Experimento Noir é um espaço de troca de experiências e experimentos que bebam da fonte do gênero noir.
Participe para saber mais e envie a sua colaboração. Após análise, publico com crédito do experimentador.
segunda-feira, 21 de março de 2011
Série Noire - 1945
"Que o leitor desinformado seja cauteloso: os volumes da" série negra "não podem ser colocados com segurança nas mãos de qualquer um. O amante de Sherlock Holmes não se identificará com ela. Nem o otimista ou o sistemático. A imoralidade em geral admitida nessas obras servem apenas como um contraponto à moral convencional... A mente é raramente conformista. Vemos a polícia mais corrupta do que os criminosos que perseguem. Detetive amigável nem sempre resolve o mistério. Às vezes não há mistério. E, às vezes, nem detetive. Mas então ...? Enquanto permanece a ação, a ansiedade, a violência - em todas as suas formas e em particular o mais odiado - os espancamentos e assassinatos... Há também o amor - de preferência bestial - a paixão desmedida, o ódio... Em suma, nosso objetivo é simples: para impedir que você durma".
(Marcel Duhamel, 1948).
Vemos acima uma breve mas clara descrição do que seria a publicação que influenciou não só o termo Noir como também sua temática muitas vezes dura, violenta e amoral.
Série Noire foi uma publicação de origem francesa da Editora Gallimard, fundada em 1945 por Marcel Duhamel, lançando romances de suspense policial, em geral com detetives durões como protagonistas.
A maior parte de sua coleção constitui-se de escritores da literatura anglo-americana, como Raymond Chandler, Dashiell Hammett, Horace McCoy, William R, Burnett, Ed McBain, Chester Himes, Cameron Lou, Jim Thompsonm Rene Brabazin Raymond e Peter Cheney.
No site da Gallimard - link de referência no final deste post - há a explicação completa do que foi esta publicação. Tentarei traduzir o melhor possível para que os leitores conheçam mais esta influência da literatura no gênero Noir:
Paris, 1944. Os Aliados acabam de invadir a Normandia e a cidade está em vantagem quando Marcel Duhamel, tradutor de Steinbeck ou Hemingway (entre outros) e agente da Gallimard, sai com três livros: Este homem é perigoso, de Marcel Achard, Poison Ivy de Peter Cheyney, e Não perca orquídeas para acariciar, de James Hadley Chase... Um ano depois, em setembro de 1945, o público francês descobriu uma nova série através de seus dois primeiros títulos, La Môme vert-de-gris (título francês da Poison Ivy), e Este homem é perigoso, ambos thrillers de Cheyney: o "Black Series" nasceu e ninguém duvida que sessenta anos depois, mais de 2600 livros assombra as noites de centenas de milhares de leitores.
Inicialmente, a editora nas mãos de Marcel Duhamel publica apenas seis títulos no "Black Series" em três anos, apesar do entusiasmo crescente. A França do pós-guerra apaixona-se por esses romances americanos e o novo tipo de filme bruto e negro, vindo de Hollywood.
Em 1948, sob a liderança de Claude Gallimard, Marcel Duhamel, finalmente, encontra-se com uma coleção de livros de borda amarela e preta, em torno de 20 a 30 mil cópias, dois livros por mês e a tradução de autores de primeira ordem (a começar por Chandler) ... O "Black Series" é uma grande máquina a distribuir os livros pretos...e o trabalho duro se inicia.
A história de detetive popularizada pelo "Black Series" fala a linguagem dos bandidos de rua. Mortos (Fast One, publicado em 1949), do californiano Paul Cain, faca violenta pintando o mundo de bandidos e os políticos da Costa Oeste nos anos trinta, por si só representa o modelo do tipo de novelas "hard-boiled" que Marcel Duhamel desenvolve em sua coleção. Especialmente porque, do outro lado do Atlântico, sob a influência dos "gigantes" da presente época (Raymond Chandler, Horace McCoy, Don Tracy, William Riley Burnett ou Dashiell Hammett), toda uma nova geração de jovens autores já mergulhou sua pena em pó e mercurocromo ... Logo, alguns deles ultrapassam o thriller padrão e esboçam o roteiro original, cuja influência sobre toda a literatura da segunda parte do século (até hoje) será considerável.
