Cartazes de Lady in the Lake, com uma variedade de pontos de vista visuais interessantes, como o "I want you" do tio Sam, os olhos que acompanharão e supostamente auxiliarão a desvendar o enigma, e ao final, um cartaz em preto e branco, enfatizando em detalhes a participação do espectador.
Experimento Noir é um espaço de troca de experiências e experimentos que bebam da fonte do gênero noir.
Participe para saber mais e envie a sua colaboração. Após análise, publico com crédito do experimentador.
sábado, 23 de abril de 2011
A dama do lago (Lady in the Lake - 1947)
Lady in the Lake (1947)
105 min - USA
Crime | Film-Noir | Mystery
Robert Montgomery
http://www.imdb.com/title/tt0039545/
Robert Montgomery, um ator de Hollywood, inicia seus experimentos como diretor a partir de A dama do lago, filme que possui uma série de características do Noir, mas sua característica principal está em extrapolar o uso da câmera subjetiva, onde os olhos do protagonista que percorrem as cenas identifica-se com o do espectador. O recurso é explorado na maior parte do filme, o que fez com que a crítica descrevesse o fato como uma repetição que leva ao tédio, o que não lhe permitiu grande bilheteria.
O público porém, considera uma obra-prima, tanto pelo uso da técnica da narrativa em primeira pessoa e o percurso pelos olhos do detetive, quanto pelo roteiro cheio de nuances, reviravoltas e perigos que promovem uma dinâmica interessante ao filme.
Anos 40. O detetive Phillipe Marlowe (Robert Montgomery) inicia o filme limpando sua arma, voltando-se para a câmera para conversar com o espectador. O personagem de Marlowe é o detetive criado pelo escritor Raymond Chandler - o filme baseia-se na história do famoso autor de romances policiais. Marlowe segue explicando sobre sua profissão e sobre as manchetes dos jornais sobre o "caso da dama do lago", uma investigação que está envolvido e com a qual convida o espectador a acompanhar a narrativa.
O flashback toma conta do filme, e o espectador a partir de então verá os acontecimentos tal qual visto por Marlowe.
Marlowe escreve um romance policial baseado em suas experiências, a fim de ganhar algum dinheiro. Após o envio para uma editora, a secretária Adrienne entra em contato mas para contratar seus serviços para descobrir sobre a suposta fuga da esposa do editor Kingsby, que parte para o México e ainda estaria envolvida em um assassinato.
Adrienne envolve-se amorosamente com Marlowe mas percebe-se que suas intenções são envolvê-lo numa trama que a beneficie. Adrienne seria a femme fatale, manipulando os personagens a fim de favorecer suas verdadeiras intenções.
Todo o filme segue em câmera subjetiva. Robert Montgomery só e visto em alguns momentos, particularmente quando apresenta e encerra o caso. Durante o desenrolar da história, só se ouve sua voz ou se vê suas mãos, por exemplo. Alguns ângulos de câmera revelam o reflexo de Marlowe por meio de um espelho. Outras vezes, a câmera sobe ou inclina-se para baixo, sugerindo a queda do personagem. Enquanto dirige um carro em uma perseguição, seu reflexo aparece ainda no retrovisor para acompanhar o perseguidor. As cenas lembraram muito o longo desenrolar em Dark Passage (já postado neste blog) com Humphrey Bogart, só o revelando após a cirurgia plástica que lhe confere a face do ator.
A técnica em primeira pessoa permitiu cenas incríveis como na sequência em que Marlowe está sendo perseguido em seu carro, e também quando ele arrasta-se por todo o cascalho em direção a um telefone público.
Em Lady in the Lake, a constância da câmera subjetiva aumenta o suspense, a paranóia e a desorientação - características do filme noir. Cada cena parece ainda um interrogatório, onde o espectador olha diretamente para quem está falando sozinho diante da câmera.
A dama do lago possui personagens intrigantes, tem uma estética muito bem dirigida, mantendo características estilísticas e narrativas do noir com certa propriedade.
Finalizando, é interessante mencionar, e vocês acompanharão pelo post dos cartazes, que a publicidade em torno do filme sempre relaciona que o espectador junto a Marlowe desvendarão juntos o assassinato: "You and Robert Montgomery solve a murder mystery together!".
