Experimento Noir é um espaço de troca de experiências e experimentos que bebam da fonte do gênero noir.
Participe para saber mais e envie a sua colaboração. Após análise, publico com crédito do experimentador.
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Orson Welles e o Filme Noir
Os filmes Noir de Orson Welles têm características importantes, como em sua filmagem expressionista em Cidadão Kane (1941), com ângulos de câmera subjetivas, sombra escura e foco profundo, e os tiros de baixo ângulo do talentoso diretor de fotografia Gregg Toland.
O terceiro filme de Welles para a RKO, sobre o tempo de guerra em Journey Into Fear (1943), filme em que atuou e co-dirigiu, apesar de não creditado, filmado na exótica Istambul. O filme foi inspirado no triller de Eric Ambler, sobre um engenheiro de armas americanos (Joseph Cotten) em um navio no Mar Negro, onde foi ameaçado por agentes nazistas que intencionavam matá-lo.
O complexo The Lady from Shanghai (1948), fala sobre um triângulo amoroso destrutivo entre o marinheiro irlandês Michael O'Hara (Welles), uma loura manipuladora Rita Hayworth, como a femme fatale Elsa (ou Rosalie), e seu marido Arthur Bannister (Everett Sloane). A sequência final em San Francisco, na sala de espelhos ou casa de diversão era simbólica e reflexiva da quebra de relações entre os personagens. As últimas palavras de O'Hara: "Talvez eu viverei tanto tempo que eu vou esquecê-la. Talvez eu vou morrer tentando. "
Na fronteira cidade mexicana, Welles filma o clássico Touch of Evil (1958), geralmente considerado o último filme do ciclo clássico noir. Nele estrelou Charlton Heston como Vargas - um ingênuo policial da narcóticos Americo-Mexicano, Janet Leigh como sua esposa Susan e o próprio Welles como um corrupto e corpulento policial local Hank Quinlan. O filme também contou com uma aparência de retorno ao fumo do charuto com a dona de bordel Marlene Dietrich, e uma deslumbrante abertura em plano seqüência durante a abertura dos créditos filmado de uma vez, sem cortes. Mais tarde, Welles surge com o noir expressionista e drama psicológico O Julgamento (1962), uma adaptação do romance clássico de Franz Kafka, com Anthony Perkins como Joseph K - um homem condenado por um crime sem nome em um país desconhecido.
Fonte: http://www.filmsite.org/filmnoir.html
segunda-feira, 6 de junho de 2011
Blog de fotos do cinema Noir
Mark Clark faz uma seleção de diversas cenas do cinema noir divididas por temas
e nos mostra desde o expressionismo a cenas memoráveis do gênero.
Acessem: http://filmnoirphotos.blogspot.com/
Boni e Clyde
Glass Wall
e nos mostra desde o expressionismo a cenas memoráveis do gênero.
Acessem: http://filmnoirphotos.blogspot.com/
Boni e Clyde
Glass Wall
quarta-feira, 1 de junho de 2011
The Lady from Shanghai - 1947
The Lady from Shanghai
USA - 1947
87 min
Crime | Drama | Film-Noir
Direção: Orson Welles
Astros e estrelas: Rita Hayworth, Orson Welles and Everett Sloane
A Dama de Shanghai, filme de Orson Welles, é um noir muito apreciado e comentado, e eu diria que trata-se de um filme com uma mistura de dois caminhos aparentemente ambíguos, mas com características que culminam em concluí-lo como um representante do gênero que merece atenção e comentários.
O filme inicia com a voz off do protagonista Michael O’Hara (o próprio Welles), contando em flashback como deixou-se enganar ao ponto de cair em uma cilada por uma bela loira - até aí, o flashback, a temática que o levará a algum risco ou dificuldade, quem sabe um final fatal, levado por uma femme fatale de quem Michael não conseguiu resistir aos encantos - mas logo em seguida, as imagens exóticas das viagens no iate do Sr e Sra Bannister, em cenas em sua maioria em plenos dias ensolarados em belas praias ou em alto-mar parece destoar do padrão noturno de boa parte dos filmes que conhecemos.
Acontece porém que, em meio aos cenários exóticos e paradisíacos, percebe-se a tensão constante entre os personagens, Elsa (Rita Rayworth) tentando seduzir Michael para si, enquanto permanece ao lado do marido, um homem com alguma deficiência que o faz caminhar com dificuldade com o auxílio de uma muleta, envoltos nas palavras cortantes de uma relação desgastada mas mantida por interesses econômicos.
Interessante é a cena em que param em uma praia a fim de fazer um picnic, e Michael descreve uma cena que presenciara com Tubarões que destruíram-se uns aos outros, estes comparados a relação que ele via entre o casal e o sócio do Sr Bannister.
Ocorre que, mesmo Michael parecendo perspicaz e com alguma vivência que o livraria de qualquer dificuldade, sua obscessão por Elsa parece cegá-lo ao ponto de aceitar um acordo de suposto assassinato a fim de ganhar uma soma em dinheiro e levá-la consigo para longe da situação indesejada.
O resultado é um assassinato e um suspeito em um tribunal a caminho da condenação à câmara de gás.
Mas A Dama de Shanghai reserva muitas surpresas, e considero a partir daí a parte boa do filme, onde as características do Noir evidenciam-se e a trama ganha força e suspense.
A cena do parque de diversões abandonado, onde Michael foi escondido e preso, com as imagens das salas com espelhos distorcidos, as paredes e pisos que lembram de imediato o expressionismo de O Gabinete do Dr. Caligari, reforçando a confusão e o atordoamento mental em que se encontra o próprio personagem – enquanto sua voz em “off” nos explica as causas de tal confusão - justificam e coroam toda a trama até então com um toque um tanto inocente e ainda sem toda a devida consistência do gênero.
O labirinto dos espelhos revela a imagem dos personagens duplicados, tal qual seus dramas, conflitos e mesmo a dualidade de sua personalidades, onde a verdade se revela e os "tubarões" finalmente se encontram, cansados de lutar por algo já desgastado e não lhes resta nada além da morte.
A Dama de Shanghai sem dúvida imortalizou-se como um dos ícones do Noir pela trama e as cenas atordoantes e labirínticas entre espelhos que revelam a dualidade do ser. Dualidade esta a ponto de culminar em um final trágico e um homem a salvo de toda a culpa, menos da lembrança do desejo por uma mulher que parece que não o abandonará até o final de seus dias.
