Experimento Noir é um espaço de troca de experiências e experimentos que bebam da fonte do gênero noir.
Participe para saber mais e envie a sua colaboração. Após análise, publico com crédito do experimentador.


domingo, 1 de abril de 2012

The Detective Story - 1951

E aí, vamos de sessão pipoca?

Detective Story - 1951
103 min - EUA
Crime | Drama | Filme Noir
Diretor: William Wyler
Estrelando: Kirk Douglas, Eleanor Parker, William Bendix


http://www.imdb.com/title/tt0043465/






Cartazes The Detective Story - 1951

Uma grande diversidade nas interessantes artes dos cartazes de The Detective Story, com o galã Kirk Douglas.





The Best American Noir of the Century


The Best American Noir of the Century

Editores: James Ellroy, Otto Penzler
752 páginas
Editora: Mariner Books
Idioma: Inglês

Amazon: ($11,53) http://www.amazon.com/The-Best-American-Noir-Century/dp/0547577443/ref=sr_1_1?s=books&ie=UTF8&qid=1333307149&sr=1-1

Barnes & Noble: ($13,03) http://www.barnesandnoble.com/w/best-american-noir-of-the-century-james-ellroy/1100273668

Esta é uma publicação que me pareceu muito interessante, não só por tratar-se de nosso tema corrente, mas em especial por tratar-se de uma extensa reunião de 39 histórias, onde 20 delas são histórias publicadas entre 1923 e 2007, demonstrando o lado negro da humanidade presente em diferentes épocas e locais. De James M. Cain, Mickey Spillane e Evan Hunter, além de Elmore Leonard, Patricia Highsmith, Joyce Carol Oates, Dennis Lehane, e William Gay, entre outros.

Parece tratar-se de uma cuidadosa pesquisa de James Ellroy e Otto Penzler, oferecendo-nos esta incrível publicação.

Em sua introdução, James Ellroy escreveu: "Noir é o ramo da escola hard-boiled de ficção. É a longa queda do homem e mulher errados em perfeita combinação. É o pesadelo de almas imperfeitas com grandes sonhos que os levará ao mal...Oferecer os melhores exemplos de literatura onde as coisas deram errado, esta coleção garante que em nenhum outro lugar podem os leitores encontrar uma edição mais completa de ficção noir americana."

Aproveitando a descoberta desta publicação noir, encontrei ainda uma entrevista com Otto Penzler onde é indigado a respeito do gênero. Sobre as histórias do noir, ele as define: "histórias noir são sombrias, existenciais, alienantes, contos pessimistas sobre perdedores, pessoas que são tão moralmente desafiadas que elas não podem ajudar, mas trazer a sua própria ruína."

Otto expôe ainda sua visão em relação ao noir americano e europeu, onde a ficção ligada a violência e criminalidade viria da escola norte-americana.

Sobre a questão do título mencionar tratar-se de uma compilação do "melhor do século", Otto diz: "...Eu preferia pensar ...nos últimos 100 anos, e não especificamente o século 20. Na verdade, a primeira história que eu pensei digna de inclusão não foi completamente de 100 anos. E, então, trouxe até o presente. Para uma publicação de 2010, o livro foi entregue em 2009, e não havia uma história noir em 2008 boa o suficiente para nocautear qualquer das outras histórias."

Para ler a entrevista (setembro de 2010) na íntegra, acessem a página da Library Journal Archive: http://www.libraryjournal.com/lj/newsletters/newsletterbucketbooksmack/886803-439/qa_otto_penzler_on_the.html.csp

sábado, 24 de março de 2012

Cartazes Caught - 1949

Confesso que estou com dificuldade em conseguir uma boa cópia deste filme, para assistir na íntegra e fazer jus a um comentário consistente. Em breve espero conseguir e comentar a respeito, até lá, falemos de outras obras do noir.

Se alguém conhecer um caminho que eu possa acessar uma boa cópia deste filme, avise. ;D



The Jazz Singer

Às vezes divago observando os cartazes e fotos dos filmes em preto e branco, com todo o glamour e cuidado apurado que percebo em cada produção, por mais sem recursos a elas atribuída, como se o caso fosse uma característica da época, quer pelos costumes, o tipo de vestimenta ou mesmo a essência desses atores brilhantes que fizeram dessa fase do cinema algo digno de moldura e contemplação.


E eis que em uma das pesquisas me deparo com este simples mas expressivo cartaz, enfatizando o Jazz, que tanto inspira os filmes do gênero que aqui escrevemos, merecendo a lembrança e comentário sobre o primeiro filme sonoro (1927) com o ator e cantor Al Jonson, ilustrado brilhantemente em alto contraste no cartaz acima:

"O cantor e ator Al Jolson, nasceu no 26 de maio de 1886 e ganhou notoriedade ao se apresentar pintando o rosto com tinta preta. Foi o primeiro judeu a se tornar artista de sucesso nos Estados Unidos.