105 min - USA
Crime | Film-Noir | Mystery
Robert Montgomery
http://www.imdb.com/title/tt0039545/
Robert Montgomery, um ator de Hollywood, inicia seus experimentos como diretor a partir de A dama do lago, filme que possui uma série de características do Noir, mas sua característica principal está em extrapolar o uso da câmera subjetiva, onde os olhos do protagonista que percorrem as cenas identifica-se com o do espectador. O recurso é explorado na maior parte do filme, o que fez com que a crítica descrevesse o fato como uma repetição que leva ao tédio, o que não lhe permitiu grande bilheteria.
O público porém, considera uma obra-prima, tanto pelo uso da técnica da narrativa em primeira pessoa e o percurso pelos olhos do detetive, quanto pelo roteiro cheio de nuances, reviravoltas e perigos que promovem uma dinâmica interessante ao filme.
Anos 40. O detetive Phillipe Marlowe (Robert Montgomery) inicia o filme limpando sua arma, voltando-se para a câmera para conversar com o espectador. O personagem de Marlowe é o detetive criado pelo escritor Raymond Chandler - o filme baseia-se na história do famoso autor de romances policiais. Marlowe segue explicando sobre sua profissão e sobre as manchetes dos jornais sobre o "caso da dama do lago", uma investigação que está envolvido e com a qual convida o espectador a acompanhar a narrativa.
O flashback toma conta do filme, e o espectador a partir de então verá os acontecimentos tal qual visto por Marlowe.
Marlowe escreve um romance policial baseado em suas experiências, a fim de ganhar algum dinheiro. Após o envio para uma editora, a secretária Adrienne entra em contato mas para contratar seus serviços para descobrir sobre a suposta fuga da esposa do editor Kingsby, que parte para o México e ainda estaria envolvida em um assassinato.
Adrienne envolve-se amorosamente com Marlowe mas percebe-se que suas intenções são envolvê-lo numa trama que a beneficie. Adrienne seria a femme fatale, manipulando os personagens a fim de favorecer suas verdadeiras intenções.
Todo o filme segue em câmera subjetiva. Robert Montgomery só e visto em alguns momentos, particularmente quando apresenta e encerra o caso. Durante o desenrolar da história, só se ouve sua voz ou se vê suas mãos, por exemplo. Alguns ângulos de câmera revelam o reflexo de Marlowe por meio de um espelho. Outras vezes, a câmera sobe ou inclina-se para baixo, sugerindo a queda do personagem. Enquanto dirige um carro em uma perseguição, seu reflexo aparece ainda no retrovisor para acompanhar o perseguidor. As cenas lembraram muito o longo desenrolar em Dark Passage (já postado neste blog) com Humphrey Bogart, só o revelando após a cirurgia plástica que lhe confere a face do ator.
A técnica em primeira pessoa permitiu cenas incríveis como na sequência em que Marlowe está sendo perseguido em seu carro, e também quando ele arrasta-se por todo o cascalho em direção a um telefone público.
Em Lady in the Lake, a constância da câmera subjetiva aumenta o suspense, a paranóia e a desorientação - características do filme noir. Cada cena parece ainda um interrogatório, onde o espectador olha diretamente para quem está falando sozinho diante da câmera.
A dama do lago possui personagens intrigantes, tem uma estética muito bem dirigida, mantendo características estilísticas e narrativas do noir com certa propriedade.
Finalizando, é interessante mencionar, e vocês acompanharão pelo post dos cartazes, que a publicidade em torno do filme sempre relaciona que o espectador junto a Marlowe desvendarão juntos o assassinato: "You and Robert Montgomery solve a murder mystery together!".
domingo, 17 de abril de 2011
You Only Live Once (Só se vive uma vez - 1937)
You Only Live Once (1937)
86 min - USA
Crime | Drama | Film-Noir
Fritz Lang
http://www.imdb.com/title/tt0029808/
Logo após escrever sobre Sombras do Mal, em que o foco temático está nos seres que sobrevivem a custa de trapaças, pois ao que parece, é o que lhes resta como saída ou já acostumaram-se a situação, acabo de assistir a mais um trabalho de Fritz Lang que mostra um tema semelhante, desta vez a respeito de um ex-presidiário que mesmo tentando mudar suas condições de vida, as portas parecem sempre fechar-se ao ponto de não haver saída para sua regeneração.
Taylor (Henry Fonda) é um ex-presidiário que já passou 3 vezes pela prisão e um retorno representa o caminho para a cadeira elétrica.