USA - 1947
87 min
Crime | Drama | Film-Noir
Direção: Orson Welles
Astros e estrelas: Rita Hayworth, Orson Welles and Everett Sloane
A Dama de Shanghai, filme de Orson Welles, é um noir muito apreciado e comentado, e eu diria que trata-se de um filme com uma mistura de dois caminhos aparentemente ambíguos, mas com características que culminam em concluí-lo como um representante do gênero que merece atenção e comentários.
O filme inicia com a voz off do protagonista Michael O’Hara (o próprio Welles), contando em flashback como deixou-se enganar ao ponto de cair em uma cilada por uma bela loira - até aí, o flashback, a temática que o levará a algum risco ou dificuldade, quem sabe um final fatal, levado por uma femme fatale de quem Michael não conseguiu resistir aos encantos - mas logo em seguida, as imagens exóticas das viagens no iate do Sr e Sra Bannister, em cenas em sua maioria em plenos dias ensolarados em belas praias ou em alto-mar parece destoar do padrão noturno de boa parte dos filmes que conhecemos.
Acontece porém que, em meio aos cenários exóticos e paradisíacos, percebe-se a tensão constante entre os personagens, Elsa (Rita Rayworth) tentando seduzir Michael para si, enquanto permanece ao lado do marido, um homem com alguma deficiência que o faz caminhar com dificuldade com o auxílio de uma muleta, envoltos nas palavras cortantes de uma relação desgastada mas mantida por interesses econômicos.
Interessante é a cena em que param em uma praia a fim de fazer um picnic, e Michael descreve uma cena que presenciara com Tubarões que destruíram-se uns aos outros, estes comparados a relação que ele via entre o casal e o sócio do Sr Bannister.
Ocorre que, mesmo Michael parecendo perspicaz e com alguma vivência que o livraria de qualquer dificuldade, sua obscessão por Elsa parece cegá-lo ao ponto de aceitar um acordo de suposto assassinato a fim de ganhar uma soma em dinheiro e levá-la consigo para longe da situação indesejada.
O resultado é um assassinato e um suspeito em um tribunal a caminho da condenação à câmara de gás.
Mas A Dama de Shanghai reserva muitas surpresas, e considero a partir daí a parte boa do filme, onde as características do Noir evidenciam-se e a trama ganha força e suspense.
A cena do parque de diversões abandonado, onde Michael foi escondido e preso, com as imagens das salas com espelhos distorcidos, as paredes e pisos que lembram de imediato o expressionismo de O Gabinete do Dr. Caligari, reforçando a confusão e o atordoamento mental em que se encontra o próprio personagem – enquanto sua voz em “off” nos explica as causas de tal confusão - justificam e coroam toda a trama até então com um toque um tanto inocente e ainda sem toda a devida consistência do gênero.
O labirinto dos espelhos revela a imagem dos personagens duplicados, tal qual seus dramas, conflitos e mesmo a dualidade de sua personalidades, onde a verdade se revela e os "tubarões" finalmente se encontram, cansados de lutar por algo já desgastado e não lhes resta nada além da morte.
A Dama de Shanghai sem dúvida imortalizou-se como um dos ícones do Noir pela trama e as cenas atordoantes e labirínticas entre espelhos que revelam a dualidade do ser. Dualidade esta a ponto de culminar em um final trágico e um homem a salvo de toda a culpa, menos da lembrança do desejo por uma mulher que parece que não o abandonará até o final de seus dias.
Uma viagem sobre a noite e as sombras
Truffault diz que "o noir excita o imaginário". E não seria esta a base de boa parte das tramas Noir, em suas noites cheias de névoas e vultos que não distinguimos por completo, expondo os personagens a toda sorte, à mercê da insegurança sobre o desfecho de tal situação?
Em uma conversa e análise de todo o estudo sobre o Noir, Tina, coordenadora do curso da pós descreveu que "A sombra é a metáfora mais clara da dupla visão sombreada do real, que escapa às teses iluministas e cartesianas do mundo".
Ou seja, o Iluminismo pretendia trazer à luz toda a verdade, disponível a qualquer indivíduo, verdade sempre controlada pelo Clero e mantida enclausurada até então, distante do homem que via-se controlado pelo medo.
Mas o homem é esse ser obscuro que nem mesmo se conhece por completo, tamanha mutação que vive a cada fase da vida e ainda de acordo com certas influências externas. Há uma sombra no auto conhecimento, e ainda, a sombra que encobre desejos e possibilidades de atos muitas vezes impensáveis.
O Iluminismo trouze a luz ao homem, mas desconhecia ou deslechou-se em perceber que essa verdade não seria o bastante ou toda a verdade, uma vez que o homem é dual e complexo, tal como a análise de Nietszche sobre o bem e o mal, onde diz que não é possível analisar o ser por uma ou outra postura, tamanha sua complexidade e reações de acordo com o ambiente, seu histórico e a natureza do ser.
Referências:
GILLAIN, Anne. O cinema segundo François Truffaut, Ed Nova Fronteira.
NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm. Além do Bem e do Mal, Companhia de Bolso, 2005.
Em uma conversa e análise de todo o estudo sobre o Noir, Tina, coordenadora do curso da pós descreveu que "A sombra é a metáfora mais clara da dupla visão sombreada do real, que escapa às teses iluministas e cartesianas do mundo".
Ou seja, o Iluminismo pretendia trazer à luz toda a verdade, disponível a qualquer indivíduo, verdade sempre controlada pelo Clero e mantida enclausurada até então, distante do homem que via-se controlado pelo medo.
Mas o homem é esse ser obscuro que nem mesmo se conhece por completo, tamanha mutação que vive a cada fase da vida e ainda de acordo com certas influências externas. Há uma sombra no auto conhecimento, e ainda, a sombra que encobre desejos e possibilidades de atos muitas vezes impensáveis.
O Iluminismo trouze a luz ao homem, mas desconhecia ou deslechou-se em perceber que essa verdade não seria o bastante ou toda a verdade, uma vez que o homem é dual e complexo, tal como a análise de Nietszche sobre o bem e o mal, onde diz que não é possível analisar o ser por uma ou outra postura, tamanha sua complexidade e reações de acordo com o ambiente, seu histórico e a natureza do ser.
Referências:
GILLAIN, Anne. O cinema segundo François Truffaut, Ed Nova Fronteira.
NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm. Além do Bem e do Mal, Companhia de Bolso, 2005.
terça-feira, 31 de maio de 2011
Cartazes - The Lady From Shanghai - 1947
O clássico e muito comentado filme Noir A Dama de Shangai, filme de Orson Welles com a então esposa - já em vias de separação - Rita Rayworth, em diversos cartazes, em sua maioria produzidos em diversas ilustrações. Reparem na repetição de alguns cartazes com a bela Femme fatale em primeiro plano e o seduzido Michael O'Hara ao fundo.
Gostei particulamente do último com referências orientais e o segundo no estilo oriental de fato, que enfatiza a cena dos espelhos, cena esta que imortalizou uma característica do gênero que faz deste um exemplo sempre lembrado como citação.
Gostei particulamente do último com referências orientais e o segundo no estilo oriental de fato, que enfatiza a cena dos espelhos, cena esta que imortalizou uma característica do gênero que faz deste um exemplo sempre lembrado como citação.
segunda-feira, 30 de maio de 2011
Scarface - 1932
Scarface (1932)
93 min - USA
Crime | Drama | Film-Noir
Howard Hawks, Richard Rosson
Pode parecer uma tendência nostálgica, mas quando me deparo com um filme como o original de 1932, baseado no livro de Armitage Trail, com uma temática violenta e crua sobre gângsters muito bem produzido diretor Howard Hawks, não há como deixar de valorizar a grandeza da obra como ainda comparar com a releitura com Al Pacino e perceber suas evidentes diferenças.
O filme já inicia com um questionamento crítico acerca da falta de atitude governamental em relação a tomada da cidade pela ação violenta de gângsters, cobrando a devida postura para acabar com a criminalidade.
Com algumas diferenças de roteiro em relação a produção de 83, Tony Camonte é o empregado do poderoso gângster Johnny Lovo, e sua ambição e violência o levará mais tarde a assumir o poder, vivendo sempre com a polícia em seu encalço a fim de obter provas para capturá-lo. E claro, o fim de sua família, o melhor amigo, a irmã a quem venera e seu próprio destino estão fadados ao desfecho fatal.
O filme mostra com detalhes a ação violenta da gangue, que cobra os devedores de Lovo chegando a "queima de arquivo" ou devedores indesejáveis, onde a marca registrada de Tony é a chegada com um assobio de uma canção que prenuncia o assassinato da próxima vítima.
Vemos ainda a luta por território entre as gangues, com recados através de corpos sem vida deixados pelas ruas escuras, as ações no tráfico de armas, onde tal situação começa a ser questionada pela sociedade cobrando maior dedicação por parte da polícia que tem como dever defender a população.
Numa cena impressionante, os dias passam na folhinha tão rápido quanto os tiros de uma metralhadora faz seu serviço, mostrando a ação da máfia sem tréguas.
Tony Camonte é um homem engomado, com cabelos empastelados de brilhantina e as roupas de fino caimento, porém a fala dura, os gestos vulgares e a petulância de conquistar a qualquer preço o que deseja mostra sua verdadeira essência, detalhes que parecem não incomodar a esposa de Lovo que em muitas cenas parece gostar de seu ar petulante e deixa a visão de interessar-se por estar em sua companhia.
The World is Yours é visto da janela de Tony e este a tem como uma mensagem destinada a sua pessoa, e a mensagem está presente ao final do filme, com seu assasinato pela polícia na calçada em frente a sua casa, onde o luminoso prossegue no avançar da noite diante do final trágico diante de si.
Várias cenas são referências para as influências que nos remete ao Noir, como os diálogos cortantes, a sombra no início do filme que surge ao som de um assobio e realiza o assassinato do último grande líder de gangue Big Louis Costillo, o contraste do claro-escuro na cena de um beco onde de uma parede de tijolos vemos várias silhuetas de homens dispostos lado a lado e são exterminados pelo som de tiros de metralhadoras. Vale lembrar ainda algumas cenas onde a luz atravessa as frestas das janelas, como na cena em que Tony conversa com o detetive, afirmando sua inocência frente a qualquer acusação de atos criminosos.
Scarface apresenta muita ação e violência, onde a ambição de tomar tudo para si é a máxima em todo o filme.
E como todo bom filme de gângster, o final fatal encerra a trama, com raras exceções, é certo, como Don Corleone que morre em casa e junto da família, mas claro que não se trata da constante que nos deparamos com a maioria dos filmes do gênero.
O que é importante dizer é que Scarface de 32 é um filme consistente e digno de ser visto.
O filme de 83, com Al Pacino, não deixa de ser interessante, mas perde muito do brilho após conhecer este de que falo. Michelle Pfiffer é insossa no papel, não há química entre ela e Pacino, pouco mostra-se de fato as ações dos gângsters e algumas cenas de tiroteio batariam por menor tempo de filmagem. No caso de Scarface de Hawks, as mulheres, tanto a irmã como a mulher de Lovo tem muito mais personalidade e atitude. Tony é o gângster nato, portando uma bela cicatriz no rosto e a malícia do bandido sem escrúpulos. As cenas de perseguição e violência urbana intensificam o clima e nos remete à cidade acuada.
Passei um dia inteiro baixando 8 partes mais a legenda - que então mostrou-se em alemão, então descartei e preferi assistir na íntegra em inglês - e posso dizer que valeu cada minuto de espera para assitir a obra na íntegra, que até então só conhecia partes assistidas no YouTube, este mais uma vez colaborando com alguns trechos para ilustrar este post e quem sabe, aguçar a curiosidade do leitor e estimular a procura para assistir ao filme.
93 min - USA
Crime | Drama | Film-Noir
Howard Hawks, Richard Rosson
Pode parecer uma tendência nostálgica, mas quando me deparo com um filme como o original de 1932, baseado no livro de Armitage Trail, com uma temática violenta e crua sobre gângsters muito bem produzido diretor Howard Hawks, não há como deixar de valorizar a grandeza da obra como ainda comparar com a releitura com Al Pacino e perceber suas evidentes diferenças.
O filme já inicia com um questionamento crítico acerca da falta de atitude governamental em relação a tomada da cidade pela ação violenta de gângsters, cobrando a devida postura para acabar com a criminalidade.
Com algumas diferenças de roteiro em relação a produção de 83, Tony Camonte é o empregado do poderoso gângster Johnny Lovo, e sua ambição e violência o levará mais tarde a assumir o poder, vivendo sempre com a polícia em seu encalço a fim de obter provas para capturá-lo. E claro, o fim de sua família, o melhor amigo, a irmã a quem venera e seu próprio destino estão fadados ao desfecho fatal.
