002.

Não diria que é uma obra-prima. Se fosse classificar com alguma influência noir, pensando nas 3 fases a que os críticos o colocam, diria que faz parte da terceira fase, onde a paranóia é o tema central a partir da cena do assasinato.


Pode ser preconceito de minha parte, mas certos experimentos ficam carregados de dramaticidade e esse minimalismo contemporâneo me parece perder em muito do glamour dos filmes dos anos de ouro do noir, mas é interessante conhecer o trabalho, além da música que parece ter encaixado muito bem com as cenas.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Beware, My Lovely - 1952

Beware, My Lovely - 1952
77 min - USA
Drama | Filme Noir
Diretor: Harry Horner
Estrelando: Ida Lupino, Robert Ryan e Taylor Holmes

http://www.imdb.com/title/tt0044417/

Ida Lupino é uma viúva que contrata Robert Ryan para lhe servir, mas se arrepende ao perceber que trata-se de um psicopata que, apesar de parecer uma pessoa normal, tem ataques de loucura seguidos de amnésia. Drama noir cheio de suspense e tensão do início ao fim.

Natal de 1918, no final da Primeira Guerra Mundial. Howard Wilton é um trabalhador  que um dia encontra seu patrão morto no chão de um armário, morte causada por estrangulamento em um de seus apagões mentais. Em pânico, entra em um trem de carga, onde conhece a viúva Helen Gordon (Ida Lupino), que o vê como um homem normal, não suspeitando a ameaça que estava levando para casa a fim de colocá-lo a fazer serviços gerais em sua casa.

Após uma repreensão da patroa, Howard vive um conflito mental entre raiva e atitude defensiva, até que perde a cabeça, cortando as linhas do telefone, bloqueando as portas a fim de tornar a patroa uma prisioneira em sua própria casa. É quando Helen percebe o problema e resolve fazer o jogo de Howard a fim de libertar-se.
Ao tentar enganá-lo quanto a um quarto alugado, Howard começa a ameacá-la de morte e a tensão aumenta, até que um reparador da linha telefônica surge e pode ser seu salvador, trazendo a polícia para levar o já inconsciente homem fora de seu lar.


Beware, My Lovely é muito bem dirigido por Harry Horner, usando uma grande variedade de 
ângulos extremos, closes que criam uma sensação de claustrofobia e aprisionamento. 

Há uma cena surpreendente onde o olhar assustado de Ida Lupino em direção aos enfeites de Natal que refletem Howard aproximando-se em sua direção. Destaque ainda para a brilhante atuação de Ryan, talvez seu melhor papel como o insano Howard.




domingo, 27 de maio de 2012

A visão do negro no Cinema Noir

No blog http://filmsnoir.net, Tony D'Ambra defende a ideia de que, na fase clássica do noir nos anos 40 e 50, Hollywood ignorava o racismo, acreditando que havia uma espécie de predileção e simpatia por destacar o negro na história, fazendo uma lista de filmes que considera exemplos que comprovam tal ideia, como The Big Night (1951) e Body and Soul (1947), entre outros, falando de racismo, vida de boxeadores, músicos e afins.
Mauri Lynn - The Big Night (1951)
Eu diria poder citar o jazz, bastante destacado em diversos filmes da época, com negros, em sua maioria músicos, participando do contexto do filme por meio do estilo musical como pano de fundo, lembrando ainda os astros que protagonizam as tramas em geral serem brancos, e o tema da escuridão estar ligado ao sentimento interno ou deslize moral do personagem.
Juano Hernandez - Young Man With a Horn (1950)
Mantendo a ideia do blog interessar-se por abrir espaço discussão, segue o link para que o leitor possa refletir a respeito. De minha parte, pretendo buscar alguns dos títulos ainda não assistidos para comentar em outra oportunidades aqui no blog.


Acessem: http://filmsnoir.net/film_noir/race-and-film-noir-black-and-noir.html


segunda-feira, 21 de maio de 2012

Quiet Please, Murder - 1942



Quiet Please, Murder - 1942
70 min - USA
Drama | Crime | Thriller
Diretor: John Larkin
Estrelando: George Sanders, Gail Patrick, Richard Denning]

http://www.imdb.com/title/tt0035233/

Sanders interpreta um homem que rouba e forja livros raros. Ao conseguir uma cópia rara de Hamlet, quer fazer diversas cópias e vender a colecionadores inescrupulosos, garantindo uma fonte de renda mais duradoura. Ele conta com a ajuda da femme fatale Myra Blandy (Gail Patrick), que comete o erro de vender uma edição para um homem, com ligações nazistas, (Sidney Blackmer), que logo percebe que trata-se de uma falsificação e vai cobrar-lhes um alto preço.