Até o início dos anos cinquenta, Marcel Duhamel possui uma centena de manuscritos por mês para classificar o grão (obras de arte pura) do joio (uma produção americana conhecida por "pulp fiction"). Nos anos que se seguem, o público francês encontra novos escritores como Jim Thompson, Kenneth Millar, o taciturno David Goodis, o prolífico Carter Brown, o delírio de Donald Westlake, tomando gradualmente o lugar dos primeiros clássicos.
A história de um ex-presidiário americano exilado em Paris que, em 1958, surpreende todas as regras do thriller com Chester Himes, em sua publicação A Rainha de Copas, dá a "Black Series" uma nova linhagem tornando-a uma verdadeira instituição.
Se a "série negra" rapidamente se tornou a referência do novo thriller dos EUA e estreia com os melhores representantes do gênero, os autores franceses não ficam de fora dessa revolução literária. Em 1948, sob o pseudônimo anglo-saxão Terry Stewart, Serge Arcouet torna-se o primeiro do "cenário local." Ele aparece rapidamente como um campeão de vendas da coleção, seguido por nomes como John Amila, Ange Bastiani, Auguste Le Breton, Antoine-Louis Dominique e Pierre Lesou, formando uma longa série de escritores franceses.
Agora, junto com uma produção americana em perpétua renovação, os franceses farão um trabalho de ficção de rara riqueza, falando de tendências e crises da sociedade francesa por volta de 68, invadindo rapidamente o catálogo de "Black Series", colocando-a mais uma vez no centro da criação literária.
Com a morte de Marcel Duhamel, em 1977, seu sucessor, Robert Soulat, ao lado de grandes novas assinaturas, acentua ainda mais o foco em escritores "terroir", como jovens revoltados. Uma nova geração muito mais rock'n'roll em "Série Noire" usa um thriller com grande tradição "hard-boiled". Com tom mais duro, "Black Series", a famosa coleção de Gallimard, entra em uma nova era dourada. O número 1000 da coleção comemora com um escritor americano (Jim Thompson), e o volume de dois mil saúda um dos melhores representantes dessa "nova onda" francesa, Thierry Jonquet.
Se por algum longo tempo, graças à "série negra", o detetive não é mais sinônimo de literatura série B, a chegada no início dos anos oitenta de escritores americanos como Tony Hillerman, Harry Crews, Nick Tosches e James Crumley, faz mais uma vez de "Black Series" uma grande vitrine para os grandes romancistas da Geórgia ou Montana. No entanto, as coisas estão mudando.
Na aurora dos noventa, Patrick Raynal sucede Robert Soulat e tomou o guidão da "Série Noire". Pela primeira vez, um autor de romances de terror é o chefe da prestigiada "casa". Dividido entre o desejo de enraizar firmemente a coleção em seu passado glorioso (o grande romance americano, envolvido no período do preto e branco) e evoluir para as tendências mais atuais da literatura do século XX , o autor iniciou o "Black Series" em novas aventuras. Maurice G. Dantec surge com A Red Siren, publicado em 1993, e As raízes do Mal, dois anos mais tarde, revelando um jovem escritor com um trabalho ambicioso, muito além dos Black cânones do gênero.
O "Black Series" abre-se para o mundo, reunindo escritores da Albânia, México, Espanha, Noruega, Alemanha, Finlândia, Itália, ao lado de Chase, Hammett, Chandler ou Burnett em meio às prateleiras congestionadas da coleção.
Em 2005, o "Black Series" - agora sob a responsabilidade editorial de Aurélien Masson - adotou um formato maior, apresenta uma capa decorada com uma fotografia em preto e branco e a tipografia que evoca a obra de Picasso. Ela, portanto, faz parte do programa literário das várias coleções de Éditions Gallimard.
http://en.wikipedia.org/wiki/Série_noire
http://www.gallimard.fr/collections/serie_noire.htm
Abaixo, alguns títulos de Série Noire, de diversos escritores.
sábado, 19 de março de 2011
Cartazes - Rififi (Du rififi chez les hommes, 1955)
Como não poderia faltar, os cartazes que acompanharam em diversos países a produção de Jules Dassin. O trabalho gráfico varia do simples ao rebuscado, com o uso da ilustração ou a fotografia trabalhada com certos efeitos de coloração, a maioria com maior foco no protagonista Tony.
