Experimento Noir é um espaço de troca de experiências e experimentos que bebam da fonte do gênero noir.
Participe para saber mais e envie a sua colaboração. Após análise, publico com crédito do experimentador.


sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Journey into Fear - 1943

Journey Into Fear

68 min - EUA
Film Noir | Drama | War
Diretor: Norman Foster
Atores: Orson Welles, Joseph Cotten, Dolores Del Rio

http://www.imdb.com/title/tt0034922/

Filme baseado no romance de Eric Ambler, mostra o engenheiro Howard Graham da Marinha EUA, prestes a retornar a seu país com sua esposa de uma conferência, porém encontra-se perseguido por agentes nazistas, que pretendem matá-lo por este negociar armas com os turcos que são aliados dos norte-americanos, a fim de retardar as negociações até que outro agente seja enviado para prosseguir com o fornecimento.



Orson Welles, no papel de um coronel turco, resgata Howard a fim de não permitir seu assassinato, colocando-o em um navio onde garante que este estará a salvo, não tendo tempo de despedir-se da esposa.



Grande parte do filme ocorre no navio, onde os agentes assassinos encontram-se a bordo, como o silencioso Peter Banat, que tem como única companhia um gramophone onde toca repetidas vezes uma mesma canção. Quando Graham o reconhece entre os passageiros, tenta informar ao comandante mas este não faz outra coisa que gargalhar deliberadamente sem tomar qualquer outra atitude.

Ocorre porém que Journey into Fear em seus 60 e poucos minutos apresenta alguma emoção e o clima claro-escuro perturbador de fato nos 11 minutos finais, onde já em terra firme e fugindo para reencontrar a esposa, Graham se depara com a perseguição e o perigo eminente (ressaltando que por ser uma espécie de agente e espião fornecedor de armas americano, seria alguém mais perspicaz e preparado para enfrentar situações perigosas que o inocente e assutado personagem em questão). Aí sim vemos diversos detalhes do noir e o clima tenso que o caracteriza.






É importante salientar as muitas influências de Orson Welles presentes no filme - ainda que este não tenha aceito qualquer crédito de participação, apesar de sempre citado como colaborador - como as filmagens em câmera baixa que distorce os personagens a fim de atribuir-lhe poder ou impotência. Mesmo a captura de rostos humanos, feito por Karl Struss, distorcendo suas expressões, parecem enfatizar o perigo e a tensão.

Ao que parece, Journey into Fear sofreu diversos cortes com uma redução expressiva que talvez tenha omitido trechos que poderiam valorizar o conteúdo do filme.

Eventos a parte, eu diria que vale como conhecimento de mais um título Noir e ainda o proveito de cenas interessantes aos que não abrem mão de mais uma produção do gênero.




domingo, 16 de outubro de 2011

Thunder Road - 1958

Thunder Road - 1958 

(A lei da montanha)

92 min  - EUA
Crime | Drama | Triller
Diretor: Arthur Ripley
Atores: Robert Mitchum, Gene Barry, Jacques Aubuchon

http://www.imdb.com/title/tt0052293/



Tendo como ambiente as montanhas de Kentucky e Tenessee, no início dos anos 50, Thunder Road, dirigido por Arthur Ripley e estrelado e produzido por Robert Mitchum, tornou-se um clássico cult nos anos 70 e 80, conhecido ainda por sua música tema "The Ballad of Thunder Road", apresentada em sua versão instrumental no filme mas interpretada ainda pelo próprio Mitchum como você pode ouvir a seguir.


Este filme possui diversas particularidades, como por exemplo, ter sido baseado em um acidente verídico ocorrido em 1952, onde um motorista de transporte ilegal de bebidas (conhecido como transporte moonshine - transporte de bebida ilegal, geralmente ocorrendo na noite para comércio ilegal do produto) morreu e a história chegou às mãos de Mitchum que decidiu por trabalhar no roteiro.

O papel de Robin Doolin, irmão mais novo de Lucas e que atua como mecânico que mantém seu Ford em bom estado, foi escrito originalmente para Elvis Presley por solicitação do próprio Mitchum, mas o agente do ator exigiu um caché além das posses da produção frustrando os objetivos de Mitchum quanto ao ator escolhido, substituindo por seu filho que para ele tinha certa semelhança do porte para o papel.






Outro detalhe é sobre o carro utilizado, um Ford 1951 2 portas sedan hot rod, com um tanque traseiro muito utilizado para tranporte moonshine, modificado em alguns detalhes para ajustar-se às necessidades do filme.





Lucas Doolin (Mitchum) é um veterano da Guerra do Vietnã que retorna à casa da família e assume os negócios de transporte de bebida ilegal destilada pelo pai. Porém, depara-se com uma época em que um grupo de gângsters buscam assumir o poder total sobre o comércio de bebidas, com a ideia de aniquilar qualquer tipo de concorrência, liderados pelo gângster Carl Kogan.

