E para os apreciadores da arte dos cartazes, algumas pérolas do filme O Home que não estava lá.
Experimento Noir é um espaço de troca de experiências e experimentos que bebam da fonte do gênero noir.
Participe para saber mais e envie a sua colaboração. Após análise, publico com crédito do experimentador.
sábado, 26 de fevereiro de 2011
O Homem que não estava lá
O Homem que não estava lá
The Man Who wasn’t there, 2001
116min - EUA
Joel e Ethan Coen
Gênero – Crime, Drama
http://www.imdb.com/title/tt0243133/
Um brilhante filme dos irmãos Cohen revisitando o cinema noir.
No noir são descritos arquétipos correntes no estilo, como O que procura a verdade, que pode não ser um homen da lei, O Perseguido, ligado ao existencialismo e fatalismo e a Femme Fatale.
Neste caso, os 2 primeiros arquétipos definem o protagonista do filme, um barbeiro omisso na Califórnia de 1949 que não situa-se nem envolve-se em costumes cotidianos, vivendo alheio a todo acontecimento, mesmo que esteja ligado diretamente a sua pessoa, como no caso de adultério de sua esposa.
Os sentimentos parecem não manifestar-se, os dias passam como se Ed Crane (Billy Bob Thornton) não fizesse parte do contexto e seus olhos observam a tudo sem nada participar, detalhes que reforçam o titulo e a ironia do filme. Crane mantém-se impassível diante de sua condição a parte do mundo, sempre com um cigarro aceso e intervenções mínimas quando solicitado.
Ocorre porém que o mesmo está literalmente envolvido até os cabelos no desenrolar da trama ao vislumbrar uma suposta chance de ter seu próprio negócio a partir de uma chantagem, mas por seu comportamento frio parece que sairá ileso de todas as ações até uma série de acontecimentos fatais que definem o desfecho deste filme com roteiro e qualidade fotográfica brilhantes.
Até mesmo na sutil aparição da desejada Scarlett Johansson como uma jovem pianista nem tão inocente quanto parece nos dá uma leve pitada da femme fatale.
É um filme considerado por muitos como uma comédia, pelo tom irônico à monotonia cotidiana, as intervenções inesperadas sobre extraterrestres e o desenrolar imprevisível dos acontecimentos.
O mundo cínico e fatalista retorna às telas nas mãos hábeis de Joel e Ethan Cohen, hipnotizando o espectador mesmo em seu ritmo lento. Apreciem mais esta incrível produção.
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Programa Zoom - Cinema Noir
"A essência do cinema noir é a aparência e o que existe atrás dela".
Luiz Carlos Merten - crítico de cinema.
Luiz Carlos Merten - crítico de cinema.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
O filme noir e o cinema da época: cenário de grandes contrastes
Fila de norte-americanos para a sopa do governo na época da Grande Depressão.
Para entender melhor porque o Noir seria uma resposta à condição social da Segunda Guerra e pós-guerra, é interessante analisar a posição do cinema desde o início até surgir o gênero em questão.
Encontramos nos primeiros anos do cinema (1890 a 1900) o preconceito quanto ao entretenimento de massa onde os atores temiam manchar sua reputação ao participar dessas produções e a burguesia só cria interesse na década de 30 quando o cinema torna-se o maior entretenimento público, passando a tratar-se de um meio de encontro social.
A sociedade americana depara-se com o crash da bolsa de 29, diminuindo as condições da população e consequente aumento da criminalidade urbana.
Hollywood encontra-se em sua era dourada e parece não sofrer com a situação vigente. Por meio dos glamourosos musicais, beneficiados pela nova técnica de som e o Star System que seleciona atores e lhes atribui nomes e comportamentos diante da sociedade, mantém o clima de otimismo e o sonho americano em contraste com as dificuldades econômicas e sociais em que vive a América.
Fred Astaire e Ginger Rogers
É nesse contexto que o filme B destaca-se como opção para as sessões duplas que a indústria cinematográfica oferece para atrair o retorno do público às salas de cinema, além de tratar-se de produções de baixo orçamento que permitia a profissionais da área possuir maior liberdade para experimentar estilos e técnicas.