Rififi (Du rififi chez les hommes, 1955)
Rififi (Du rififi chez les hommes, 1955)
França - 1955
122 minutos
Drama/Suspense
Jules Dassin
Jules Dassin mais uma vez surpreende com seu filme cheio de genialidade, detalhisto e cenas bem elaboradas, numa trama que prende o espectador do início ao fim.
Ao contrário dos muitos profissionais de cinema que encontraram refúgio nos Estados Unidos fugidos da Segunda Guerra, Dassin, nascido em Connecticut e diretor de 11 filmes no país (1941 a 1950), foi acusado de comunista por McCarthy e acabou refugiando-se na Europa, daí a produção de Rififi em francês.
O filme gira em torno do protagonista Tony, um ex-detento que encontra-se logo no início do filme perdendo numa mesa de jogo e chama o jovem Jo para socorrê-lo, o que este faz de pronto devido a ajuda recebida anos atrás mantendo a amizade e lealdade entre ambos.
Ocorre a proposta de Jo e outro personagem, Mario, para roubarem jóias da "Mappin e Web", e de início Tony recusa a oferta, mas por perder o contato com a esposa durante a prisão e descobrí-la atual mulher do dono do cabaré L'Âfe d'Or, decide concordar mas com um plano mais audacioso: o roubo do cofre por completo da joalheria. Junta-se ao grupo um italiano, amigo de Mario, especialista em arrombar cofres.
É aí que a trama torna-se mais interessante, onde os 4 personagens rúnem-se desde o estudo detalhado das dificuldades a serem superadas, o território, lojas e horários de funcionamento, além de cada ponto que deve ser respeitado para realizarem o assalto perfeito. Tony é sempre o cabeça do grupo, calculista e detalhista nos mínimos detalhes, com uma paciência incrível para encontrar a fórmula perfeita para um resultado sem erros.
Como todo bom filme Noir, Rififi não termina com o final feliz que as grandes produções adoram perpetuar. O dono do cabaré, um homem sem escrúpulos e muito ambicioso, descobre a trama e quer para si o dinheiro da venda das jóias, o que leva a uma sequência de mortes, sequestro e perseguições.
O filme é cheio de detalhes incríveis. As cenas que antecedem o assalto, em plena noite muito escura, onde somente os luminosos e as silhuetas de prédios e carros, além de vislumbres de asfalto iluminados pelos faróis, mostram uma fotografia cuidadosamente calculada. A cena do roubo calculada em 5 horas de árduo trabalho, toda encenada muda e sem música de fundo, intensifica o suspense quanto ao sucesso do assalto.
A figura da mulher é outro detalhe interessante. A ex-esposa de Tony parece ser alguém que ajusta-se às condições de sobrevivência, unindo-se a homens que a possam manter. A esposa de Mario mantém-se submissa às ordens do marido, alheia aos acontecimentos, sendo envolvida somente em momento inevitável em que o casal é acuado pelos homens do cabaré.
A cena da cantora do cabaré - uma bela mulher de quem o italiano que arromba cofres vê-se envolvido e por dar-lhe um anel valioso torna-se o delator do grupo - que canta a música que fala do homem "Rififi", o home duro, determinado e cruel, mas desejado ao ponto de atraí-la e mantê-la às suas ordens, é muito bem elaborada, com uma sombra masculina ao fundo, numa dança que demonstra sua virilidade e bravura, com a mulher submissa aos seus encantos. Em Rififi, não há espaço para a femme fatale do Noir, mas a companheira, a submissa, a sombra do homem e sua amante para o momento que desejar.