Doolin é o centro de todas a responsabilidades e preocupações, desde manter os negócios da família, proteger o irmão mais novo de não seguir seus passos como tranportador ilegal, e ainda ver-se livre das perseguições da lei e tirar de
seu encalço os gângsters, o que culmina em acidente e morte que parece ser o caminho para o encerramento dos negócios, ainda que Doolin por uma espécie de código de honra decida ainda por uma espécie de corrida final, a fim de manter sua independência e direito do comércio que acredita ser seu e de sua família por direito.



O filme é forte em personagens e ação, há cenas de perseguição e violência de tirar o fôlego, além da excelente atuação de Robert Mitchum, que encontra-se no auge de sua carreira. É importante ainda prestar atenção na voz off inicial onde o locutor fala a respeito da situação vigente, relatando a época do transporte ilegal de bebidas em território norte-americano.






Mais uma vez, recomendo os links do YouTube para que possam assistir ao filme, caso não consigam encontrar em locadoras. Para os colecionadores, recomendo o DVD vendido pela Amazon, ao preço de $11.49.



http://www.amazon.com/Thunder-Road-Robert-Mitchum/dp/0792844904

Fontes:

http://www.youtube.com/watch?v=CLzEC6WPkwg&feature=related

http://www.imdb.com/title/tt0052293/

http://en.wikipedia.org/wiki/Thunder_Road








Cartazes Thunder Road, 1958






quinta-feira, 13 de outubro de 2011

No Man of Her Own (1950)

98 min  - EUA

Drama | Filme Noir
Diretor: Mitchell Leisen
Atores: Barbara Stanwyck, John Lund e Jane Cowl

http://www.imdb.com/title/tt0041694/

Uma mulher solteira e grávida, nos anos 50. Abandonada com indiferença, com a entrega de apenas 5 dólares e uma passagem de trem por debaixo da porta (nos dias de hoje, o fora seria pela internet e talvez a a confirmação de um mero depósito bancário, mas neste caso a tecnologia ainda não imperava no mundo dos corações partidos e a ação era imediata e in loco).

Helen Ferguson, grávida, sem dinheiro e abandonada por seu namorado Steve Morley, parte no trem onde conhece um simpático casal e momentaneamente parece que sua sorte finalmente mudou. Mas um acidente no caminho traz a morte do então casal Harkness, e ela decide  assumir a identidade de Patrice Harkness, e dirige-se para a casa dessa família. Os ricos sogros que não a conheciam recebem-na e aceitam-na com o filho recém-nascido, porém esta não contava com a reaparição do namorado que resolve chantageá-la e lucrar com a nova situação.

Apesar de melodramático, desde o drama da mulher abandonada com alguns poucos centavos, seu desespero após o acidente de trem e ainda algumas de suas ações desesperadas no final do filme fazem de No Man of Her Own muito rico em detalhes visuais, o que me parece ser o ponto forte do filme. As ações e a enfatização das expressões trazem ao expectador a informação mais que palavras, deixando claro a angústia e os passos da protagonista.













Cartazes No Man of Her Own, 1950

Barbara Stanwyck volta a atacar em No Man of Her Own. Belos cartazes, e gosto em particular dos 3 primeiros que parecem tomadas das cenas marcantes do filme, como um enfoque jornalístico dos acontecimentos.










Comentários sobre The Prowler - 1951


Este noir trata de uma relação extra-conjugal que culmina em diversos dissabores e descobertas inusitadas.

Noite escura onde só a lua vislumbra a chegada de uma viatura policial atendendo ao chamado da residência 1918. Assim inicia The Prowler, onde os policiais Webb e Bud checam um suposto perigo perigo na casa dos Gilvray, informado pela senhora Susan.

Durante a visita dos policiciais, Webb imediatamente fica interessado pela senhora que encontra-se sozinha em casa e passa a rondar a casa a fim de conhecê-la melhor.

Em uma visita, descobre serem da mesma cidade, que ela permanece sozinha em casa enquanto seu marido trabalha como locutor de rádio, e ainda, descobre um testamento em meio aos papéis do marido,  aproveitando a situação para cortejá-la até que esta entregue-se a ele.



Mesmo após mostrar-se indiferente e deixando Susan já completamente apaixonada por ele, Webb arquiteta um plano para tirar o marido de cena forjando um acidente e tomar para si a mulher e o dinheiro.





Entre a dúvida e a persuasão do hábil policial, Susan casa-se com ele e engravida, o que os faz retirarem-se para um local isolado onde não haja olhares acusadores. Mas os acontecimentos trarão a ela a visão real das ações de Webb, trazendo-lhe a confissão esperada. E nosso protagonista espertalhão terá um trágico final, marcando por fim a vida de todos os envolvidos.