Al nasceu numa família judia russa, na Lituânia, recebendo o nome de Asa Yoelson. Quando criança cantava na sinagoga onde seu pai também era cantor. Já nos EUA, sua primeira aparição deu-se aos 13 anos, na peça Children of the Guetho, em Nova Iorque. Adotando o estilo menestrel, atuava em circos e bares, antes de chegar à Broadway. The Jazz Singer (1927) o primeiro filme sonoro da história do cinema, foi seu filme mais marcante, onde apresentou-se com a famosa blackface (cara preta)." (http://humbertoamorim.blogspot.com.br/2009_05_01_archive.html)

Aproveitem para deleitar-se com o vídeo com Al Johnson em The Jazz Singer:

domingo, 18 de março de 2012

Out of Fog - 1941

Out of Fog - 1941
85 min - Estados Unidos
Crime | Drama | Filme Noir
Diretor: Anatole Litvak
Estrelando: Ida Lupino, John Garfield, Thomas Mitchell


http://www.imdb.com/title/tt0033987/
Baseado em “The Gentle People” (1939) de Irwin Shaw, que esteve na Broadway como uma parábola anti-fascista, com o tema onde os mansos superavam os arrogantes e poderosos, chega ao cinema em uma releitura com diversas alterações em relação à peça teatral, mantendo porém a mensagem forte, muito bem conduzida pelo diretor Anatole Litvak.


Numa aldeia de pescadores no Brooklin, o gângster Harold Goff, um homem insolente e violento, tenta extorquir dinheiro dos pescadores Jonas Goodwin e Olaf Johnson em troca de sua proteção para que continuem a trabalhar em "paz". Aqueles que recusam-se a pagar, sofrem consequências, como um barco destruído ou uma surra pelo desacato. 
Goff em certo momento coage os pescadores, forçando-os a assinar um contrato de empréstimo que os prende ainda mais a esse homem. Esse contrato livra inclusive Goff dos tribunais, o que aumentará sua ira em relação a Jonas, desejando vingar-se por sua audácia em levá-lo à polícia, reforçando ao pobre pescador que os fortes sobrevivem e os fracos perecerão. Percebendo a ineficácia da polícia e preocupado com o visível interesse que Goff tem pela filha de Jonas - Stella - os pescadores começam a pensar em resolver o caso com as próprias mãos, ainda que o destino resolva o caso por si mesmo.
Stella é a moça entediada e cheia de sonhos, que deseja uma vida melhor, cheia de glamour e extravagância, situação perfeita para Goff seduzir a boa moça porém volúvel, que decide trair a confiança e ensinamentos do pai, em busca da vida nova e excitante descrita pelo esperto e ardiloso personagem. 

Descrevendo um pouco da atuação dos personagens, temos John Garfield (Goff) como o perverso mafioso que se propõe a destruir a vida de todos, a fim de ganhar a sua própria vida. Goff é um personagem vil, que nunca mostra sinais de arrependimento ou vulnerabilidade, agindo violentamente de acordo com o que acredita ser o melhor para garantir sua posição de poder sobre os demais. 
Thomas Mitchell e John Qualen estão brilhantes estrelando como os dois veteranos que finalmente percebem que precisam tomar uma posição contra o homem que os reprime.


Ida Lupino está ótima no papel em que divide-se entre a filha dedicada a seu amor ao pai e a mulher que deseja uma vida melhor.


O filme é um noir literalmente escuro, com cenas noturnas na maior parte do tempo em meio ao nevoeiro, dando a sensação de vazio e certa claustrofobia (Boa parte das cenas inclusive, ocorrem no cais escuro em meio ao denso nevoeiro, o que intensifica essa sensação por boa parte do filme). A fotografia é incrível, mesmo que obviamente em cenas criadas em estúdio. E por fim, e não menos importante, trata-se de um noir muito bem dirigido por Anatole Litvak, merecendo ser colocado em nossa lista de bons filmes do gênero que o apreciador do mesmo não deve perder.

sábado, 10 de março de 2012

The Window - 1949

The Window - 1949
73 min - Estados Unidos
Drama - Filme Noir - Thriller
Diretor: Ted Tetzlaff
Estrelando: Bobby Driscoll, Barbara Hale, Arthur Kennedy


http://www.imdb.com/title/tt0042046/


Quem nunca ouviu dos pais que se você costuma inventar histórias, um dia, quando estiver em apuros ou dizendo a verdade, ninguém acreditará em você? Pois não é que nosso jovem protagonista de The Window, um menino de apenas 9 anos chamado Tommy Woodry, já tem a reputação de inventar histórias e após incomodar os pais o bastante ao ponto de receber a ordem de dormir mais cedo como punição, resolve ir para a escada de incêndio, movido pela noite quente do momento. É neste momento que sua vida tomará uma reviravolta, ao presenciar o assassinato de um marinheiro bêbado (Richard Benedict) pela janela dos vizinhos Paul Stewart e Roman, o que, mesmo com todas as tentativas de convencer os pais ou os policiais da veracidade do que viu, não será bem sucedido, ainda que o casal de assassinos resolvem encontrar uma maneira de silenciá-lo.
Este noir que foi um grande sucesso de bilheteria em 1949, premiando o grande desempenho com o Oscar do ator mirim  Bobby Driscoll. Baseado em uma história de Cornell Woolrich, o filme é um thriller em que as filmagens nas ruas em foco profundo nos levam a sensação de aprisionamento, entre os prédios da classe operária dos cortiços em Nova York, expressando um ambiente profundamente opressivo.