Após tantos detalhes, muito ainda há a ser saboreado nesse filme que marcou o cinema francês da década de 50. Aproveitem mais esta fascinante produção.
segunda-feira, 14 de março de 2011
The Naked City (Cidade Nua, 1948)
The Naked City (1948)
96 min - EUA
Crime | Drama | Film-Noir
Jules Dassin
O filme do diretor Jules Dassin é inusitado desde o início, com o padrão da voz off que acompanha todo o filme, porém a voz é do produtor que apresenta a equipe, alguns atores e então participa detalhes dos acontecimentos e mesmo parece conversar com o espectador sobre a situação da trama e da cidade, a grande e abafada Nova York, com sua vida intensa de cidade grande e o comportamento da população em meio a tal ambiente.
Na madrugada de Nova York, entre pessoas que adormecem, outras que terminam seu dia divertindo-se ou voltando do trabalho, um jovem modelo é assassinado em seu apartamento. a investigação inicia por um detetive veterano e seu jovem auxiliar, que veem-se em um difícil caso mas percebem que alguns dos envolvidos fazem parte de algum golpe escuso que posteriormente levará ao esclarecimento dos fatos.
Um crime, policiais ávidos por desvendar um assassinato, suspeitos com reputação duvidosa, tudo permeia a trama e compõe o clima tão conhecido e apreciado do filme noir.
Os investigadores Jimmy Halloran (Don Taylor) e o veterano Dan Muldoon (Barry Fitzgerald)
Mas a temática, antes de tudo, trata-se de um filme que fala da cidade, uma cidade imensa, quente, em plena atividade, onde um crime por certo tempo torna-se a discussão do momento e primeira página nos jornais que circulam entre a população que, muito cedo, já estão caminhando para o trabalho, em ritmo acelerado como ocorre nas grandes cidades. Ao retornarem, com fome e cansados, amontoam-se no transporte, e a discussão do assassinato do momento parece uma boa distração até que o trajeto termine. E então, o caso é desvendado, e a bela mulher assassinada é descartada junto ao lixo, aguardando um novo dia e, quem sabe, uma nova "distração" efêmera para a população.
The Naked City é o retrato da vida urbana, do clima caótico em meio a prédios, trânsito e pessoas em grande quantidade vivendo em ritmo alucinado, onde os detalhes ou mesmo um fato de tamanha crueldade como um assassinato, é explorado pela mídia e absorvido pela população com certa distância, mais como um espetáculo que a reflexão sobre o fato em si, e tamanha é sua efemeridade, que uma vez fora das primeiras páginas dos jornais, o fato cai no esquecimento, a espera da próxima novidade que possa surgir, substituindo a anterior.
Reflexões a parte, trata-se de um grande filme que deve ser apreciado por todos os cinéfilos e apreciadores do noir. As várias tomadas em Nova York são impressionantes e muitas delas foram feitas em vans, em especial quando em cenas em meio a pessoas comuns, para que estas não percebessem que tratava-se de uma filmagem, permitindo um maior realismo nas cenas por parte dos atores em meio a população. Observem as tomadas amplas e os ângulos não convencionais na bela fotografia que premiou com o Oscar William Daniels.
No YouTube, o filme está disponível em 10 partes e boa qualidade. Aproveite, ou vá a uma boa locadora e assista a esse grande filme.
domingo, 13 de março de 2011
Pulp Magazines - influência da literatura no cinema Noir
Um dos traços do filme Noir onde predominam os detetives destemidos, que buscam desvendar enigmas a respeito de misteriosos e intrincados crimes, vem da influência da literatura popular, conhecidas como Pulp Magazines.
As Pulp Magazines (1896 a 1950), publicações baratas de ficção policial que originaram a escola hard boiled com histórias de detetives, levaram o protagonista a apresentar-se no Noir, na maioria das vezes, como o anti- herói com vícios e linguagem rude, envolvido em trama confusa e personagens duvidosos. As obras naturalistas contribuiram ainda para uma prosa cortante e diálogos mordazes, criando o estereótipo do detetive durão que vemos na maioria dos filmes do gênero.
Sucessoras das chamadas Dime Novels (romances baratos do século 19), as Pulp Magazines surgem como alternativa de publicações baratas para as massas de operários e imigrantes dos Estados Unidos na primeira metade do século 20, preenchendo a necessidade do escape da realidade, já que seu auge deu-se de 1920 a 1950, período em que a sociedade vive a Grande Depressão além de duas guerras mundiais.