O filme mostra com detalhes a ação violenta da gangue, que cobra os devedores de Lovo chegando a "queima de arquivo" ou devedores indesejáveis, onde a marca registrada de Tony é a chegada com um assobio de uma canção que prenuncia o assassinato da próxima vítima.
Vemos ainda a luta por território entre as gangues, com recados através de corpos sem vida deixados pelas ruas escuras, as ações no tráfico de armas, onde tal situação começa a ser questionada pela sociedade cobrando maior dedicação por parte da polícia que tem como dever defender a população.
Numa cena impressionante, os dias passam na folhinha tão rápido quanto os tiros de uma metralhadora faz seu serviço, mostrando a ação da máfia sem tréguas.
Tony Camonte é um homem engomado, com cabelos empastelados de brilhantina e as roupas de fino caimento, porém a fala dura, os gestos vulgares e a petulância de conquistar a qualquer preço o que deseja mostra sua verdadeira essência, detalhes que parecem não incomodar a esposa de Lovo que em muitas cenas parece gostar de seu ar petulante e deixa a visão de interessar-se por estar em sua companhia.
The World is Yours é visto da janela de Tony e este a tem como uma mensagem destinada a sua pessoa, e a mensagem está presente ao final do filme, com seu assasinato pela polícia na calçada em frente a sua casa, onde o luminoso prossegue no avançar da noite diante do final trágico diante de si.
Várias cenas são referências para as influências que nos remete ao Noir, como os diálogos cortantes, a sombra no início do filme que surge ao som de um assobio e realiza o assassinato do último grande líder de gangue Big Louis Costillo, o contraste do claro-escuro na cena de um beco onde de uma parede de tijolos vemos várias silhuetas de homens dispostos lado a lado e são exterminados pelo som de tiros de metralhadoras. Vale lembrar ainda algumas cenas onde a luz atravessa as frestas das janelas, como na cena em que Tony conversa com o detetive, afirmando sua inocência frente a qualquer acusação de atos criminosos.
Scarface apresenta muita ação e violência, onde a ambição de tomar tudo para si é a máxima em todo o filme.
E como todo bom filme de gângster, o final fatal encerra a trama, com raras exceções, é certo, como Don Corleone que morre em casa e junto da família, mas claro que não se trata da constante que nos deparamos com a maioria dos filmes do gênero.
O que é importante dizer é que Scarface de 32 é um filme consistente e digno de ser visto.
O filme de 83, com Al Pacino, não deixa de ser interessante, mas perde muito do brilho após conhecer este de que falo. Michelle Pfiffer é insossa no papel, não há química entre ela e Pacino, pouco mostra-se de fato as ações dos gângsters e algumas cenas de tiroteio batariam por menor tempo de filmagem. No caso de Scarface de Hawks, as mulheres, tanto a irmã como a mulher de Lovo tem muito mais personalidade e atitude. Tony é o gângster nato, portando uma bela cicatriz no rosto e a malícia do bandido sem escrúpulos. As cenas de perseguição e violência urbana intensificam o clima e nos remete à cidade acuada.
Passei um dia inteiro baixando 8 partes mais a legenda - que então mostrou-se em alemão, então descartei e preferi assistir na íntegra em inglês - e posso dizer que valeu cada minuto de espera para assitir a obra na íntegra, que até então só conhecia partes assistidas no YouTube, este mais uma vez colaborando com alguns trechos para ilustrar este post e quem sabe, aguçar a curiosidade do leitor e estimular a procura para assistir ao filme.
domingo, 29 de maio de 2011
Scarface - The World is Yours
Scarface
1983 - 170 min
Crime | Drama | Thriller
Brian De Palma
Alta violência, ambição desmedida, ação imediata para conquistar o desejado, jogos arriscados e mortes, muitas mortes. Eu diria que essa é a base de Scarface.
Em 1980, Tony Montana, um cubano que foge da tirania de Fidel junto com seu grande amigo, pede asilo nos Estados Unidos e aguarda em um campo de refugiados a liberação de seu Green Card para partir para a Flórida e recomeçar a vida, o que consegue com o assassinato de um ex-assessor de Fidel, a mando de um rico comerciante de cocaína, que mais tarde será seu patrão, após uma arriscada mas bem-sucedida transação que o destaca como um homem interessante para os negócios em Miami.
Tony é o homem que passa por cima de quem julga fraco - como seu chefe, desejando inclusive sua mulher (Michelle Pfiffer) - tomando a frente na negociações com o poderoso e perigoso traficante da Bolívia Alejandro Sosa, o que lhe proporciona uma ascenção meteórica de ganhos e poder, porém na mesma medida os inimigos, os perigos e a paranoia de controlar tudo e quase temer a própria sombra.
Tony Montana é o "ladrão de galinhas cubano" que decide vencer na vida a qualquer preço. Ele passa por cima de tudo e todos, até mesmo da felicidade de sua família, mesmo com a constante afirmação de que faz tudo em busca de sua proteção e bem-estar. Como diz sua mãe, ele estraga tudo em que toca ou se aproxima.
Vemos sua degradação a passos largos, do distanciamento até o abandono da esposa - sim, Tony mata seu ex-chefe, toma para si a insossa esposa drogada que em pouco tempo o despreza - da irmã que o venera até que este a faz infeliz matando seu marido, outra situação que sugere uma espécie de desejo incestuoso que o faz não permitir que nenhum homem aproxime-se dela, e finalmente sua entrega a bebidas e drogas, numa cena final em que sua mesa é um mar de pó em que este mergulha o nariz e suga o quanto pode, deixando-o fora de si ao ponto de levá-lo a morte com a invasão de diversos atiradores em sua mansão, terminando em uma chacina e corpos banhados em sangue.
E assim termina a trajetória de Tony Montana, caído nas águas do chafariz no meio da grande e luxosa sala, onde vemos o grande globo com a inscrição "The World is Yours".
Algumas considerações que podemos ainda fazer é sobre o papel de Al Pacino que difere dos muitos papéis de gângsters que o vemos protagonizano, sempre mais refinados. Em Scarface, ele é o homem sem refino nem tutano. Parece agir mais por impulso e de acordo com seu estado de ânimo, diferente em O Poderoso Chefão, onde ele é o estrategista, o que o faz o preferido de Don Corleone e o mais apropriado para assumir os "negócios" da família.
Analisando sobre aspectos da influência dos filmes de gângsters com o noir, eu citaria os temas como ambição, o clima violento e a tragédia familiar, encabeçada pelo protagonista que parece ter nascido para o final fatal.