A partir do Filme B surgem as produções mais tarde reconhecidas e denominadas Filme Noir. Com temática realista e baseada nos romances policiais, personagens ambíguos e individualistas, por meio de luz e sombras que caracteriza a fotografia, o filme Noir torna-se uma alternativa para abordar temas que questionam o way of life americano com criatividade e ousadia.
Mas afinal, o que é o Noir?
Ray Milland em Farrapo Humano (The Lost Weekend, 1945, direção Billy Wilder)
“Não faço apenas um tipo de filmes e não tenho noção de padrões. Não temos noção de que ‘Este filme será este gênero’. Tentamos fazer um filme que entretenha o melhor possível. Se temos algum tipo de estilo, os mais perspicazes detectá-lo-ão.” (Billy Wilder).
Seguindo a ideia de levantar questões que gerem o debate, iniciaremos sobre o que seria o Noir - estilo, escola, movimento?? - uma vez que o termo não surgiu dos profissionais de cinema (estes não tinham então ideia de que faziam um gênero específico) nem os críticos tinham um consenso para atribuir-lhe um conceito. A crítica francesa é quem aplica a expressão filme noir (negro ou escuro) para um grupo de filmes criminais americanos produzidos a partir da década de 40.
A. C. Mattos em seu livro O Outro Lado da Noite (já mencionado em post anterior) acredita que por constituir-se de diversos gêneros, não pode ser aprisionado a uma definição correndo o risco de descaracterizá-lo, sendo "um desvio ou evolução dentro do vasto campo do gênero drama criminal e resposta das condições durante a Segunda Guerra e pós-guerra. É ainda vírus e doença da alma, “com um clima de pessimismo em que as neuroses, paranóia e loucura permeiam as ações dos personagens, e onde não existe espaço para o Herói tradicional.”
O que parece comum nas análises sobre o noir é a desilusão latente numa sociedade sem esperanças no futuro e o vejo como uma forma de filmar com a temática que demonstra a alma adoecida da sociedade por meio de seus personagens.
E para você, o que é o Noir?
domingo, 13 de fevereiro de 2011
A moda da década de 40
Estudando sobre o noir, há sempre a descrição do detetive vestindo um longo casaco e chapéu, como se as produções noir estabelecessem tal vestimenta para o protagonista. Foi aí que comecei a pesquisa da vestimenta da década de 40 e encontrei o site da fotógrafa Rebecca Lepkoff (http://www.rebeccalepkoff.com/1940gallery2.html) que confirma minha impressão de que, sendo o noir uma produção de baixo orçamento, baseado entre outras coisas no realismo, nada mais óbvio que vestir seus personagens com roupas da época. Vejam inclusive que a New York de 40 tem aquela névoa presente no noir e ainda os grandes espaços urbanos pouco povoados, detalhes muito propícios para o clima do gênero.
Cartazes - The Third Man
E para completar o comentário sobre o filme, vejam os diversos cartazes produzidos.
Reparem o clima das ruas de Viena e no cartaz em vermelho, o design na diagonal que
registra a constância da câmera neste posicionamento.
Reparem o clima das ruas de Viena e no cartaz em vermelho, o design na diagonal que
registra a constância da câmera neste posicionamento.
The Third Man (O terceiro homem)
(Third Man, The, 1949)
• Direção: Carol Reed
• Roteiro: Graham Greene (história / roteiro)
• Gênero: Policial/Suspense
• Origem: Reino Unido
• Duração: 104 minutos
IMDb: http://www.imdb.com/title/tt0041959/
A ideia inicial do blog é falar do noir americano - o que nem iniciei até o momento - mas creio que o cinema é algo que nos faz enveredar por vários caminhos e hoje me vejo com vontade de compartilhar com você, caro visitante, de um comentário sobre o filme de origem inglesa que assisti ontem. The Third Man é simplesmente fantástico. De 1949, direção de Carol Reed e filmado na Viena após a Segunda Guerra, inicia apresentando um panorama da glamourosa Viena destruída e em plena crise, com boa parte da população vivendo das transações no mercado negro.
A trama desenrola-se com a chegada de um escritor americano que chega falido para trabalhar com seu amigo Harry Lime (Orson Welles), mas descobre que este foi morto misteriosamente e inicia uma investigação descobrindo várias inconsistências nas explicações dos amigos de Harry.