O nome Pulp deve-se a impressão em papel de polpa, de baixa qualidade e consequentemente muito barato, o que permitia a impressão em grande quantidade, à venda entre $10 a $25 cents cada.
As capas apresentavam desenhos atraentes, exóticos ou sensacionalistas, apresentando mulheres
fatais ou em perigo, detetives em ação, cenas aterrorizantes ou criaturas fantásticas.
As histórias continham enredos simples para leitura fácil, com temas de mistério, detetives, espionagem, crime, ficção científica, aventura, romance, terror, até o western e a aviação, este relacionado com os tempos da 1a Guerra.
Com temas de detetives e mistério, que influenciaram posteriormente o gênero Noir, sem dúvida a revista mais lembrada e mencionada é The Black Mask, com temas de ficção e mistério, além das também muito lidas como Detective Story Magazine, New York Stories, All Detective Magazine, Mystery Stories, Spy Novels Magazine, Detective Fiction Weekly, Trilling Detective, entre outras.
A mulher, que no Noir refere-se em especial à Femme fatale, aparece constantemente como tema das Pulp magazines, inicialmente como companheiras dos protagonistas e posteriormente (por volta de 1934) como amantes de homens casados, figuras sensuais que atraem homens que lhes despertam desejo sexual. Em boa parte das publicações vemos mulheres sensuais em perigo ou armadas para cometer crimes ou defender-se.
A figura masculina, entre as décadas de 20 e 30 - quando a polícia não era tão eficaz na solução do crime organizado - aparece como o herói destemido e generoso que auxiliava na luta contra o crime, bom exemplo para lembrarmos dos super-heróis dos quadrinhos, presentes até os dias de hoje, com o mesmo tipo de atuação.
Na década de 30 ocorre uma explosão dessas revistas, onde veremos uma maior presença dos detetives como protagonistas, estes muito influenciados por escritores que destacaram-se neste tipo de literatura como Dashiell Hammett, Raymond Chandler e James M. Cain, entre outros que iniciaram suas carreiras pelas Pulp.
Na década de 40, com a Segunda Guerra que traz a necessidade ainda maior de evasão da realidade e as restrições econômicas que limitam os recursos disponíveis, as Pulp Magazines entram em declínio com redução da circulação de diversos títulos, uma vez que mesmo sendo de baixo custo, a compra encontra-se reduzida. No pós-guerra seu declínio intensifica-se, em especial com a chegada do meio televisivo como entretenimento.
Somente entre as décadas de 80 e 90 ressurgiu o interesse por tais publicações, tornando-se um objeto de desejo para diversos colecionadores.
Hoje vivemos um revival pulp fiction, onde novos fãs aderem a leitura, o que provocou o resgate de livros, revistas e réplicas das antigas revistas, revisitadas inclusive por editoras dedicadas ao gênero como Adventure House, Girasol Collectables e Wildside.
Há diversos sites oferecendo publicações do gênero, onde o leitor poderá conhecer as capas que mencionamos ou mesmo adquirir algumas edições. Encontrei um link disponível no Picasa com diversas capas e gêneros das Pulp Magazines:
https://picasaweb.google.com/pulpgallery
Para saber mais, indico os links do Wikipedia : http://en.wikipedia.org/wiki/Pulp_magazine.
Outro material notável, que muito contribuiu em informação para este post é o trabalho de Anabela Mateus - Professora da Universidade Lusófona, com sua matéria para a Babilónia, Revista Lusófona de Línguas, Cultura e Tradução, nº 5, de 2007, disponível no link: http://redalyc.uaemex.mx/pdf/561/56100503.pdf.
sábado, 12 de março de 2011
D.O.A. (Com as horas contadas - 1950)
D.O.A. (1950)
83 min - EUA
Drama | Film-Noir | Mistério
Rudolph Maté
Olá, caro leitor. Após um tempo ausente e, contrariando o padrão de escrever sobre um filme e então apresentar os cartazes da obra, volto para falar do filme Com as horas contadas, de curta duração para nossos padrões atuais mas intrigante e dinâmico, permitindo uma experiência de qualidade do gênero que temos como tema neste blog.