Trata-se de um filme duro, violento e sangrento. Brian de Palma dirigiu com maestria este Triller, mostrando a face sórdida do mundo do crime e o final a que os grandes nomes desse mundo estão fadados e deparar-se.
1983 - 170 min
Crime | Drama | Thriller
Brian De Palma
Alta violência, ambição desmedida, ação imediata para conquistar o desejado, jogos arriscados e mortes, muitas mortes. Eu diria que essa é a base de Scarface.
Em 1980, Tony Montana, um cubano que foge da tirania de Fidel junto com seu grande amigo, pede asilo nos Estados Unidos e aguarda em um campo de refugiados a liberação de seu Green Card para partir para a Flórida e recomeçar a vida, o que consegue com o assassinato de um ex-assessor de Fidel, a mando de um rico comerciante de cocaína, que mais tarde será seu patrão, após uma arriscada mas bem-sucedida transação que o destaca como um homem interessante para os negócios em Miami.
Tony é o homem que passa por cima de quem julga fraco - como seu chefe, desejando inclusive sua mulher (Michelle Pfiffer) - tomando a frente na negociações com o poderoso e perigoso traficante da Bolívia Alejandro Sosa, o que lhe proporciona uma ascenção meteórica de ganhos e poder, porém na mesma medida os inimigos, os perigos e a paranoia de controlar tudo e quase temer a própria sombra.
Tony Montana é o "ladrão de galinhas cubano" que decide vencer na vida a qualquer preço. Ele passa por cima de tudo e todos, até mesmo da felicidade de sua família, mesmo com a constante afirmação de que faz tudo em busca de sua proteção e bem-estar. Como diz sua mãe, ele estraga tudo em que toca ou se aproxima.
Vemos sua degradação a passos largos, do distanciamento até o abandono da esposa - sim, Tony mata seu ex-chefe, toma para si a insossa esposa drogada que em pouco tempo o despreza - da irmã que o venera até que este a faz infeliz matando seu marido, outra situação que sugere uma espécie de desejo incestuoso que o faz não permitir que nenhum homem aproxime-se dela, e finalmente sua entrega a bebidas e drogas, numa cena final em que sua mesa é um mar de pó em que este mergulha o nariz e suga o quanto pode, deixando-o fora de si ao ponto de levá-lo a morte com a invasão de diversos atiradores em sua mansão, terminando em uma chacina e corpos banhados em sangue.
E assim termina a trajetória de Tony Montana, caído nas águas do chafariz no meio da grande e luxosa sala, onde vemos o grande globo com a inscrição "The World is Yours".
Algumas considerações que podemos ainda fazer é sobre o papel de Al Pacino que difere dos muitos papéis de gângsters que o vemos protagonizano, sempre mais refinados. Em Scarface, ele é o homem sem refino nem tutano. Parece agir mais por impulso e de acordo com seu estado de ânimo, diferente em O Poderoso Chefão, onde ele é o estrategista, o que o faz o preferido de Don Corleone e o mais apropriado para assumir os "negócios" da família.
Analisando sobre aspectos da influência dos filmes de gângsters com o noir, eu citaria os temas como ambição, o clima violento e a tragédia familiar, encabeçada pelo protagonista que parece ter nascido para o final fatal.
Trata-se de um filme duro, violento e sangrento. Brian de Palma dirigiu com maestria este Triller, mostrando a face sórdida do mundo do crime e o final a que os grandes nomes desse mundo estão fadados e deparar-se.
sábado, 28 de maio de 2011
Um olá ao leitor.
Após a tão esperada apresentação do trabalho final da pós - ufa, bem-sucedida por sinal - e uma semana de freelas em design que não me permitiram cuidar de novas postagens, retorno à casa para dizer-vos que não abandonei este espaço negro e sombrio, mas que retornarei muito em breve com novidades, como uma comparação, em homenagem a mais nova conhecida e apaixonada pelo gênero Aline, do filme Scarface de 32, e com Al Pacino, de 83.
Em seguida, tentarei falar da grande obra Blade Runner, considerado um technoir.
Deixo como retorno os alguns cartazes do gênero, muitas vezes relacionado como gênero de filme de gângster ou noir, sempre tão violento e sombrio que merece a comparação e citação, de Scarface.
Aguardem os próximos posts.
Em seguida, tentarei falar da grande obra Blade Runner, considerado um technoir.
Deixo como retorno os alguns cartazes do gênero, muitas vezes relacionado como gênero de filme de gângster ou noir, sempre tão violento e sombrio que merece a comparação e citação, de Scarface.
Aguardem os próximos posts.
domingo, 22 de maio de 2011
Cinema Noir - Espelho E Fotografia
Autor: ORTEGOSA, MARCIA
Editora: ANNABLUME
Assunto: CINEMA
140 págs.
2010
Mais uma indicação de livro sobre o Noir, desta vez o exemplar de Marcia Ortegosa que escreve este livro a partir de uma tese, e contribui bastante para o leitor que quer iniciar seus conhecimentos a respeito do gênero.
Sinopse: The Lady from Shangai' (1948), 'Blade Runner' (1982) e 'The Public Eye' (1992) são os três filmes do núcleo deste livro. Juntando os fragmentos, os indícios na busca da revelação do que se esconde, apresentam semelhantes processamentos de linguagem. Nessa cadeia de significações, chega-se ao outro, o espelho sígnico, resgatando as conotações e ambiguidades que a estética de sombra e luzes do noir propicia. Espelho e fotografia (dois modos de parar o tempo) são metáforas da reflexão crítica, da 'pensatividade'. A fotografia, com o congelamento das imagens, rompe a velocidade do tempo. O espelho cria duplicatas, fragmentações. Através desses dois elementos estéticos, esse livro discute questões ligadas ao tempo, ao espaço e a representação. Numa abordagem metalinguística e intertextual, este trabalho procura dialogar com as artes pictóricas, a literatura, a fotografia, o cinema e o universo fílmico, pensando as imagens num processo relacional, em constante atualização e espelhamento.
Editora: ANNABLUME
Assunto: CINEMA
140 págs.
2010
Mais uma indicação de livro sobre o Noir, desta vez o exemplar de Marcia Ortegosa que escreve este livro a partir de uma tese, e contribui bastante para o leitor que quer iniciar seus conhecimentos a respeito do gênero.
