Experimento Noir é um espaço de troca de experiências e experimentos que bebam da fonte do gênero noir.
Participe para saber mais e envie a sua colaboração. Após análise, publico com crédito do experimentador.
sábado, 23 de julho de 2011
James Elroy, o mestre das histórias de crimes
Antes de falar propriamente do filme Dália Negra, que no post anterior iniciei com seus belos cartazes, quero comentar que já havia assistido ao filme e voltou à lembrança no momento que vi uma reportagem falando do escritor James Elroy que participou este ano da FLIP, o que causou-me curiosidade para conhecer este renomado escritor criminal, considerado o mestre em ficção noir, autor de várias obras como a bem conhecida e que tornou-se adaptação para o cinema L.A. Confidential.
Gostaria então de deixar aqui um breve comentário sobre o escritor para nos situarmos em mais esse mundo literário de crime e suspense que influencia e enriquece as adaptações cinematográficas.
A herança de James que o faria a dedicar-se a literatura criminal vem de sua própria experiência quando do assassinato não solucionado de sua mãe quando criança. Esse acontecimento é o grande propulsor de um trabalho audacioso sobre o lado negro da humanidade, além de afetar sua vida, deixando-se envolver em bebidas, drogas e atos delinquentes.
Ávido leitor de romances policiais, ficou fascinado pelo assassinato e mutilação de Elizabeth Short (a Dália Negra), incentivando-o a escrever sua versão a respeito que tornou-se um de seus maiores best-sellers.
Como romancista, roteirista, ensaísta e memorialista, James Ellroy é mais estreitamente identificado com Los Angeles do que qualquer escritor desde Raymond Chandler, onde seus quatro romances policiais The Black Dahlia, The Big Nowhere, LA Confidential e White Jazz parecem descrever a face negra da Los Angeles dos anos 50.
Para mais informações, James Elroy possui um site sobre vida e obra:
http://jamesellroy.net/
E para quem quer conhecer comentários sobre sua estada na FLIP deste ano, seguem alguns links:
http://www.flip.org.br/noticias.php?id=623
http://entretenimento.uol.com.br/ultnot/livros/resenhas/convidado-da-flip-james-ellroy-da-status-de-alta-literatura-a-romance-policial.jhtm
domingo, 17 de julho de 2011
Chinatown - 1974
Chinatown (1974)
130 min - USA
Crime | Drama | Mystery
Roman Polanski
http://www.imdb.com/title/tt0071315/
Roman Polanksi construiu uma obra-prima do cinema noir, mesmo que rodado em cores, ao contrário do preto e branco em alto contraste que caracteriza em geral a fotografia do gênero. Na Los Angeles de 1937, Jack Nicholson é o detetive JJ Gittes, contratado por uma mulher (DianeLadd) que finge ser a mulher que pretende espionar o marido e descobrir seu suposto adultério.
Na verdade, trata-se de uma espécie de engenheiro responsável pelo sistema de abastecimento de águas que em seguida é encontrado morto (um homem por sinal acima de suspeitas de casos extra-conjugais, o que será concluído no decorrer das investigações), e na investigação de adultério que se dilui ao surgir a verdadeira esposa Evelyn (Faye Dunaway), Gittes percebe que foi enganado, vendo-se mergulhado em meio a mentiras, assassinato, segredos familiares e corrupção que o farão desse ponto em diante viver situações constantes de mistério e perigo até desvendar a trama, tudo revelado em uma noite na cidade que intitula o filme.
Seu envolvimento leva-o a ser atacado por gângsters e, após manter um romance com Evelyn, descobre que ela é filha de Noah Cross (o grande John Huston), um dos homens mais poderosos da cidade, que será um suspeito de interesses pelas terras onde encontra-se o reservatório, além de ser responsável por um mistério familiar que será revelado ao final da trama.
Chinatown é considerado um neo-noir policial psicológico, famoso por suas performances estilizadas, direção artística e técnica narrativa, revivendo a época do drama criminal na Los Angeles antes da Segunda Guerra e ainda durante a chamada Guerra da Água da Califórnia, entre Los Angeles e o Vale do Rio Owens (daí a abordagem relativa aos interesses escusos que circundam o assassinato de um especialista em sistemas de abastecimento de águas e os ataques de gângsters e demais personagens corruptos que querem dominar a posse do poderoso produto em uma época com sérios problemas de distribuição de água).