Ao cumprir seu tempo de clausura, sai acompanhado da apaixonada Jo, uma secretária de um advogado de defesa que a ajuda a libertar o namorado. Jo é a única que acredita na inocência de Taylor e que a vida sempre pregou-lhe peças que o impedem de ter uma vida decente.
Ocorre porém que mesmo saindo da prisão com emprego e tornando-se um homem casado e com novos compromissos, os fatos voltam-se contra ele quando de um assalto a banco que a culpa lhe é atribuída, levando-o de volta à prisão, à beira de ser morto, mesmo alegando ser inocente.
Ao conseguir fugir com a ajuda de Jo, estes veem-se fugindo constantemente, vivendo na penúria e sendo procurados por toda parte. O final é trágico, porém é como se fosse a única redenção e possibilidade de liberdade para Taylor.
Fritz Lang dirigiu um filme que questiona a falta de condições para muitos que vivem à margem da sociedade e como o preconceito e a não disposição no auxílio de oferecer uma segunda chance impede qualquer esperança, mesmo que haja boas intenções.
A fotografia é impressionante em muitas passagens, como a abertura na prisão, com uma filmagem em câmera baixa avoluma os grandes muros que "cercam" os prisioneiros muito abaixo destes. Lembrou cenas de Metropolis com toda a força do complexo de grandes paredes, acuando o humano.
A imagem mais acima de Taylor na cela onde as luzes atravessam as grades projetamdo-se no chão, domina toda a cena. Lembra-me a cena em Sin City de Hartigan na solitária e ainda enfatiza o alto contraste presente na técnica corrente do Noir.
You Only Live Once é um filme com final fatal mas a fatalidade como esperança ou meio de algo que não há por onde escapar.
Night and City (Sombras do Mal, 1950)
Night and the City (1950)
101 min - Inglaterra
Crime | Film-Noir | Sport
Jules Dassin
http://www.imdb.com/title/tt0042788/
Contrariando uma vez mais o objetivo do blog em relacionar filmes norte-americanos, venho falar do notável e indispensável Night and City de Jules Dassin, mas vocês verão ao longo da explicação porque o grande diretor produziu filmou fora de solo norte-americano, mas creiam, a genialidade do profissional e a essência do Noir estão presentes nesta obra.
“Sombras do Mal” (Night and the City, Inglaterra, 1950) foi o primeiro filme de Jules Dassin fora dos Estados Unidos, devido à pressão de Joseph McCarthy quanto a supostos comunistas em Hollywood que este deveria delatar. Dassin decide ir para a Europa de onde não mais retornou.
Night and City inicia com uma curta narração em off: “A noite e a cidade. A cidade é Londres. A noite, é qualquer noite.”
O protagonista é Harry Fabian, um traficante com planos ambiciosos que nunca funcionam. Um dia, ele tenta sua última chance no submundo da luta livre e prepara um plano que acredita, o fará alcançar sua independência financeira, alterando os resultados das lutas para ganhar altas somas nas apostas. O casal Phil e Helen participam dos negócios, fornecendo o dinheiro. Mas seus planos não surtem o efeito desejado, levando-o a uma série de situações perigosas.
O enredo de Night and City ocorre no submundo do crime nas cidades. Os personagens não passam de trambiqueiros que lutam para sobreviver, com boêmia e tendo constantes problemas com a polícia.
O filme é muito realista, mesmo porque Dassin gostava de filmar em locações reais, o que dava um aspecto sujo às cenas, além do predomínio de cenas noturnas e iluminação baixa, bem ao estilo noir.
Apesar disso, o filme não possui boa parte dos clichês do estilo. Não há detetives, femme fatale ou assassinatos, o que faz com que alguns críticos o chamem de Seminoir, porém a grande maioria o considera um clássico Noir por excelência. Há apenas gente comum que lança-se a todo tipo de oportunidade para sobreviver, tal como o protagonista com roupas alinhadas mas sempre com aparência desarrumada, sobrevivendo de pequenos golpes no submundo de Londres.
Fabian inicia o filme correndo de homens que o perseguem e continuará fugindo até o final, onde mesmo encurralado e sem saída, ainda arrastará para a ruína vários personagens, incluindo a mulher que o ama.