Sinopse: The Lady from Shangai' (1948), 'Blade Runner' (1982) e 'The Public Eye' (1992) são os três filmes do núcleo deste livro. Juntando os fragmentos, os indícios na busca da revelação do que se esconde, apresentam semelhantes processamentos de linguagem. Nessa cadeia de significações, chega-se ao outro, o espelho sígnico, resgatando as conotações e ambiguidades que a estética de sombra e luzes do noir propicia. Espelho e fotografia (dois modos de parar o tempo) são metáforas da reflexão crítica, da 'pensatividade'. A fotografia, com o congelamento das imagens, rompe a velocidade do tempo. O espelho cria duplicatas, fragmentações. Através desses dois elementos estéticos, esse livro discute questões ligadas ao tempo, ao espaço e a representação. Numa abordagem metalinguística e intertextual, este trabalho procura dialogar com as artes pictóricas, a literatura, a fotografia, o cinema e o universo fílmico, pensando as imagens num processo relacional, em constante atualização e espelhamento.
The Art Of Noir
Autor: MULLER, EDDIE
Editora: OVERLOOK PRESS
Assunto: CINEMA
2004
Estava circulando pela Livraria Cultura, na sessão de cinema, a procura de um livro que fala do cinema dos anos 60/70, e eis que me deparo com este interessante livro com nada menos que diversos cartazes dirigidos exclusivamente ao filme Noir.
Durante a era dourada do noir, estúdios encomendavam ilustrações para prender a atenção ao mais humilde thriller 'B', divulgando em detalhes o filme por meio da arte do cartaz.
The Art of Noir, segundo as editoras, é o primeiro livro a apresentar esta obra notável em grande formato, com mais de 250 cartazes deslumbrantes, lobby cards e material promocional.
Você encontrará clássicos como Out of the Past, The Big Sleep, podendo checar a arte dos cartazes de filmes raros. O perito em Noir Eddie Muller fornece informações básicas sobre os créditos aos ilustradores.
Sem dúvida, é uma boa referência não só do gênero como da arte do cartaz cinematográfico, a maioria neste caso em belas ilustrações.
domingo, 8 de maio de 2011
Os 50 melhores Noir, segundo o imdb
1. 8.7 Sunset Blvd. (1950)
2. 8.6 Double Indemnity (1944)
3. 8.5 The Third Man (1949)
4. 8.4 The Maltese Falcon (1941)
5. 8.3 Touch of Evil (1958)
6. 8.3 Strangers on a Train (1951)
7. 8.2 Notorious (1946)
8. 8.2 The Big Sleep (1946)
9. 8.2 Ace in the Hole (1951)
10. 8.2 White Heat (1949) - **
11. 8.2 Rififi (1955)
12. 8.2 The Night of the Hunter (1955)
13. 8.2 The Killing (1956)
14. 8.2 Laura (1944)
15. 8.2 Sweet Smell of Success (1957)
16. 8.1 Shadow of a Doubt (1943)
17. 8.1 Out of the Past (1947)
18. 8.0 In a Lonely Place (1950)
19. 8.0 Night and the City (1950)
20. 8.0 The Big Heat (1953)
21. 8.0 Key Largo (1948)
22. 8.0 The Killers (1946)
23. 7.9 The Asphalt Jungle (1950)
24. 7.9 Mildred Pierce (1945)
25. 7.9 Angels with Dirty Faces (1938)
26. 7.9 Pickup on South Street (1953)
27. 7.9 Scarface (1932) - **
28. 7.9 Body and Soul (1947)
29. 7.9 Scarlet Street (1945)
30. 7.9 Bob le Flambeur (1956)
31. 7.9 The Set-Up (1949)
32. 7.8 Gun Crazy (1950)
33. 7.8 Thieves' Highway (1949)
34. 7.8 The Woman in the Window (1944)
35. 7.8 The Narrow Margin (1952)
36. 7.8 Nightmare Alley (1947)
37. 7.8 The Letter (1940)
38. 7.8 Gilda (1946) 9,603
39. 7.8 The Lady from Shanghai (1947)
40. 7.7 The Big Clock (1948)
41. 7.7 The Naked City (1948)
42. 7.7 Brute Force (1947)
43. 7.7 Where the Sidewalk Ends (1950)
44. 7.7 Kiss Me Deadly (1955)
45. 7.7 Murder, My Sweet (1944)
46. 7.7 This Gun for Hire (1942)
47. 7.7 Spellbound (1945)
48. 7.6 Detective Story (1951)
49. 7.6 Leave Her to Heaven (1945)
50. 7.6 High Sierra (1941) - **
** Em outras pesquisas, estes são citados como filmes de gângsters.
http://www.imdb.com/chart/filmnoir
2. 8.6 Double Indemnity (1944)
3. 8.5 The Third Man (1949)
4. 8.4 The Maltese Falcon (1941)
5. 8.3 Touch of Evil (1958)
6. 8.3 Strangers on a Train (1951)
7. 8.2 Notorious (1946)
8. 8.2 The Big Sleep (1946)
9. 8.2 Ace in the Hole (1951)
10. 8.2 White Heat (1949) - **
11. 8.2 Rififi (1955)
12. 8.2 The Night of the Hunter (1955)
13. 8.2 The Killing (1956)
14. 8.2 Laura (1944)
15. 8.2 Sweet Smell of Success (1957)
16. 8.1 Shadow of a Doubt (1943)
17. 8.1 Out of the Past (1947)
18. 8.0 In a Lonely Place (1950)
19. 8.0 Night and the City (1950)
20. 8.0 The Big Heat (1953)
21. 8.0 Key Largo (1948)
22. 8.0 The Killers (1946)
23. 7.9 The Asphalt Jungle (1950)
24. 7.9 Mildred Pierce (1945)
25. 7.9 Angels with Dirty Faces (1938)
26. 7.9 Pickup on South Street (1953)
27. 7.9 Scarface (1932) - **
28. 7.9 Body and Soul (1947)
29. 7.9 Scarlet Street (1945)
30. 7.9 Bob le Flambeur (1956)
31. 7.9 The Set-Up (1949)
32. 7.8 Gun Crazy (1950)
33. 7.8 Thieves' Highway (1949)
34. 7.8 The Woman in the Window (1944)
35. 7.8 The Narrow Margin (1952)
36. 7.8 Nightmare Alley (1947)
37. 7.8 The Letter (1940)
38. 7.8 Gilda (1946) 9,603
39. 7.8 The Lady from Shanghai (1947)
40. 7.7 The Big Clock (1948)
41. 7.7 The Naked City (1948)
42. 7.7 Brute Force (1947)
43. 7.7 Where the Sidewalk Ends (1950)
44. 7.7 Kiss Me Deadly (1955)
45. 7.7 Murder, My Sweet (1944)
46. 7.7 This Gun for Hire (1942)
47. 7.7 Spellbound (1945)
48. 7.6 Detective Story (1951)
49. 7.6 Leave Her to Heaven (1945)
50. 7.6 High Sierra (1941) - **
** Em outras pesquisas, estes são citados como filmes de gângsters.
http://www.imdb.com/chart/filmnoir
O neorealismo italiano, a visão da realidade.
