Experimento Noir é um espaço de troca de experiências e experimentos que bebam da fonte do gênero noir.
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domingo, 6 de maio de 2012

Happy Birthday, Orson Welles



George Orson Welles - 06/05/1915 - Kenosha, Wincosin / 10/10/1985 - Hollywood


Nosso breve mas caloroso parabéns de hoje vai para este grande ator-diretor, muito conhecido por seu memorável Cidadão Kane, mas que sempre destacou-se em diversos papéis e sua intensa paixão e inconformismo por conceber filmes de acordo com sua visão ímpar. Eu por exemplo, adoro Cidadão Kane mas confesso minha predileção pelo malandro Harry Lime em The Third Man, ou mesmo o astuto marinheiro, caído de amores pela bela loira de A Dama de Shangai.




Com 15 anos já órfão do pai, começa a estudar pintura, e na adolescência não tem interesse pelos estudos, dedicando-se logo cedo ao teatro, tanto que em 1937 cria uma companhia de teatro.


1938 marca sua transmissão de A Guerra dos Mundos, que ficou famosa por provocar pânico nos ouvintes, fazendo-os imaginar que havia uma invasão de extraterrestres em curso, fazendo como que Welles iniciasse sua fama.



Em 1941 Welles estréia no cinema, com “Cidadão Kane”, filme no qual, onde é o protagonista além de produtor, co-escritor e diretor. Embora seja considerado pela crítica como um dos melhores filmes de todos os tempos e tenha recebido 9 indicações ao Oscar - foi ganhador de Melhor Roteiro Original - foi um fracasso de bilheteria, com um prejuízo de US$ 150 mil aos Estúdios da RKO.
Todo a sua obra apresenta toques de genialidade. Entre um projeto e outro, fazia papéis carismáticos para outros cineastas, com destaques para o nervoso Mr. Rochester de “Jane Eyre”, dirigido por Robert Stevenson, e o frio Harry Lime de “O Terceiro Homem”, dirigido por Carol Reed - este, meu filme favorito com este grande ator.
Em sua carreira, Orson Welles foi ganhador de apenas um Oscar, por seu trabalho como co-roteirista em “Cidadão Kane” e com o Prêmio Honorífico da Academia de Hollywood por sua maestria e versatilidade na criação de filmes. Recebeu 4 indicações ao Oscar, 3 por sua participação em “Cidadão Kane” como produtor, diretor e ator.  Em 1975, recebeu do American Film Institute o prêmio pelo conjunto de sua obra.  Em 1984, recebeu do Directors Guild of America o Prêmio D. W. Griffith.
Orson Welles casou-se três vezes: Virginia Nicholson  (14/11/1934 a 01/02/1940), com quem teve um filho, Christopher, nascido em 1937; Rita Hayworth  (07/09/1943 a 01/12/1948), com quem teve uma filha, Rebecca, nascida em 1944; e Paola Mori  (08/05/1955 a 10/10/1985, quando faleceu), com quem teve uma filha, Beatrice, nascida em 1955.
Apesar de sua reputação como ator e diretor, manteve durante muito tempo sua licença junto a Magician's Union, além de praticar periodicamente mágicas. De acordo com ele mesmo, assim poderia seguir adiante em uma carreira caso fosse impedido de seguir trabalhando no cinema.


É um dos cinco atores que recebeu uma indicação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas na categoria de melhor ator em uma de suas cinco primeiras aparições no cinema.


Certo é que, por maior a tentativa, pouco seria para falar deste brilhante cineasta. Limito-me a esta pequena homenagem, destacando algumas poucas facetas de sua história, com fotos de algumas de suas atuações que certamente, ficarão na memória e história do cinema.









Filmografia



A DAMA DE SHANGHAI (1947)The lady from Shanghai
A MARCA DA MALDADE (1958)Touch of evil
A ROSA NEGRA (1950)The black rose
CARTA AO KREMLIN (1970)The Kremlin letter
CASSINO ROYALE (1966)Casino Royale
CIDADÃO KANE (1941)Citizen Kane
ESTRANHA COMPULSÃO (1959)Compulsion
GENTE MUITO IMPORTANTE (1963)The V.I.P.s
JANE EYRE (1944)Jane Eyre
MACBETH - REINADO DE SANGUE (1948)Macbeth
MOBY DICK (1956)Moby Dick
O ESTRANHO (1946)The stranger
O FAVORITO DOS BÓRGIAS (1949)Prince of Foxes
O HOMEM QUE NÃO VENDEU SUA ALMA (1966)A man for all seasons
O MERCADOR DE ALMAS (1958)The long, hot summer
O PROCESSO (1962)Le procès
O TERCEIRO HOMEM (1949)The third man
OTHELLO (1952)The tragedy of Othello: The moor of Venice
PARIS ESTÁ EM CHAMAS ? (1966)Paris brûle-t-il?
SOBERBA (1942)The magnificent Ambersons