Mary é a mulher que o ama, quer que Fabian cresça e torne-se um homem descente mas cede aos sonhos e fornece-lhe dinheiro mesmo não mais acreditando que para este há solução, e chega ao ponto de pedir favor ao vizinho visivelmente interessado por ela o dinheiro para a nova grande ideia do golpista.
“Cai fora!”, grita um dono de bar para Fabian;
“Este é um local público”, retruca Fabian, mas eis a seguir a ameaça sarcástica: “O necrotério também é!”.
A queda do ambicioso e trapaceiro Fabian é filmada com o abuso de câmeras baixas, ângulos oblíquos e muitas sombras para enfatizar o ambiente pessimista e opressivo, repleto de paredes em ruínas e figurinos puídos, que reforçam o realismo. Os diálogos são extremamente cínicos, os ângulos fechados no rosto quase febril de Fabian demonstram a angústia entre a escuridão e os becos que parecem consumí-lo.
Intensamente pessimista, passando do quase cômico ao violento, caminhando para o dramático-existencialista, - marca de Dassin como em outras de suas grandes obras - este filme é o retrato da ambição cega, da auto-decepção e sonhos destruídos, com queda e final trágico como já esperado em todo o desenrolar da trama.
Considero, como a maioria dos críticos e espectadores, um Noir clássico. Ainda que dispense os clichês padrões do Noir, creio que trata-se de um filme que mostra mais uma vez o comportamento humano diante das dificuldades e como escolhe os caminhos para sua sobrevivência. Vale lembrar ainda a voz off que inicia o filme, a fotografia constrastada noturna com a cosntante aparição dos luminosos por boa parte da cidade, e ainda a câmera baixa, detalhes que justificam a classificação com o estilo.
Mais uma vez, não encontrei meios de aplicar aqui os vídeos para que vocês apreciem alguns trechos do filme. De qualquer forma, você encontra algumas passagens no YouTube, e deixo alguns links mais relevantes. E claro, recomendo assistir ao filme por inteiro e aproveitar cada detalhe de mais este Noir.
Trailer:
http://www.youtube.com/watch?v=kTQw_tNGA7Q&feature=related
Abertura do filme:
http://www.youtube.com/watch?v=yGRz4DmByPA
A violenta e angustiante luta entre os boxeadores:
http://www.youtube.com/watch?v=8bmhuNRzPKQ&feature=related
101 min - Inglaterra
Crime | Film-Noir | Sport
Jules Dassin
http://www.imdb.com/title/tt0042788/
Contrariando uma vez mais o objetivo do blog em relacionar filmes norte-americanos, venho falar do notável e indispensável Night and City de Jules Dassin, mas vocês verão ao longo da explicação porque o grande diretor produziu filmou fora de solo norte-americano, mas creiam, a genialidade do profissional e a essência do Noir estão presentes nesta obra.
“Sombras do Mal” (Night and the City, Inglaterra, 1950) foi o primeiro filme de Jules Dassin fora dos Estados Unidos, devido à pressão de Joseph McCarthy quanto a supostos comunistas em Hollywood que este deveria delatar. Dassin decide ir para a Europa de onde não mais retornou.
Night and City inicia com uma curta narração em off: “A noite e a cidade. A cidade é Londres. A noite, é qualquer noite.”
O protagonista é Harry Fabian, um traficante com planos ambiciosos que nunca funcionam. Um dia, ele tenta sua última chance no submundo da luta livre e prepara um plano que acredita, o fará alcançar sua independência financeira, alterando os resultados das lutas para ganhar altas somas nas apostas. O casal Phil e Helen participam dos negócios, fornecendo o dinheiro. Mas seus planos não surtem o efeito desejado, levando-o a uma série de situações perigosas.
O enredo de Night and City ocorre no submundo do crime nas cidades. Os personagens não passam de trambiqueiros que lutam para sobreviver, com boêmia e tendo constantes problemas com a polícia.
O filme é muito realista, mesmo porque Dassin gostava de filmar em locações reais, o que dava um aspecto sujo às cenas, além do predomínio de cenas noturnas e iluminação baixa, bem ao estilo noir.
Apesar disso, o filme não possui boa parte dos clichês do estilo. Não há detetives, femme fatale ou assassinatos, o que faz com que alguns críticos o chamem de Seminoir, porém a grande maioria o considera um clássico Noir por excelência. Há apenas gente comum que lança-se a todo tipo de oportunidade para sobreviver, tal como o protagonista com roupas alinhadas mas sempre com aparência desarrumada, sobrevivendo de pequenos golpes no submundo de Londres.