É sem dúvida uma obra-prima do cinema noir, com uma fotografia espetacular, em especial as tomadas das ruas de Viena ou mesmo a perseguição nos esgotos. A voz em off descreve a situação em um ritmo acelerado, semelhante ao clima intenso do desenrolar do filme. A câmera apresenta-se muitas vezes na diagonal, colocando o espectador no desequilíbrio da situação. A trama é muito bem construída e mesmo o tema inicial que parece desconexo do que vemos geralmente nos filmes do gênero, parece identificar-se com a trapaça da trama e o personagem de Harry Lime.
Abaixo, alguns vídeos que selecionei para quem quer ter uma idea do filme, mas se você gosta mesmo de noir, alugue ou baixe o filme e experimente esta maravilha do cinema desde o início, sem perder a chance da surpresa. Espero que apreciem tanto quanto eu.
• Direção: Carol Reed
• Roteiro: Graham Greene (história / roteiro)
• Gênero: Policial/Suspense
• Origem: Reino Unido
• Duração: 104 minutos
IMDb: http://www.imdb.com/title/tt0041959/
A ideia inicial do blog é falar do noir americano - o que nem iniciei até o momento - mas creio que o cinema é algo que nos faz enveredar por vários caminhos e hoje me vejo com vontade de compartilhar com você, caro visitante, de um comentário sobre o filme de origem inglesa que assisti ontem. The Third Man é simplesmente fantástico. De 1949, direção de Carol Reed e filmado na Viena após a Segunda Guerra, inicia apresentando um panorama da glamourosa Viena destruída e em plena crise, com boa parte da população vivendo das transações no mercado negro.
A trama desenrola-se com a chegada de um escritor americano que chega falido para trabalhar com seu amigo Harry Lime (Orson Welles), mas descobre que este foi morto misteriosamente e inicia uma investigação descobrindo várias inconsistências nas explicações dos amigos de Harry.
É sem dúvida uma obra-prima do cinema noir, com uma fotografia espetacular, em especial as tomadas das ruas de Viena ou mesmo a perseguição nos esgotos. A voz em off descreve a situação em um ritmo acelerado, semelhante ao clima intenso do desenrolar do filme. A câmera apresenta-se muitas vezes na diagonal, colocando o espectador no desequilíbrio da situação. A trama é muito bem construída e mesmo o tema inicial que parece desconexo do que vemos geralmente nos filmes do gênero, parece identificar-se com a trapaça da trama e o personagem de Harry Lime.
Abaixo, alguns vídeos que selecionei para quem quer ter uma idea do filme, mas se você gosta mesmo de noir, alugue ou baixe o filme e experimente esta maravilha do cinema desde o início, sem perder a chance da surpresa. Espero que apreciem tanto quanto eu.
sábado, 12 de fevereiro de 2011
Filme Noir como experimentação
Uma das coisas sobre o Noir que muito me instiga é a questão da experimentação e como os profissionais valiam-se da técnica para criar o clima e envolver o espectador, em especial por meio da iluminação. John Alton, brilhante diretor de fotografia, nos mostra tal faceta descrevendo uma cena de suspense com inesperado desfecho:
“Para se aperceber da luz e do que ela pode fazer à mente de uma audiência, visualize esta pequena cena: O quarto está escuro. Um forte raio de luz aparece no hall sob a porta. Ouve-se o som de passos. A sombra de dois pés divide o raio de luz. Segue se um breve silêncio. Existe suspense no ar. O que é? O que vai acontecer? Ele vai tocar à campainha? Ou apenas inserir a chave e tentar entrar? Aparece outra sombra mais pesada que bloqueia a luz por completo. Ouve-se um indistinto som de assobio e a sombra vai-se embora, vemos com a luz fraca, um papel a ser empurrado sobre o carpete. Ouvem-se novamente os passos...Dessa vez a irem-se embora. Aparece uma vez mais uma luz forte que ilumina a nota no chão. Lemo-la à medida que os passos se afastam. “São dez horas. Por favor desligue o rádio. O Gerente.”