Eis que o contador Frank Bigelow, um californiano que resolve tirar uns dias de folga em San Francisco, ao aproveitar a noite em um clube de jazz com um grupo que conhece no hotel onde encontra-se hospedado, tem sua bebida trocada contendo uma "toxina luminosa" e veneno fatal.
Ciente da morte iminente, sai em uma busca alucinada por desvendar o enigma de seu envenenamento e a morte de um empresário morto logo após a tentativa de contatá-lo.
O filme possui amplas cenas nas ruas de San Francisco e Los Angeles. O clima tenso intensifica-se a cada descoberta do protagonista, além da ansiedade constante pelo tempo de vida que se esvai. Cenas noturnas e diurnas estão presentes neste filme, não diminuindo o suspense da trama, e a violência é outro elemento frequente, demonstrando que Bigelow está cada vez mais perto em descobrir os fatos.
Todos os acontecimentos são descritos em flashback, pois Frank inicia em um departamento de polícia onde descreve seu assassinato. Atenção desde a aparição dos letreiros junto a sequência onde Frank Bigelow segue pelos corredores até a sala do oficial que o ouvirá até o momento fatal. A tensão apresenta-se desde então.
Vale lembrar que entre os arquétipos presentes no Noir (o perseguido, a femme fatale e o que procura a verdade), Bigelow representa o terceiro arquétipo, pois em momento algum busca ajuda mas aproveita o tempo que lhe resta para descobrir a verdade. Ele é o homem comum que desenganado dos médicos, não volta correndo para os braços da noiva Paula que o espera na Califórnia ou decide aproveitar seus últimos momentos em algo desejável. Ele busca freneticamente cada detalhe e o que o levou a um destino fatal.
Para quem quer saber o que significa a sigla D.O.A., nome do filme original, segundo a Wikipedia, trata-se do carimbo sobre o dossiê do caso, encerrado devido à morte da testemunha. Seria algo como "morto ao chegar", e ao que parece, o caso será arquivado como se não houvesse algo a ser investigado.
Não encontrei o filme em lugar algum a não ser na íntegra no YouTube, como segue abaixo. Mais um momento pipoca incrível pra você aproveitar. Bom filme.
83 min - EUA
Drama | Film-Noir | Mistério
Rudolph Maté
Olá, caro leitor. Após um tempo ausente e, contrariando o padrão de escrever sobre um filme e então apresentar os cartazes da obra, volto para falar do filme Com as horas contadas, de curta duração para nossos padrões atuais mas intrigante e dinâmico, permitindo uma experiência de qualidade do gênero que temos como tema neste blog.
Eis que o contador Frank Bigelow, um californiano que resolve tirar uns dias de folga em San Francisco, ao aproveitar a noite em um clube de jazz com um grupo que conhece no hotel onde encontra-se hospedado, tem sua bebida trocada contendo uma "toxina luminosa" e veneno fatal.
Ciente da morte iminente, sai em uma busca alucinada por desvendar o enigma de seu envenenamento e a morte de um empresário morto logo após a tentativa de contatá-lo.
O filme possui amplas cenas nas ruas de San Francisco e Los Angeles. O clima tenso intensifica-se a cada descoberta do protagonista, além da ansiedade constante pelo tempo de vida que se esvai. Cenas noturnas e diurnas estão presentes neste filme, não diminuindo o suspense da trama, e a violência é outro elemento frequente, demonstrando que Bigelow está cada vez mais perto em descobrir os fatos.
Todos os acontecimentos são descritos em flashback, pois Frank inicia em um departamento de polícia onde descreve seu assassinato. Atenção desde a aparição dos letreiros junto a sequência onde Frank Bigelow segue pelos corredores até a sala do oficial que o ouvirá até o momento fatal. A tensão apresenta-se desde então.
Vale lembrar que entre os arquétipos presentes no Noir (o perseguido, a femme fatale e o que procura a verdade), Bigelow representa o terceiro arquétipo, pois em momento algum busca ajuda mas aproveita o tempo que lhe resta para descobrir a verdade. Ele é o homem comum que desenganado dos médicos, não volta correndo para os braços da noiva Paula que o espera na Califórnia ou decide aproveitar seus últimos momentos em algo desejável. Ele busca freneticamente cada detalhe e o que o levou a um destino fatal.