Fabian inicia o filme correndo de homens que o perseguem e continuará fugindo até o final, onde mesmo encurralado e sem saída, ainda arrastará para a ruína vários personagens, incluindo a mulher que o ama.
Mary é a mulher que o ama, quer que Fabian cresça e torne-se um homem descente mas cede aos sonhos e fornece-lhe dinheiro mesmo não mais acreditando que para este há solução, e chega ao ponto de pedir favor ao vizinho visivelmente interessado por ela o dinheiro para a nova grande ideia do golpista.
“Cai fora!”, grita um dono de bar para Fabian;
“Este é um local público”, retruca Fabian, mas eis a seguir a ameaça sarcástica: “O necrotério também é!”.
A queda do ambicioso e trapaceiro Fabian é filmada com o abuso de câmeras baixas, ângulos oblíquos e muitas sombras para enfatizar o ambiente pessimista e opressivo, repleto de paredes em ruínas e figurinos puídos, que reforçam o realismo. Os diálogos são extremamente cínicos, os ângulos fechados no rosto quase febril de Fabian demonstram a angústia entre a escuridão e os becos que parecem consumí-lo.
Intensamente pessimista, passando do quase cômico ao violento, caminhando para o dramático-existencialista, - marca de Dassin como em outras de suas grandes obras - este filme é o retrato da ambição cega, da auto-decepção e sonhos destruídos, com queda e final trágico como já esperado em todo o desenrolar da trama.
Considero, como a maioria dos críticos e espectadores, um Noir clássico. Ainda que dispense os clichês padrões do Noir, creio que trata-se de um filme que mostra mais uma vez o comportamento humano diante das dificuldades e como escolhe os caminhos para sua sobrevivência. Vale lembrar ainda a voz off que inicia o filme, a fotografia constrastada noturna com a cosntante aparição dos luminosos por boa parte da cidade, e ainda a câmera baixa, detalhes que justificam a classificação com o estilo.
Mais uma vez, não encontrei meios de aplicar aqui os vídeos para que vocês apreciem alguns trechos do filme. De qualquer forma, você encontra algumas passagens no YouTube, e deixo alguns links mais relevantes. E claro, recomendo assistir ao filme por inteiro e aproveitar cada detalhe de mais este Noir.
Trailer:
http://www.youtube.com/watch?v=kTQw_tNGA7Q&feature=related
Abertura do filme:
http://www.youtube.com/watch?v=yGRz4DmByPA
A violenta e angustiante luta entre os boxeadores:
http://www.youtube.com/watch?v=8bmhuNRzPKQ&feature=related
sábado, 16 de abril de 2011
Cartazes Night and City (Sombras do Mal - 1950)
Night and City, mais uma brilhante direção de Jules Dassin, é o nosso próximo tema, ainda que filmado na Inglaterra. Deixo o gostinho dos cartazes do filme que percorreram o mundo e em seguida postarei mai informações. Aguardem...
Cartazes - Metropolis - 1927
E como não poderia faltar, seguem os cartazes de Metropolis.
Reparem no desenho da letra e as formas geométricas e angulosas nos 2 últimos cartazes. Lembra-me em especial as formas do cenário de Dr. Caligari e nos remete ainda ao clima frio e metálico das máquinas. O segundo e o terceiro lembram-me os Titãs, erguendo a cidade e a máquina, na figura representada pela robô. O primeiro cartaz mais nos padrões modernos de diagramação e arte nos mostra a criação da mulher máquina.
Creio que o importante é notar a síntese de detalhes do filme nessas artes, que juntas, refletem o conteúdo básico do filme.
Reparem no desenho da letra e as formas geométricas e angulosas nos 2 últimos cartazes. Lembra-me em especial as formas do cenário de Dr. Caligari e nos remete ainda ao clima frio e metálico das máquinas. O segundo e o terceiro lembram-me os Titãs, erguendo a cidade e a máquina, na figura representada pela robô. O primeiro cartaz mais nos padrões modernos de diagramação e arte nos mostra a criação da mulher máquina.
Creio que o importante é notar a síntese de detalhes do filme nessas artes, que juntas, refletem o conteúdo básico do filme.