Enquanto isso, o detetive Hal McByrne (Richard Denning), que está na trilha de Fleg, é atraído pela bela Blandy, embora não confie nela, que se mostra jogando em todos os campos: com Fleg, com os nazistas e McByrne, jogando uns contra os outros. McByrne porém percebe que tal ligação pode levá-lo a seu objetivo de chegar a seus perseguidos, fazendo um acordo para protegê-la.

Grande parte da ação ocorre em uma biblioteca escura, assim como o tema repleto da mesma inquietude obscura. O ambiente é cenário para um assassinato, nazistas e bandidos perseguindo-se e livros raros sendo roubados, além de encontros românticos ou quase isso, com segundas intenções em boa parte das ocasiões.

É um filme com clima intenso, a iluminação contrastante que concede um certo ar dramático e misterioso em meio ao cenário incomum, trazendo-lhe certa originalidade.

Cartazes Quiet Please, Murder - 1942

Sim, meus caros, por mais que tenha insistido nas buscas, para este filme só encontrei esses 2 toscos cartazes, mas que merecem ocupar nossa galeria de posters para registro e conhecimento de todos.  

Teaser - Shadows of a Stranger




Está rolando na internet a divulgação de Shadows of a Stranger, por meio de 2 teasers trailers de um thriller psicológico independente, produzido pelos cineastas novatos Chris Clark e Richard Dutton, que com um minúsculo orçamento mas um projeto ambicioso, pretendem reunir 30 papéis, onde os personagens desenvolvem diálogos cortantes em meio ao ambiente inspirado em Sin City.

O cineastas pretendem lançar o filme na primavera americana de 2012.

Não sei o que esperar do filme. Assistindo aos teasers, me parece algo com ares bastante teatrais mais que o clima de cinema, porém, deixo a divulgação com os vídeos para que o leitor tire suas conclusões a respeito.

Fontes:

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Crack-Up, 1946


Crack-Up (1946)
93 min - USA
Drama | Filme Noir | Mistério
Diretor: Irving Reis
Estrelando: Pat O'Brien, Claire Trevor, Herbert Marshall


O protagonista de Crack-Up é George Steele (Pat O'Brien), um historiador de arte de meia-idade que acredita que a arte é para todos desfrutar, não só uma minoria rica, mas suas idéias não são bem-vindas no Museu Metropolitan, e ele se torna o alvo de uma campanha de difamação bem elaborada.

George começa a suspeitar que alguém no museu está substituindo obras de arte por falsificações. Ele tenta descobrir os culpados para desvendar este intricado mistério.

Na sequência de abertura, George tenta freneticamente invadir o museu, mas o guarda o impede e este entra em colapso, perdendo os sentidos. Ele acorda em um sofá no escritório museu, cercado por seus colegas. Ele pergunta se havia outros sobreviventes no desastre de trem e todos negam que tal fato tenha ocorrido há meses nos arredores. 
Confuso, George tenta refazer seus passos e, em flashback, relembra que teve de fazer uma viagem de trem para visitar a mãe doente, onde presencia na direção oposta um farol se aproximando até que se choca com o trem em que está a bordo, tirando-lhe a consciência. Isso é tudo o que ele lembra, mas a invasão do museu lhe é desconhecida ou mesmo o motivo que poderia tê-lo levado a tal.

George suspeita que alguém está tentando desacreditá-lo, e talvez foi o que o levou à invasão do museu, a fim de desvendar o caso das falsificações.
A tensão aumenta quando George percebe que há semelhanças entre o esquema de falsificação com crimes cometidos pelos nazistas durante a guerra, levantando a suspeita de uma ação atual em plena América.
George passa a maior parte do filme entre as poucas pistas que consegue reunir, atordoado pela amnésia parcial ou simplesmente inconsciente. Mesmo a força internacional de polícia na fuga dos falsificadores deixa George no escuro. É como se é próprio cérebro não pertencesse a ele. Os vilões manipulam facilmente sua mente e seu corpo é feito um fantoche para as autoridades. Esta falta de auto-consciência vem à cabeça quando o psiquiatra Dr. Lowell usa um soro para extrair a verdade e a ficção da mente de George.

Pensando no gênero, vemos o ambiente urbano na névoa entre a verdade e o submundo do crime, com cenas escuras da cidade fria e decadente, além do desiquilíbrio humano influenciado em especial pelos resquícios ainda latentes da guerra, criando um mal-estar que chega a mente do espectador. 
Trata-se de um filme médio, com certas discrepâncias em algumas situações do filme, porém a abordagem do atordoamento do pós-guerra, criando uma sociedade entre as ações escusas e a completa sensação de desequilíbrio é um tema corrente do noir, expressando o sentimento latente da época.

Cartazes Crack Up - 1946