(Film Noir, Taschen, 2004)
“Para se aperceber da luz e do que ela pode fazer à mente de uma audiência, visualize esta pequena cena: O quarto está escuro. Um forte raio de luz aparece no hall sob a porta. Ouve-se o som de passos. A sombra de dois pés divide o raio de luz. Segue se um breve silêncio. Existe suspense no ar. O que é? O que vai acontecer? Ele vai tocar à campainha? Ou apenas inserir a chave e tentar entrar? Aparece outra sombra mais pesada que bloqueia a luz por completo. Ouve-se um indistinto som de assobio e a sombra vai-se embora, vemos com a luz fraca, um papel a ser empurrado sobre o carpete. Ouvem-se novamente os passos...Dessa vez a irem-se embora. Aparece uma vez mais uma luz forte que ilumina a nota no chão. Lemo-la à medida que os passos se afastam. “São dez horas. Por favor desligue o rádio. O Gerente.”
(Film Noir, Taschen, 2004)
Filme Noir: O Outro Lado da Noite
E já que falamos de livros, A. C. Gomes de Mattos visita a estética e nos presenteia com esta publicação pela Rocco, catalogando filmes americanos da década de 40 e 50 apresentando sinopse, ficha técnica e comentários sobre cenas e diálogos. Outro bom livro de cabeceira para os amantes do estilo.
Film Noir - Editora Taschen
Durante meus estudos sobre o Noir, o livro da Taschen, de Alain Silver & James Ursini, foi um importante guia, devido a informação detalhada sobre esta forma de filmar, comentários de diretores e técnicos, além da grande variedade em imagens dos filmes que marcaram o período clássico do gênero. Este livro mostra não se tratar de um gênero ou movimento, mas como o noir mudou a paisagem do cinema com seu estilo icônico.
Para quem gosta ou quer conhecer mais a respeito, é uma publicação disponível em português e bem acessível para aquisição.
Para quem gosta ou quer conhecer mais a respeito, é uma publicação disponível em português e bem acessível para aquisição.
The Rules of Film Noir, programa da BBC
Encontrei no Youtube que a BBC tem um programa que fala do filme noir.
Alguém sabe onde encontro para assistir?
Alguém sabe onde encontro para assistir?
domingo, 30 de janeiro de 2011
Escultura de Mick Baltes em clima Noir.
Escultura ambientada no clima Noir do alemão Mick Baltes. Além dos experimentos do gênero, o trabalho de Mick é detalhado e muito realista. vale um passeio pelo blog:
http://mickbaltes.de/blog/?tag=film-noir
O diorama (ou maquete) de Mick tem Nova York como cenário de fundo e para criar a atmosfera Noir, utilizou iluminação em alto contraste, iluminando de fora para dentro os pontos mais importantes da cena, como o rosto do personagem (Robert Mitchum) e os detalhes da mesa. Leia o comentário:
"The series with my Robert Mitchum figure takes place in the “Old Fashioned Room” diorama. Outside I placed a poster with the skyline of New York. In order to get the desired Film noir ambience, I used a low key illumination and worked with hard contrast. The main light comes from outside the window and some mini spots lighten Mitchums face and the table. I like the shadows on his face and the details on the table."
http://mickbaltes.de/blog/?tag=film-noir
O diorama (ou maquete) de Mick tem Nova York como cenário de fundo e para criar a atmosfera Noir, utilizou iluminação em alto contraste, iluminando de fora para dentro os pontos mais importantes da cena, como o rosto do personagem (Robert Mitchum) e os detalhes da mesa. Leia o comentário:
"The series with my Robert Mitchum figure takes place in the “Old Fashioned Room” diorama. Outside I placed a poster with the skyline of New York. In order to get the desired Film noir ambience, I used a low key illumination and worked with hard contrast. The main light comes from outside the window and some mini spots lighten Mitchums face and the table. I like the shadows on his face and the details on the table."
sábado, 29 de janeiro de 2011
Os elementos do Noir
Esse é um vídeo interessante para analisar os elementos mais constantes nos filmes do gênero. O cenário urbano em luz e sombra contrastada, o detetive em busca da chave do crime e seduzido pela femme fatale. Edição de Matt Fox.
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