Para quem quer saber o que significa a sigla D.O.A., nome do filme original, segundo a Wikipedia, trata-se do carimbo sobre o dossiê do caso, encerrado devido à morte da testemunha. Seria algo como "morto ao chegar", e ao que parece, o caso será arquivado como se não houvesse algo a ser investigado.
Não encontrei o filme em lugar algum a não ser na íntegra no YouTube, como segue abaixo. Mais um momento pipoca incrível pra você aproveitar. Bom filme.
terça-feira, 8 de março de 2011
segunda-feira, 7 de março de 2011
Cartazes - Crepúsculo dos Deuses (Sunset Boulevard - 1950)
Este é um dos posts com cartazes os mais variados e de alguns países diferentes.
O interessante é o design que mostra acima de tudo o aprisionamento, em especial
por meio do filme atado em um nó que retrata Norma Desmond em seu aprisionamento no passado. A protagonista aparece ainda sempre um plano acima dos demais atores, demonstrando a obscessão e ameaça que a mesma representa. Lembrou-me o cartaz e algumas cenas de Attack of the 50FT. Woman, a posição da mulher rejeitada que não aceita a situação e destrói aquele que a abandona.
O interessante é o design que mostra acima de tudo o aprisionamento, em especial
por meio do filme atado em um nó que retrata Norma Desmond em seu aprisionamento no passado. A protagonista aparece ainda sempre um plano acima dos demais atores, demonstrando a obscessão e ameaça que a mesma representa. Lembrou-me o cartaz e algumas cenas de Attack of the 50FT. Woman, a posição da mulher rejeitada que não aceita a situação e destrói aquele que a abandona.
Sunset Boulevard - análise do filme
Uma análise detalhada e muito interessante sobre a filmagem de Crepúsculo dos Deuses.
Por Ed Sikov, que analisa o trabalho de Billy Wilder, Nancy Olson e o crítico de cinema Andrew Sarris. Em inglês.
Por Ed Sikov, que analisa o trabalho de Billy Wilder, Nancy Olson e o crítico de cinema Andrew Sarris. Em inglês.
Crepúsculo dos Deuses (Sunset Boulevard)
Crepúsculo dos Deuses
Sunset Boulevard, 1950
EUA
110 minutos
Billy Wilder
Um corpo masculino boiando na piscina de uma mansão na Sunset Boulevard inicia Crepúsculo dos Deuses, contando em retrospectiva a trama deste filme que fala dedecadência, obscessão e loucura.
Norma Desmond (Glória Swanson), ex-estrela de filmes mudos, vive solitária com seu fiel empregado em uma mansão na Sunset Boulevard. Quando conhece um fracassado roteirista - Joe Gilis - decide mostrar-lhe o roteiro de Salomé que pretende atuar no papel principal sob direção de Cecil B. DeMille. Este aceita o trabalho mas vê-se preso ao local e a contratante, numa situação angustiante onde a ambição e a obscessão levam a um desfecho fatal.
Além do trabalho magnífico de arte, da música que intensifica o clima tenso que prenuncia um final fatalista, este trabalho do diretor Billy Wilder busca demonstrar o descaso de Hollywood pelas estrelas dos filmes mudos que vêem-se em decadência e sem emprego, vivendo à margem dos áureos anos em que eram aclamados pelos estúdios e os fãs.
Norma é a imagem da atriz egocêntrica que não aceita o fim da carreira e acredita em sua retomada com um novo sucesso, mas a sequência de rejeições culminam na loucura e permanência no passado glamouroso, na cena final dirigida brilhantemente por Wilder.
No YouTube, o filme está dividido em 8 partes e você poderá assistir na íntegra.
Revista Universitária - Filme Noir
http://www.ufscar.br/rua/site/?p=3358
Link interessante da Rua, Revista Universitária de Audiovisual com matéria sobre o Filme Noir.
Abrange vários detalhes sobre as características do gênero, além de diretores, atores e atrizes de destaque, como os pares Fred MacMurray e Barbara Stanwyck (Double Indemnity) e Glenn Ford e Rita Hayworth (Gilda).
Link interessante da Rua, Revista Universitária de Audiovisual com matéria sobre o Filme Noir.