Filmografia Diretor 

A DAMA DE SHANGAI (1947)The lady from Shanghai
A MARCA DA MALDADE (1958)Touch of evil
CIDADÃO KANE (1942)Citizen Kane
MACBETH (1948)Macbeth
O ESTRANHO (1946)The stranger
O PROCESSO (1962)Le procès
OTHELLO (1952)The tragedy of Othello: The moor of Venice
SOBERBA (1942)The magnificent Ambersons

Premiações 

O PROCESSO
(1962)
Sindicato Francês dos Críticos de Cinema, FrançaPrêmio de Melhor Filme
OTHELLO (1952)Festival Internacional de Cannes, FrançaGrand Prix do Festival

Premiações

O ESTRANHO (1946)Festival Internacional de Veneza, ItáliaPrêmio Leão de Ouro
CIDADÃO KANE (1941)Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood, EUAOscar de Melhor Direção
CIDADÃO KANE (1941)Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood, EUAOscar de Melhor Ator






segunda-feira, 30 de abril de 2012

Dillinger, 1954

E para que o visitante possa apreciar um dos filmes que retratam a vida de Dillinger, segue o link de 1954.


Dillinger por crazedigitalmovies

Para os que querem ainda conhecer mais sobre a biografia deste renomado gângster, a Amazon tem uma publicação interessante a respeito, por $19,99: 

http://www.amazon.com/Dillingers-Wild-Ride-Americas-Public/dp/0195304837



Dillinger's Wild Ride: The Year That Made America's Public Enemy Number One

288 páginas
Em inglês
Oxford University Press, USA; First Edition edition (June 4, 2009)

Dillinger


John Herbert Dillinger (Indianápolis, 22/06/1903 - Chicago, 22/07/1934) foi um ladrão de bancos norte-americano, considerado um criminoso perigoso e idolatrado como um Robin Hood do século XX, devido ao Grande Depressão em que a população culpava os bancos e Dillinger só roubava tais estabelecimentos.
Dillinger ganhou o apelido de "Jackrabbit" por sua rapidez nos assaltos e fugas da polícia e, assim como a de outros criminosos dos anos 30, dominou a atenção da imprensa, que passou a chamá-lo, entre outros, de "inimigos públicos" (public enemy), entre 1931 e 1935, época em que o FBI se desenvolveu.
Após desertar do alistamento na marinha e com a dificuldade em arrumar emprego fixo além de manter seu casamento, enveredou para o mundo do crime.

Preso em 1924 na Cadeia Estadual de Indiana, ajudou na fuga de vários criminosos perigosos que mais tarde formaram a chamada primeira gangue de Dillinger.

Segundo a imprensa, Dillinger usava diferentes golpes em seus roubos a banco, chegando a soma de cerca de US$300.000 dólares.

Sua vida prossegue entre diversos roubos e perseguições da polícia, além de diversas prisões e escapadas com a ajuda dos comparsas, até aquelas bobeadas clássicas de todo fora da lei, que sai para um cineminha com a namorada - para prestigiar seus parceiros gângsters, neste caso em Manhattan Melodrama em Chicago - e traído por uma das acompanhantes, é morto na saída do cinema por agentes do FBI.

(Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/John_Dillinger)

Mas você, caro visitante, deve estar se perguntando, porque um blog de cinema noir está falando deste fora da lei? 

Primeiro, como já comentamos aqui no blog, os gângsters fazem parte do universo inspirador do noir (para relembrar ou saber mais, leia as matérias: http://experimentenoir.blogspot.com.br/2011/05/os-filmes-de-gangsters.html e http://experimentenoir.blogspot.com.br/2011/05/lei-seca-criminalidade-urbana-e-o-poder.html).

E não é que em uma dessas minhas vasculhadas internéticas em busca de nem tão novos títulos do gênero, me deparo com um nome que, inicialmente, parecia me levar a um filme de 1954, falando de um famoso gângster, mas eis que surgem diversas releituras do tema, chegando aos dias de hoje com a mesma sede de destrinchar a vida desse homem que um dia chuta tudo para o alto e então faz suas próprias leis. 

E a pergunta que não quer calar: por que essa predileção por falar de um gângster, que nos anos 30 tornou-se uma espécie de ídolo das massas, em plena época de penúria e total falta de esperança diante de uma difícil fase histórica, onde pessoas comuns não tinham emprego ou ideia do que lhes aguardava para o futuro. E porque, mesmo nos dias de hoje, a imagem permanece viva e tão relembrada em novas produções. 

Talvez o humano sinta-se reprimido por todas as leis e regras sociais, e a imagem de um homem como Dillinger, lá no fundo, nos redime de tal repressão, trazendo um gostinho de liberdade que todos gostariam de ter. Talvez seja só o gosto pela violência, quem sabe. O interessante é a imagem viva e tão corrente que Dillinger permanece ao longo de décadas e  que de alguma forma gostaria de compartilhar. 

Pra não ficarmos apenas em divagações, quero compartilhar ainda a série de cartazes dos vários filmes sobre o tema, começando pelo de 1954, que iniciou toda essa pesquisa e análise, até um mais recente com o galã da atualidade, Johnny Depp.


Dillinger, 1945.







Dillinger, 1973.



Dillinger, 1974.


Dillinger Y Capone, 1995.


Public Enemies, 2009.