A velocidade com que os fatos se desdobram diante do espectador é estonteante, prendendo a atenção para o que está por vir. Chinatown é um baile de máscaras, onde as coisas nunca são o que aparentam ser.
Vários elementos do Noir Clássico apresentam-se neste filme, com personagens ambíguos como o anti-herói na figura do detetive que revela claramente a conduta duvidosa (este por sinal, um detetive bem-sucedido que deixa a polícia para dedicar-se a casos em geral de adultério), sendo tratado de forma agressiva pelos chamados homens da lei, estes refletindo a hipocrisia social devido a corrupção que mostra-se entre profissionais da classe. E como não poderia faltar, a femme fatale, na pele da mulher que inicialmente engana Gitts ou a personagem dissimulada que o seduz e tenta não revelar-lhe seu segredo quase até o último momento. E o duro final trágico, onde os poderosos mais uma vez ganham e nada se pode fazer para mudar o curso dos fatos.
Vencedor do Oscar® da Academia e do prêmio BAFTA de Melhor Roteiro Original, este filme teve 11 indicações pela Academia®, em todas as categorias importantes (incluindo Melhor Filme, Ator e Diretor). Chinatown é um marco na tradição do clássico film noir, garantindo seu lugar fundamental na coleção de todo aficionado do gênero.
Combinação engenhosa de mistério, suspense e romance, Roman Polanski conseguiu como resultado um puro e duro noir, com belas atuações que vão agradar os fãs do estilo.
130 min - USA
Crime | Drama | Mystery
Roman Polanski
http://www.imdb.com/title/tt0071315/
Roman Polanksi construiu uma obra-prima do cinema noir, mesmo que rodado em cores, ao contrário do preto e branco em alto contraste que caracteriza em geral a fotografia do gênero. Na Los Angeles de 1937, Jack Nicholson é o detetive JJ Gittes, contratado por uma mulher (DianeLadd) que finge ser a mulher que pretende espionar o marido e descobrir seu suposto adultério.
Na verdade, trata-se de uma espécie de engenheiro responsável pelo sistema de abastecimento de águas que em seguida é encontrado morto (um homem por sinal acima de suspeitas de casos extra-conjugais, o que será concluído no decorrer das investigações), e na investigação de adultério que se dilui ao surgir a verdadeira esposa Evelyn (Faye Dunaway), Gittes percebe que foi enganado, vendo-se mergulhado em meio a mentiras, assassinato, segredos familiares e corrupção que o farão desse ponto em diante viver situações constantes de mistério e perigo até desvendar a trama, tudo revelado em uma noite na cidade que intitula o filme.
Seu envolvimento leva-o a ser atacado por gângsters e, após manter um romance com Evelyn, descobre que ela é filha de Noah Cross (o grande John Huston), um dos homens mais poderosos da cidade, que será um suspeito de interesses pelas terras onde encontra-se o reservatório, além de ser responsável por um mistério familiar que será revelado ao final da trama.
Chinatown é considerado um neo-noir policial psicológico, famoso por suas performances estilizadas, direção artística e técnica narrativa, revivendo a época do drama criminal na Los Angeles antes da Segunda Guerra e ainda durante a chamada Guerra da Água da Califórnia, entre Los Angeles e o Vale do Rio Owens (daí a abordagem relativa aos interesses escusos que circundam o assassinato de um especialista em sistemas de abastecimento de águas e os ataques de gângsters e demais personagens corruptos que querem dominar a posse do poderoso produto em uma época com sérios problemas de distribuição de água).
A velocidade com que os fatos se desdobram diante do espectador é estonteante, prendendo a atenção para o que está por vir. Chinatown é um baile de máscaras, onde as coisas nunca são o que aparentam ser.