Abrange vários detalhes sobre as características do gênero, além de diretores, atores e atrizes de destaque, como os pares Fred MacMurray e Barbara Stanwyck (Double Indemnity) e Glenn Ford e Rita Hayworth (Gilda).
domingo, 6 de março de 2011
Experimento: Locução
Uma das características marcantes no filme noir é a chamada voz off, que muitas vezes inicia ou permanece em todo o filme com a narrativa sobre a sequência dos fatos, sendo o protagonista muitas vezes quem fala com o espectador.
Baseado no texto do diretor de fotografia John Alton - publicado no blog com o título Filme Noir como experimentação - surgiu a ideia de escrever um texto e o amigo e profissional de audiovisual Emerson Cavalieri cedeu gentilmente a voz para um exercício de locução na voz off.
Ouçam o resultado:
Aqui, o texto na íntegra, escrito no metrô e baseado em minha experiência no processo de construção do trabalho final de pós-graduação.
Descobri que o experimento, sem a espera de algo definitivo e perfeito, nos permite o exercício de ideias para em algum momento gerar algo interessante, tal como os profissionais que prezaram pela liberdade no exercício das técnicas e estilos tendo como resultado nada menos que o Noir.
16 de janeiro. Desperto de sobressalto. O relógio marca 4 da madrugada.
Um suor frio corre pela nuca e os pensamentos invadem a mente, desconexos,
atormentados.
Viro-me para o lado tentando relaxar, mas em vão. Os projetos inacabados e a incerteza
do sucesso tiram-me o sossego.
Ah, maldito inverno de 2009, naquela manhã em que meus olhos percorreram aquela
página na internet e encheu-me da pretensa esperança de entender os filósofos ou os
caminhos do design. O impulso deu de ombros à voz em minha mente prenunciando
um futuro sem esperanças.....
Porém minhas divagações cessam ao som cortante de uma porta se abrindo, gelando-me os ossos.
Ouço passos em minha direção. Mantenho-me imóvel, estarrecido pelo medo.
Uma sombra se avoluma, iluminada pelas frestas da janela do quarto ao lado.
Deixo escapar quase um gemido, aguardando petrificado o perigo iminente.
“Tive sede. Fique tranquilo, volte a dormir”, diz minha esposa retornando da cozinha,
com seu perfume que até então não pude sentir.
Baseado no texto do diretor de fotografia John Alton - publicado no blog com o título Filme Noir como experimentação - surgiu a ideia de escrever um texto e o amigo e profissional de audiovisual Emerson Cavalieri cedeu gentilmente a voz para um exercício de locução na voz off.
Ouçam o resultado:
Aqui, o texto na íntegra, escrito no metrô e baseado em minha experiência no processo de construção do trabalho final de pós-graduação.
Descobri que o experimento, sem a espera de algo definitivo e perfeito, nos permite o exercício de ideias para em algum momento gerar algo interessante, tal como os profissionais que prezaram pela liberdade no exercício das técnicas e estilos tendo como resultado nada menos que o Noir.
16 de janeiro. Desperto de sobressalto. O relógio marca 4 da madrugada.
Um suor frio corre pela nuca e os pensamentos invadem a mente, desconexos,
atormentados.
Viro-me para o lado tentando relaxar, mas em vão. Os projetos inacabados e a incerteza
do sucesso tiram-me o sossego.
Ah, maldito inverno de 2009, naquela manhã em que meus olhos percorreram aquela
página na internet e encheu-me da pretensa esperança de entender os filósofos ou os
caminhos do design. O impulso deu de ombros à voz em minha mente prenunciando
um futuro sem esperanças.....
Porém minhas divagações cessam ao som cortante de uma porta se abrindo, gelando-me os ossos.
Ouço passos em minha direção. Mantenho-me imóvel, estarrecido pelo medo.
Uma sombra se avoluma, iluminada pelas frestas da janela do quarto ao lado.
Deixo escapar quase um gemido, aguardando petrificado o perigo iminente.
“Tive sede. Fique tranquilo, volte a dormir”, diz minha esposa retornando da cozinha,
com seu perfume que até então não pude sentir.
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