Outra influência do Noir que enfatiza a temática realista, repudiando o cinema espetáculo, é o neorealimo itaiano, movimento que reagiu ao fascismo e à participação italiana na Segunda Guerra Mundial, retratando a classe trabalhadora urbana de então, assombrada pelo desemprego. Com duração em torno de 10 anos (1943 a 1953), seu período mais significativo ocorreu de 45 a 48.
Marcada pela ditadura de Benito Mussolini nas décadas anteriores, a Itália do pós-guerra era um país devastado, com uma economia em grandes dificuldades e que sentia a difícil transição da agricultura para a indústria. Esta realidade não se via no cinema italiano, com temas fantasiosos e irreais, além de produções vindas de Hollywood. Neste contexto, os neo-realistas reclamavam que o cinema devia “enxergar” e analisar a realidade, mostrando a vida italiana sem embelezamento. A filosofia do neo-realismo, cujas fundações foram estabelecidas pelo poeta e argumentista Cesare Zavattini, tinha uma preocupação humanista, onde se enfatizava a vida real e o espírito coletivo.
A renovação ocorre na temática, na linguagem e na relação com o público. Com poucos recursos, linguagem mais simples, temáticas contestadoras, atores não-profissionais e tomadas ao ar livre os filmes retratam o dia-a-dia de proletários, camponeses e pequena burguesia, imersos em um ambiente injusto e fatalista, sempre encontrando a frustração na eterna busca por melhores condições de vida, características ue se originam do realismo poético francês.
O cinema neorrealista italiano caracterizou-se pelo uso de elementos da realidade, aproximando-se do filme documentário. Ao contrário do cinema tradicional de ficção, o neo-realismo buscou representar a realidade social e econômica de uma época.
"Obsessão" (Ossessione - 1943), de Luchino Visconti, é considerada a obra inaugural do neo-realismo. A trilogia de Roberto Rosselini, Roma, "Cidade Aberta" (Roma, città aperta / Rome, Open City - 1945), "Paisà" (Paisà - 1946) e "Alemanha, Ano Zero" (Germania Anno Zero / Germany Year Zero - 1947), ao lado de "Ladrões de Bicicleta" (Ladri di Biciclette / The Bicycle Thief - 1948) e "Umberto D" (Umberto D - 1952), de Vittorio De Sica, constituem os grandes marcos do movimento. Destacam-se também "A Romana" (La Romana / Woman of Rome - 1954), de Luigi Zampa, "O Capote" (Il Cappotto / The Overcoat - 1952), de Alberto Lattuada, "O Ferroviário" (Il Ferroviere / Man of Iron / The Railroad Man - 1956), de Pietro Germi, e "A Terra Treme" (La Terra trema / The Earth Trembles - 1948), de Visconti.
Vittorio De Sica e o roteirista Cesare Zavattini realizam as maiores obras do neo-realismo: "Milagre em Milão" (Miracolo a Milano / Miracle in Milan - 1950) e "O Teto" (Il Tetto / The Roof / Le Toit - 1956). Recebe três Oscars de filme estrangeiro por "Ontem, Hoje e Amanhã" (Ieri, Oggi e Domani / Yesterday, Today and Tomorrow - 1963), "Casamento à Italiana" (Matrimonio all'Italiana / Marriage Italian-Style - 1964) e "O Jardim dos Finzi Contini" (Il Giardino dei Finzi-Contini / The Garden of the Finzi-Continis - 1971).
Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Neorrealismo_italiano
História do Cinema: http://www.webcine.com.br/historia2.htm
Neo-Realismo Cinematografico Italiano, O - EDUSP
Marcada pela ditadura de Benito Mussolini nas décadas anteriores, a Itália do pós-guerra era um país devastado, com uma economia em grandes dificuldades e que sentia a difícil transição da agricultura para a indústria. Esta realidade não se via no cinema italiano, com temas fantasiosos e irreais, além de produções vindas de Hollywood. Neste contexto, os neo-realistas reclamavam que o cinema devia “enxergar” e analisar a realidade, mostrando a vida italiana sem embelezamento. A filosofia do neo-realismo, cujas fundações foram estabelecidas pelo poeta e argumentista Cesare Zavattini, tinha uma preocupação humanista, onde se enfatizava a vida real e o espírito coletivo.
A renovação ocorre na temática, na linguagem e na relação com o público. Com poucos recursos, linguagem mais simples, temáticas contestadoras, atores não-profissionais e tomadas ao ar livre os filmes retratam o dia-a-dia de proletários, camponeses e pequena burguesia, imersos em um ambiente injusto e fatalista, sempre encontrando a frustração na eterna busca por melhores condições de vida, características ue se originam do realismo poético francês.
O cinema neorrealista italiano caracterizou-se pelo uso de elementos da realidade, aproximando-se do filme documentário. Ao contrário do cinema tradicional de ficção, o neo-realismo buscou representar a realidade social e econômica de uma época.
"Obsessão" (Ossessione - 1943), de Luchino Visconti, é considerada a obra inaugural do neo-realismo. A trilogia de Roberto Rosselini, Roma, "Cidade Aberta" (Roma, città aperta / Rome, Open City - 1945), "Paisà" (Paisà - 1946) e "Alemanha, Ano Zero" (Germania Anno Zero / Germany Year Zero - 1947), ao lado de "Ladrões de Bicicleta" (Ladri di Biciclette / The Bicycle Thief - 1948) e "Umberto D" (Umberto D - 1952), de Vittorio De Sica, constituem os grandes marcos do movimento. Destacam-se também "A Romana" (La Romana / Woman of Rome - 1954), de Luigi Zampa, "O Capote" (Il Cappotto / The Overcoat - 1952), de Alberto Lattuada, "O Ferroviário" (Il Ferroviere / Man of Iron / The Railroad Man - 1956), de Pietro Germi, e "A Terra Treme" (La Terra trema / The Earth Trembles - 1948), de Visconti.