Vários elementos do Noir Clássico apresentam-se neste filme, com personagens ambíguos como o anti-herói na figura do detetive que revela claramente a conduta duvidosa (este por sinal, um detetive bem-sucedido que deixa a polícia para dedicar-se a casos em geral de adultério), sendo tratado de forma agressiva pelos chamados homens da lei, estes refletindo a hipocrisia social devido a corrupção que mostra-se entre profissionais da classe. E como não poderia faltar, a femme fatale, na pele da mulher que inicialmente engana Gitts ou a personagem dissimulada que o seduz e tenta não revelar-lhe seu segredo quase até o último momento. E o duro final trágico, onde os poderosos mais uma vez ganham e nada se pode fazer para mudar o curso dos fatos.
Vencedor do Oscar® da Academia e do prêmio BAFTA de Melhor Roteiro Original, este filme teve 11 indicações pela Academia®, em todas as categorias importantes (incluindo Melhor Filme, Ator e Diretor). Chinatown é um marco na tradição do clássico film noir, garantindo seu lugar fundamental na coleção de todo aficionado do gênero.
Combinação engenhosa de mistério, suspense e romance, Roman Polanski conseguiu como resultado um puro e duro noir, com belas atuações que vão agradar os fãs do estilo.
Cartazes Chinatown - 1974
Um detetive de aparência e discuso grosseiro, um mistério a ser desvendado. Um clássico de Polanski com brilhante atuação de Jack Nicholson e Faye Dunaway.
Sempre gostei desse clássico e conhecido cartaz onde a fumaça do cigarro do detetive circunda o rosto da personagem de Faye, formando uma moldura ou simulando seus cabelos e o mistério em torno dos personagens a ser desvendado.
Sempre gostei desse clássico e conhecido cartaz onde a fumaça do cigarro do detetive circunda o rosto da personagem de Faye, formando uma moldura ou simulando seus cabelos e o mistério em torno dos personagens a ser desvendado.
terça-feira, 12 de julho de 2011
Publicações sobre os filmes Noir
Algumas dicas de publicações para os estudiosos do filme Noir:
Film Noir - An Encyclopedic Reference to the American Style
Third Edition
Alain Silver and Elizabeth Ward
English - 479 pags.
Overlook TP
U$80.
http://www.amazon.com/Film-Noir-Encyclopedic-Reference-American/dp/0879514795
Guia completo do filme Noir de 1930 a 1970 com comentários técnicos e críticos.
Explora o conteúdo dos filmes, como a moralidade abalada ou arruinada, discute a técnica fotográfica, as histórias subversivas, enfim, o vasto mundo com características marcantes do gênero.
The Noir Style
Alain Silver and James Ursini
English - 248 pags
Duckworth & Co
1 new from $306.09 4 used from $75.00
http://www.amazon.com/Noir-Style-Alain-Silver/dp/0715632655/ref=sr_1_1?s=books&ie=UTF8&qid=1310519372&sr=1-1
Alain Silver volta a atacar participando de mais uma publicação, enfatiza a fotografia em preto e branco, tal como apresentado logo na capa com Rita Hayworth protagonizando da famosa Gilda.
Film Noir Reader (4 volumes)
Alain Silver, James Ursini
English
http://www.amazon.com/Film-Noir-Reader-Alain-Silver/dp/0879101970/ref=sr_1_2?s=books&ie=UTF8&qid=1310519771&sr=1-2
Preços que variam de U$16 a U$22.
Quatro ensaios sobre o Noir, com entrevistas com os melhores diretores do gênero e informações gerais sobre os filmes, e as capas são produzidas com detalhes de filmes como The Big Combo e Double Indemnity.
Film Noir - An Encyclopedic Reference to the American Style
Third Edition
Alain Silver and Elizabeth Ward
English - 479 pags.
Overlook TP
U$80.
http://www.amazon.com/Film-Noir-Encyclopedic-Reference-American/dp/0879514795
Guia completo do filme Noir de 1930 a 1970 com comentários técnicos e críticos.
Explora o conteúdo dos filmes, como a moralidade abalada ou arruinada, discute a técnica fotográfica, as histórias subversivas, enfim, o vasto mundo com características marcantes do gênero.
The Noir Style
Alain Silver and James Ursini
English - 248 pags
Duckworth & Co
1 new from $306.09 4 used from $75.00
http://www.amazon.com/Noir-Style-Alain-Silver/dp/0715632655/ref=sr_1_1?s=books&ie=UTF8&qid=1310519372&sr=1-1
Alain Silver volta a atacar participando de mais uma publicação, enfatiza a fotografia em preto e branco, tal como apresentado logo na capa com Rita Hayworth protagonizando da famosa Gilda.