No imdb (http://www.imdb.com/title/tt0043938/) há um interessante comentário do livro "Film Noir: An Encyclopedic Reference To The American Style", de Alan Silver (vou traduzir brevemente os comentários, e recomendo a visita para que leiam por completo):

"...como a maioria dos filmes americanos de Losey,The Prowler está preocupado com questões sociais complexas, que tornam marginais à série film noir". Eu não poderia concordar mais que o usode iluminação no filme noir dilui o que universo escuro representa, mas neste caso isso é um ponto discutível. The Prowler não examina as questões sociais, complexas ou não, e não é uma acusação da América em meados do séculoXX, tanto quanto é uma exposição da própria vida moderna com toda sua banalidade e aspiração maçante. Melhor ainda, não há explicações, causas, ou, felizmente, os remédios oferecidos para o sonho vazio americano. Existencialmente, não há escapatória para o anti-herói que é, ironicamente, um psicopata que jurou "proteger e servir" os próprios ideais que ele não compartilha. Donas de casa só em casamentos infelizes, não sonham com o estrelato e bolsas de estudo, a ambição sem alma para a realização medíocre escondida sob enganosas aparências e esperanças para um futuro...servem para apontar a inutilidade de mobilidade ascendente. Numa ironia amarga, Garwood tem o sonho americano, mas pervertido, uma vez atingido, esse sonho torna-se invertido e sua recompensa final (criação de uma família) comprova sua ruína. Que o nascimento ocorra em uma cidade fantasma do deserto ilustra perfeitamente um terreno baldio onde todos ou são insensíveis, inocentes ou estúpidos ... Em sua descrição de um mundo monótono e cinzento, Prowler é um puro Noir e Joseph Losey habilmente transmitiu a sensação muitas vezes generalizada de insatisfação e tédio com a vida burguesa, mas, por causa de sua política fora da tela, o filme foi injustamente asfaltado com o mesmo pincel que descarrilou a carreira do diretor em Hollywood."

Como dizem os comentários de Silver, vemos uma mulher com posses e um suposto casamento bem sucedido, mas o vazio e a solidão que na verdade impera a coloca nas mãos do esperto e persuasivo policial, colocando em risco seu futuro e segurança, na busca talvez de uma relação mais promissora.

O filme inicialmente parece caminhar na direção de Double Indemnity, mas vemos aqui que os fatos tomam outros rumos, não deixando porém a crítica a inversão de valores ressoando na mente dos expectadores.

Espero que tenham assistido e gostado da indicação. Comentários e discussões são bem-vindos.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Cartazes The Prowler - 1951






The Prowler - 1951

The Prowler - 1951

92 min  -  EUA

Diretor: Joseph Losey


Acabo de encontrar em Film Noir Foundation a menção deste Triller Noir de 51 (em espanhol, El Complice de las Sombras). Disponível no YouTube, segue o filme para nossa apreciação.

A bela Bad Girl do pacote de DVDs da Columbia Classics (citada em post anterior), Evelyn Keys, protagoniza  este triller noir.


E aí, vamos conhecer? No YouTube apresenta-se dividido em 7 partes. Comentarei em seguida minhas impressões.





Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=VQDKMKdEMWc&feature=related

domingo, 9 de outubro de 2011

Cartazes Shoot to Kill (1947)



Shoot to Kill (1947)

Shoot to Kill (1947)

64 min  -  USA
Diretor - William Berke


Sinopse: O gângster Dixie Logan é preso pelo desonesto promotor Lawrence Dale. Sua esposa consegue um emprego como assistente de Dale para poder encontrar a prova da desonestidade do promotor. Ela recebe a ajuda do repórter Mitchell, que se apaixona por ela.
O filme inicia com o desfecho final, com um carro na noite, caindo desgovernado por um barranco, onde Mac Donald e o gângster Nestor Paiva são encontrados mortos, sobrevivendo apenas Susan, que contará em flashback no hospital suas lembranças.
Há muito de sombra, um pouco de violência, mistério, um toque de romance, ao longo de reviravoltas de desvendam aos poucos o enredo, tornando os 64 minutos de filme a dose certa que retrata uma noite cheia de acontecimentos e revelações, garantindo ao expectador um bom entretenimento.

Gostei das cenas escuras, das caracterizações da época, da enfatização das expressões. Não vejo como um filme brilhante, mas vale o conhecimento e a diversão pelo breve tempo.

A recepção da crítica não foi das mais positivas, mas em alguns momentos concordam que permite uma boa diversão.

Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=kXXH8uJ718o&feature=related
iMDB: http://www.imdb.com/title/tt0039820/

http://ocdviewer.com/2011/04/20/shoot-to-kill-march-15-1947-2/