The Window apresenta uma visão assustadora de desamparo e frustração vivida pelo menino que sente-se ignorado pelos pais e os demais a sua volta.
Tetzlaff impõe o máximo de suspense ao filme, fazendo o espectador sentir a aflição do garoto, tornando sua infância um mundo de pesadelo diante da morte e da violência onde este não pode nem mesmo contar com o apoio dos pais ou dos vizinhos. O filme induz a excitação e ansiedade mostrando como Tommy tenta escapar de seu vizinho, que tem a intenção de assassiná-lo.

O casal de assassinos protagonizando figuras grosseiras, ávidos por melhorar suas condições de vida sem nenhuma moral ou consciência revelam uma bela empatia e atuação de Paul Stewart e Ruth Roman, como na cena em que estão em posse do menino em um táxi e este, ao provocar um alarme do motorista com seus gritos, estes não hesitam de forma violenta em silenciá-lo, independente de tratar-se de uma criança.


fotografia em ambiente escuro nos cortiços, intensifica o mal e a morte que parecem espreitar nas sombras, inclusive onde encontrarão o cadáver do assassinado, e onde o menino será perseguido e quase morto. Só pelas calçadas ruidosas e o cortiço com seus apartamentos sombrios já valem assistir a The Window. 



Em 73 minutos o filme é um thriller de suspense altamente tenso, captando a experiência de um menino na região pobre da Nova York dos anos 40 em pleno fracasso e desilusão social do pós-guerra.

Cartazes The Window, 1949

Apesar do acúmulo de informações típico das artes em cartazes da época, estes de The Window apresentam dramaticamente a situação em que se encontra um inocente menino após ser testemunha de um assassinato. Eles conseguem dar uma sequência e vislumbre sobre a trama que aguarda o espectador. 
"...Not even the police will help this boy marked for murder..."





Framed, 1947

Framed
82 min - Estados Unidos
Crime, Filme Noir, Drama
Dietor: Richard Wallace
Estrelando: Gleen Ford, Janis Carter, Barry Sullivan


http://www.imdb.com/title/tt0039396/


Um roupão de banho, uma chave de roda, um frasco de veneno ... elementos interessantes para compor um thriller, além dos arquétipos da femme fatale e o fracassado engenheiro de minas agarrando-se a uma chance de sair do fundo do poço para alcançar algum sucesso diante de uma fase ruim que parece perseguí-lo já a algum tempo.


Mike Lambert (Gleen Ford), um engenheiro desempregado que pilota um caminhão desgovernado pela falha dos freios, causando alvoroço e danos em uma pequena cidade, mal tem tempo de recompor-se com um drinque no La Paloma Cafe, onde conhece a bela loira Paula Craig (Janis Carter) servindo-lhe a bebida, pois a polícia vem cobrar-lhe a confusão levando-lhe à prisão e ao tribunal.
A bela jovem parece ser seu "anjo" salvador, pois paga a fiança evitando sua prisão, porém trata-se de uma trama ardilosa preparada por Paula e seu namorado Stephen, que pretendem roubar um banco e envolver o desavisado Mike como o autor do crime.


Paula comete ainda o assassinato do namorado para ficar com todo o dinheiro e quer convencer Mike de sua culpa no caso e que os dois devem fugir juntos.


Mike está a beira de aceitar o sedutor convite até descobrir que seu amigo está sendo envolvido no caso como o assassino de Stephen e resolve descobrir a verdade.


O personagem de Gleen Ford parece repetir sua face sempre séria, apenas com seus sorrisos sutis ao canto da boca, parecendo inocente demais em certas situações (Seu personagem lembra bastante o interpretado em Gilda, em especial pelo ar mal humorado em boa parte do filme). Ele é o herói hesitante que não se sabe bem qual sua escolha entre a indiferença ou o mal, apesar da amizade com Edgar que fará a diferença e lhe dará alguma sanidade em certo ponto do filme. 


A personagem Paula parece ser sofisticada demais para uma garçonete de um reles café em uma pequena cidade, mas Richard Wallace conduz a trama de forma razoável e convincente, com filmagem predominante escura em boa parte das cenas, com tomadas noturnas em ângulos e fotografia muito bem cuidades e interessantes por Burnett Guffey. Wallace discute o destino e a questão entre as aparências e a realidade, essas questões que intrigam e assolam a mente dos amantes e produtores do noir.

Cartazes Framed - 1947