Film Noir Reader (4 volumes)
Alain Silver, James Ursini
English
http://www.amazon.com/Film-Noir-Reader-Alain-Silver/dp/0879101970/ref=sr_1_2?s=books&ie=UTF8&qid=1310519771&sr=1-2
Preços que variam de U$16 a U$22.
Quatro ensaios sobre o Noir, com entrevistas com os melhores diretores do gênero e informações gerais sobre os filmes, e as capas são produzidas com detalhes de filmes como The Big Combo e Double Indemnity.
sábado, 9 de julho de 2011
Reconstruction - (Reconstrução de um amor) - 2003
Reconstruction (Reconstrução de um amor)
91 min - 2003
Dinamarca
Drama | Romance
Christoffer Boe
http://www.imdb.com/title/tt0366943/
"Um homem entra em um bar. Ele vê uma bela mulher. Eles se conhecem?...É um começo ou um fim? É o que veremos."
"É tudo um filme. É tudo uma construção."
A voz off inicia o filme narrando o fato e o que está por vir, enquanto a cena se desenrola entre os personagens.
Pesquisando na internet, vi o comentário sobre o dinamarquês Reconstruction como um Noir sobre o amor. Fui checar e diria que trata-se de um romance meio dramático, com uma boa dose de paranoia em meio a muita fumaça de cigarro além de diversas e belas cenas noturnas descrevendo um encontro amoroso com uma pitada de descompasso em relação ao rapaz onde, às vezes, parece que ele já não tem certeza sobre a realidade ou o caminho a seguir.
A sinopse que encontrei a respeito:
"Fim de uma noite, Alex, de repente abandona sua namorada, Simone, para seguir a bela Aimee. Em seu encontro, hora e local dissolvem-se, tornando-se um estranho para Simone, para quem não pode retornar. O futuro de Alex é o amor de Aimée. Mas ele vai ter a coragem de assumí-la? Um drama psicológico romântico, sobre um homem, que esquece seu passado e deve colocar sua fé no amor, a fim de obter um futuro." (imdb).
Eu diria que o filme vai além disso. De fato, inicialmente tudo nos leva a crer que o personagem Alex abandona sua namorada pela bela Aimee, cego pela bela mulher (a femme fatale?) e sua paixão. Porém com o desenrolar da trama, e os acontecimentos inusitados - como quando ele retorna para casa a fim de pegar suas coisas para partir com a amada, seu apartamento parece nunca ter existido nem as pessoas que faziam parte de sua vida parecem conhecê-lo, criando um desnorteamento e vertigem que o faz perder a noção dos fatos - a segunda frase da voz off no início do filme ganha todo o sentido quanto a intenção do filme.
Aimee é casada com um escritor que está escrevendo um romance, e em certo tempo do filme realidade e ficção parece confundir-se, deixando a incerteza para o espectador se o relacionamento amoroso ocorre ou se não passa de palavras descritas e personagens surgindo de sua imaginação. Inclusive, em certa cena Aimee está a beira de separar-se do escritor por Alex, mas ainda assim um rastro de dúvida paira no ar pelas cenas que seguem.
Certo é dizer que as cenas são belas, o jogo de palavras entre os amantes como se não se conhecessem mas que então resulta em um encontro em que se entregam à paixão é muito bem trabalhado, e a paranoia desconcertante quanto a realidade ou imaginação do rapaz tornam filme interessante e atrativo.
Mesmo a questão entre a namorada Simone e Aimee, vemos que a personagem é a mesma atriz em 2 versões, o que nos remete ainda a pensar se não se trata de uma paranoia na cabeça de Alex que busca por uma mulher com características diferentes ainda que não seja capaz de manter nenhuma delas por muito tempo perto de si.
De noir podemos encontrar vestígios pela introdução em voz off, as cenas noturnas em bares cheios de fumaça que remetem à sedução entre os amantes, e a fase da paranoia que desconcerta personagem e espectador.