Vittorio De Sica e o roteirista Cesare Zavattini realizam as maiores obras do neo-realismo: "Milagre em Milão" (Miracolo a Milano / Miracle in Milan - 1950) e "O Teto" (Il Tetto / The Roof / Le Toit - 1956). Recebe três Oscars de filme estrangeiro por "Ontem, Hoje e Amanhã" (Ieri, Oggi e Domani / Yesterday, Today and Tomorrow - 1963), "Casamento à Italiana" (Matrimonio all'Italiana / Marriage Italian-Style - 1964) e "O Jardim dos Finzi Contini" (Il Giardino dei Finzi-Contini / The Garden of the Finzi-Continis - 1971).
Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Neorrealismo_italiano
História do Cinema: http://www.webcine.com.br/historia2.htm
Neo-Realismo Cinematografico Italiano, O - EDUSP
O realismo poético francês
Mais uma influência sobre o gênero Noir que visa o retrato mais próximo da realidade frente as questões humanas e sociais é o realismo poético francês, um movimento surgido a partir da metade da década de 1930, logo após o advento tecnológico que deu origem ao cinema falado (1927), onde a produção The Jazz Singer - O Cantor de Jazz parece ter sido o marco inicial dessa nova fase do cinema norte-americano, espalhado em seguida para todo o mundo.
O cinema se converteu em um espetáculo visual e sonoro, destinado ao público em geral - inclusive a burguesia que até então desprezava o cinema por considerá-la uma arte destinada somente às massas, passando a enxergá-lo como meio de encontro social - e passou a dar mais importância aos elementos narrativos, o que levou, além do predomínio das produções glamourosas dos musicais, à arte do realismo e a dramaticidade do dia-a-dia.
Diante de tal mudança, os diretores franceses trocaram a vanguarda experimental por uma estética naturalista, iniciada por René Clair com Sous les toits de Paris (1930; Sob os telhados de Paris), a realidade melancólica em Million (1931; O milhão), À nous la liberté (1932; Viva a liberdade) e outras comédias. Jean Renoir desvendou com violência, ironia e compaixão as fraquezas humanas em Les Bas-fonds (1936; Bas-fonds), La Grande Illusion (1937; A grande ilusão) e La Règle du jeu (1939; A regra do jogo), estes últimos indicados crítica como dois dos maiores filmes do mundo.
Mas para a crítica, a obra O Atalante de Jean Vigo (1934), filme que descreve de forma poética as desventuras de um casal em viagem de lua-de-mel em uma pequena barca, com ambientes populares dos subúrbios das cidades francesas situadas às margens do rio navegado, é considerada o marco zero do realismo poético francês, representando a quebra da estética em relação ao cinema de vanguarda que imperava na França até então.
O naturalismo e o realismo que dominaram a tela francesa na década de 1930 apresentava personagens das classes populares em ambientes sórdidos, tratados com poesia e pessimismo. Os diretores que participaram com realce dessa fase foram Marcel Carné, Jacques Feyder, Julien Duvivier, Pierre Chenal e Marc Allegret. No âmbito populista, o maior nome foi Marcel Pagnol.
Os temas de fatalismo e injustiça que caracterizaram o realismo poético francês influenciaram o estilo filme Noir, gênero com suas histórias policiais que retratam personagens cínicos imersos em um ambiente de corrupção e devassidão. Filmes como Farrapo Humano (The Lost Weekend - 1945) e No silêncio da noite (In a Lonely Place - 1950), de maneira similar aos da primeira fase do realismo poético francês, apresentavam como protagonistas pessoas oprimidas presas a uma vida ordinária.
Com o fim da segunda guerra mundial, o cinema internacional entrou numa fase de transição que repudiava as formas tradicionais de produção e um inédito compromisso ético dos artistas. Assumindo atitude mais crítica em relação aos problemas humanos, o cinema rompeu com a tirania dos estúdios e passou a procurar nas ruas o encontro de pessoas e realidades.
O cinema se converteu em um espetáculo visual e sonoro, destinado ao público em geral - inclusive a burguesia que até então desprezava o cinema por considerá-la uma arte destinada somente às massas, passando a enxergá-lo como meio de encontro social - e passou a dar mais importância aos elementos narrativos, o que levou, além do predomínio das produções glamourosas dos musicais, à arte do realismo e a dramaticidade do dia-a-dia.
Diante de tal mudança, os diretores franceses trocaram a vanguarda experimental por uma estética naturalista, iniciada por René Clair com Sous les toits de Paris (1930; Sob os telhados de Paris), a realidade melancólica em Million (1931; O milhão), À nous la liberté (1932; Viva a liberdade) e outras comédias. Jean Renoir desvendou com violência, ironia e compaixão as fraquezas humanas em Les Bas-fonds (1936; Bas-fonds), La Grande Illusion (1937; A grande ilusão) e La Règle du jeu (1939; A regra do jogo), estes últimos indicados crítica como dois dos maiores filmes do mundo.
Mas para a crítica, a obra O Atalante de Jean Vigo (1934), filme que descreve de forma poética as desventuras de um casal em viagem de lua-de-mel em uma pequena barca, com ambientes populares dos subúrbios das cidades francesas situadas às margens do rio navegado, é considerada o marco zero do realismo poético francês, representando a quebra da estética em relação ao cinema de vanguarda que imperava na França até então.
O naturalismo e o realismo que dominaram a tela francesa na década de 1930 apresentava personagens das classes populares em ambientes sórdidos, tratados com poesia e pessimismo. Os diretores que participaram com realce dessa fase foram Marcel Carné, Jacques Feyder, Julien Duvivier, Pierre Chenal e Marc Allegret. No âmbito populista, o maior nome foi Marcel Pagnol.
Os temas de fatalismo e injustiça que caracterizaram o realismo poético francês influenciaram o estilo filme Noir, gênero com suas histórias policiais que retratam personagens cínicos imersos em um ambiente de corrupção e devassidão. Filmes como Farrapo Humano (The Lost Weekend - 1945) e No silêncio da noite (In a Lonely Place - 1950), de maneira similar aos da primeira fase do realismo poético francês, apresentavam como protagonistas pessoas oprimidas presas a uma vida ordinária.
Com o fim da segunda guerra mundial, o cinema internacional entrou numa fase de transição que repudiava as formas tradicionais de produção e um inédito compromisso ético dos artistas. Assumindo atitude mais crítica em relação aos problemas humanos, o cinema rompeu com a tirania dos estúdios e passou a procurar nas ruas o encontro de pessoas e realidades.
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