Recomendo assistirem pela qualidade do filme cheio de símbolos que nos remetem a situações e sensações inesperadas da vida, tal como a cena em que os amantes veem-se pela primeira vez no metrô e um "malabarista" de cigarro parece fazê-lo levitar trazendo-o depois de volta à boca. De repente estamos no controle, de repente somos levados pelos acontecimentos, talvez seja essa uma das intenções do filme.
Encontrei na Wikipedia informações que falam sobre a intenção do filme pelo diretor Christoffer Boe, que disse que "o filme foi inspirado pela fotografia de Jacques-Henri Lartigue de uma mulher que estava em uma sala com estantes vazias. "Olhando para essa imagem, eu imediatamente senti que eu queria fazer uma história sobre um homem que chega em casa e seu apartamento desapareceu. E eu sabia que tinha que ser uma história de amor".
Christoffer parece ainda enfatizar o enredo artificial e construído pelo não uso de celulares ou tecnologia atual, ainda que os fatos ocorram nos tempos de hoje.
O filme parece tratar-se de um experimento inspirado em uma obra, que resultou em uma interessante e com pitadas encantadoras de diversão cinematografica. O drama intensifica-se a cada momento, e ao final parece terminar como um fato corrente em nossos dias, sem grandes danos para quaisquer dos personagens.
91 min - 2003
Dinamarca
Drama | Romance
Christoffer Boe
http://www.imdb.com/title/tt0366943/
"Um homem entra em um bar. Ele vê uma bela mulher. Eles se conhecem?...É um começo ou um fim? É o que veremos."
"É tudo um filme. É tudo uma construção."
A voz off inicia o filme narrando o fato e o que está por vir, enquanto a cena se desenrola entre os personagens.
Pesquisando na internet, vi o comentário sobre o dinamarquês Reconstruction como um Noir sobre o amor. Fui checar e diria que trata-se de um romance meio dramático, com uma boa dose de paranoia em meio a muita fumaça de cigarro além de diversas e belas cenas noturnas descrevendo um encontro amoroso com uma pitada de descompasso em relação ao rapaz onde, às vezes, parece que ele já não tem certeza sobre a realidade ou o caminho a seguir.
A sinopse que encontrei a respeito:
"Fim de uma noite, Alex, de repente abandona sua namorada, Simone, para seguir a bela Aimee. Em seu encontro, hora e local dissolvem-se, tornando-se um estranho para Simone, para quem não pode retornar. O futuro de Alex é o amor de Aimée. Mas ele vai ter a coragem de assumí-la? Um drama psicológico romântico, sobre um homem, que esquece seu passado e deve colocar sua fé no amor, a fim de obter um futuro." (imdb).
Eu diria que o filme vai além disso. De fato, inicialmente tudo nos leva a crer que o personagem Alex abandona sua namorada pela bela Aimee, cego pela bela mulher (a femme fatale?) e sua paixão. Porém com o desenrolar da trama, e os acontecimentos inusitados - como quando ele retorna para casa a fim de pegar suas coisas para partir com a amada, seu apartamento parece nunca ter existido nem as pessoas que faziam parte de sua vida parecem conhecê-lo, criando um desnorteamento e vertigem que o faz perder a noção dos fatos - a segunda frase da voz off no início do filme ganha todo o sentido quanto a intenção do filme.
Aimee é casada com um escritor que está escrevendo um romance, e em certo tempo do filme realidade e ficção parece confundir-se, deixando a incerteza para o espectador se o relacionamento amoroso ocorre ou se não passa de palavras descritas e personagens surgindo de sua imaginação. Inclusive, em certa cena Aimee está a beira de separar-se do escritor por Alex, mas ainda assim um rastro de dúvida paira no ar pelas cenas que seguem.
Certo é dizer que as cenas são belas, o jogo de palavras entre os amantes como se não se conhecessem mas que então resulta em um encontro em que se entregam à paixão é muito bem trabalhado, e a paranoia desconcertante quanto a realidade ou imaginação do rapaz tornam filme interessante e atrativo.
Mesmo a questão entre a namorada Simone e Aimee, vemos que a personagem é a mesma atriz em 2 versões, o que nos remete ainda a pensar se não se trata de uma paranoia na cabeça de Alex que busca por uma mulher com características diferentes ainda que não seja capaz de manter nenhuma delas por muito tempo perto de si.
De noir podemos encontrar vestígios pela introdução em voz off, as cenas noturnas em bares cheios de fumaça que remetem à sedução entre os amantes, e a fase da paranoia que desconcerta personagem e espectador.
Recomendo assistirem pela qualidade do filme cheio de símbolos que nos remetem a situações e sensações inesperadas da vida, tal como a cena em que os amantes veem-se pela primeira vez no metrô e um "malabarista" de cigarro parece fazê-lo levitar trazendo-o depois de volta à boca. De repente estamos no controle, de repente somos levados pelos acontecimentos, talvez seja essa uma das intenções do filme.
Encontrei na Wikipedia informações que falam sobre a intenção do filme pelo diretor Christoffer Boe, que disse que "o filme foi inspirado pela fotografia de Jacques-Henri Lartigue de uma mulher que estava em uma sala com estantes vazias. "Olhando para essa imagem, eu imediatamente senti que eu queria fazer uma história sobre um homem que chega em casa e seu apartamento desapareceu. E eu sabia que tinha que ser uma história de amor".
Christoffer parece ainda enfatizar o enredo artificial e construído pelo não uso de celulares ou tecnologia atual, ainda que os fatos ocorram nos tempos de hoje.
O filme parece tratar-se de um experimento inspirado em uma obra, que resultou em uma interessante e com pitadas encantadoras de diversão cinematografica. O drama intensifica-se a cada momento, e ao final parece terminar como um fato corrente em nossos dias, sem grandes danos para quaisquer dos personagens.
Reconstruction - (Reconstrução de um amor) - 2003
Belos cartazes retratando o amor entre os amantes, o primeiro em especial nos remete ao clima noir mais que todos.
Shutter Island (Ilha do Medo) - 2010
Shutter Island (Ilha do Medo)
138 min - 2010
USA
Drama | Mystery | Thriller
Martin Scorsese
http://www.imdb.com/title/tt1130884/
Este triller de Scorcese, que logo nos faz pensar quanto a um novo experimento do diretor, pois diferencia-se de projetos anteriores, envolve mistério e uma dose de "terror" psicológico, apresentando uma história de suspense com um final inesperado.
Da neblina surge a balsa que traz o detetive Teddy Daniels (Leonardo DiCaprio) e seu parceiro à Ilha do Medo. Estamos em 1954 (o auge da Guerra Fria) e Teddy é enviado à um hospital psiquiátrico em uma ilha para investigar o misterioso desaparecimento de uma paciente do quarto 69 (vale lembrar, o hospital encontra-se em uma ilha isolada, onde somente o Hospital possui estrutura em meio a uma região cercada pelo mar e rochas, e onde diabos essa paciente poderia ter se metido?).
Ao longo das investigações percebemos que há algo mais que um simples desaparecimento, como
a recusa do hospital em permitir o acesso a registros quando das primeiras pistas que Teddy tenciona seguir para desvendar o caso. Teddy começa a temer um complô no hospital, questionando os tratamentos dos pacientes e até se o isolamento do lugar não o condiciona a uma espécie de prisão de onde não se pode escapar.
Mas o mistério não para por aí. Teddy é um homem assombrado pela morte da esposa Dolores, e no desenrolar paranoico dos fatos ele tem flashs de lembranças que o atormentam, intensificando ainda mais o suspense, levando-o em certos momentos a quase identificar-se com a condição de enlouquecimento, tal como os pacientes do local.
Os detetives encontram-se envolvidos numa atmosfera misteriosa sugerindo que nada é o que parece… Um furacão aproxima-se da ilha, e à medida que a tempestade aumenta a intensidade, as suspeitas e os mistérios multiplicam-se, cada um mais terrível e tenebroso que o anterior. Há indicações e rumores de conspirações sombrias, experiências médicas questionáveis, alas secretas, controle mental e inclusive de algo sobrenatural. Movendo-se nas sombras do hospital, assombrado pelo clima instável e suspeito, Teddy começa a perceber que a investigação pode levá-lo ao confronto com profundos e devastadores medos que carrega, além da suspeita de que poderá não sair vivo daquela ilha.
O filme apresenta uma sucessão de novos personagens surgindo com novos fatos, sequências de diálogos que remetem aos dos filmes B, confundido o espectador e o emaranhando na trama, intensificando a tensão até o desfecho final, doses da técnica e experiência acumulada do famoso diretor.
Em relação ao Noir, podemos identificar o detetive com a já conhecida vestimenta do chapéu e longo casaco, o mistério obscurecido em meio a neblina a ser desvendado e cenas de suspense na quase escuridão que vai intensificando a paranoia, ponto que nos faz lembrar a terceira fase do estilo Noir, tal qual Paul Schrader classifica o gênero (leia post a respeito, intitulado "As três fases do Noir, segundo Paul Shrader").
Confesso que não morri de amores pelo filme, mas não deixa de oferecer um bom suspense, um jogo de câmera e acontecimentos que atordoam e nos faz querer acompanhar até o fim para descobrir o que está por trás de todo mistério que compõe a trama.
138 min - 2010
USA
Drama | Mystery | Thriller
Martin Scorsese
http://www.imdb.com/title/tt1130884/
Este triller de Scorcese, que logo nos faz pensar quanto a um novo experimento do diretor, pois diferencia-se de projetos anteriores, envolve mistério e uma dose de "terror" psicológico, apresentando uma história de suspense com um final inesperado.
Da neblina surge a balsa que traz o detetive Teddy Daniels (Leonardo DiCaprio) e seu parceiro à Ilha do Medo. Estamos em 1954 (o auge da Guerra Fria) e Teddy é enviado à um hospital psiquiátrico em uma ilha para investigar o misterioso desaparecimento de uma paciente do quarto 69 (vale lembrar, o hospital encontra-se em uma ilha isolada, onde somente o Hospital possui estrutura em meio a uma região cercada pelo mar e rochas, e onde diabos essa paciente poderia ter se metido?).
Ao longo das investigações percebemos que há algo mais que um simples desaparecimento, como
a recusa do hospital em permitir o acesso a registros quando das primeiras pistas que Teddy tenciona seguir para desvendar o caso. Teddy começa a temer um complô no hospital, questionando os tratamentos dos pacientes e até se o isolamento do lugar não o condiciona a uma espécie de prisão de onde não se pode escapar.
Mas o mistério não para por aí. Teddy é um homem assombrado pela morte da esposa Dolores, e no desenrolar paranoico dos fatos ele tem flashs de lembranças que o atormentam, intensificando ainda mais o suspense, levando-o em certos momentos a quase identificar-se com a condição de enlouquecimento, tal como os pacientes do local.
Os detetives encontram-se envolvidos numa atmosfera misteriosa sugerindo que nada é o que parece… Um furacão aproxima-se da ilha, e à medida que a tempestade aumenta a intensidade, as suspeitas e os mistérios multiplicam-se, cada um mais terrível e tenebroso que o anterior. Há indicações e rumores de conspirações sombrias, experiências médicas questionáveis, alas secretas, controle mental e inclusive de algo sobrenatural. Movendo-se nas sombras do hospital, assombrado pelo clima instável e suspeito, Teddy começa a perceber que a investigação pode levá-lo ao confronto com profundos e devastadores medos que carrega, além da suspeita de que poderá não sair vivo daquela ilha.
O filme apresenta uma sucessão de novos personagens surgindo com novos fatos, sequências de diálogos que remetem aos dos filmes B, confundido o espectador e o emaranhando na trama, intensificando a tensão até o desfecho final, doses da técnica e experiência acumulada do famoso diretor.
Em relação ao Noir, podemos identificar o detetive com a já conhecida vestimenta do chapéu e longo casaco, o mistério obscurecido em meio a neblina a ser desvendado e cenas de suspense na quase escuridão que vai intensificando a paranoia, ponto que nos faz lembrar a terceira fase do estilo Noir, tal qual Paul Schrader classifica o gênero (leia post a respeito, intitulado "As três fases do Noir, segundo Paul Shrader").
Confesso que não morri de amores pelo filme, mas não deixa de oferecer um bom suspense, um jogo de câmera e acontecimentos que atordoam e nos faz querer acompanhar até o fim para descobrir o que está por trás de todo mistério que compõe a trama.
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