Metropolis (Fritz Lang - 1927)
Metropolis (1927)
153 min - Sci-Fi - (USA)
Fritz Lang
http://www.imdb.com/title/tt0017136/
Hoje, após alguns dias distante devido a um problema ainda não descoberto entre meu computador e o blog, testei vias diferentes da entrada normal pelo endereço original e cá estou para escrever sobre mais uma obra-prima, ou melhor, a grande obra a meu ver, do expressionismo alemão.
Estamos falando nada menos que Metropolis, mais uma vez de nosso já conhecido e citado Fritz Lang. Metropolis seria uma das 6 grandes obras de sua fase expressionista, considerados grandes expoentes do estilo.
Metropolis, século XXI. No Jardim dos Prazeres vivem os filhos dos abastados, desfrutando do melhor, distante da realidade externa que sustenta tal utopia, onde operários vivem em regime de escravidão, trabalhando abaixo da superfície, na Cidade dos Operários.
Freder, filho do fundador de Metropolis, ainda desfrutando do Jardim dos Prazeres, sente-se confuso após conhecer Maria, uma espécie de líder espiritual dos operários, que cuida dos filhos dos escravos e prega a não violência diante dos maus tratos. Nesse momento, Freder percebe que há algo além da realidade que lhe é apresentada e vai constatar por si mesmo a dura realidade, ficando horrorizado com a condição dos trabalhadores que por horas a fio mantém as máquinas em constante movimento, para manter a cidade em pleno funcionamento.
Essa passagem fez-me lembrar da versão romanceada mas com alguns detalhes interessantes do filme sobre o Buda (um filme em que Keanu Reaves protagoniza o personagem), que era um príncipe vivendo numa espécie de Eden construído pelo pai a fim de que este desfrutasse de todos os prazeres sem deparar-se com a realidade, e só quando este resolve fugir do palácio e enxergar de perto como vive o seu povo é que tornar-se-á um homem consciente da realidade da vida, tomando um rumo definido por sua escolha.
Em paralelo, para resolver a questão do cansaço humano que dificulta o funcionamento constante da máquina urbana, um “cientista” cria um robô supostamente infalível para substituir o contingente operário, e fica decidido que sua aparência será a de Maria pela influência que esta tem sobre seus trabalhadores.
Notem o arquétipo de Maria. Maria, que prega que um Salvador virá para salvar os pobres escravos. O nome da mãe do Salvador cristão, com toda benevolência e misericórdia pelos menos favorecidos. Mas a mulher neste filme se apresenta em diversas faces, como veremos a seguir.
O robô é uma mulher sedutora entre a burguesia e surge entre os trabalhadores para gerar a discórdia, com um discurso que incita a vingança e a violência, enquanto Maria é mantida aprisionada pelo cientista.
Vemos então a mulher bondosa, uma espécie de "femme fatale" traiçoeira e malígna - retrato que mais tarde representará a mulher no Noir mas aqui revela ainda o sentido nocivo da máquina preparada em mãos ambiciosas como a do cientista que promove algo para destruir o humano, substituindo-o.
Metropolis demonstra uma preocupação crítica com a mecanização industrial urbana, questionando a importância do sentimento humano, perdido no processo. Como pano de fundo, a valorização da tecnologia e a arquitetura. A cena inicial da troca de turno dos operários, onde estes entram juntos de cabeça baixa, e em um plano geral vê-se as grandes colunas e paredes muito amplas, estas parecem dominá-los e consumí-los. O movimento das engrenagens filmadas em closes fechados, intensificam a velocidade e a força que a máquina representa.
O final remete à conclusão de que "O mediador entre a cabeça e as mãos deve ser o coração!" e se concretiza no simbólico aperto de mão mediado por Freder entre Grot (líder dos trabalhadores) e Jon Fredersen - o empresário.
Metrópolis impressiona e angustia desde as cenas iniciais, onde os operários alinham-se em fila para a troca do turno. São autômatos, sem vida ou identidade própria, com suas vestes idênticas e a desesperança expressa em suas faces. É um mundo vazio, encoberto pela falta de ar e luz natural e envolvido pela fumaça das máquinas.
Predominam as cenas de forte expressão visual - característica do expressionismo - como a panorâmica da cidade com os seus veículos voadores e passagens suspensas. Alusões bíblicas, mistério, ação e romance, completam o leque que envolve o público e o mantém em suspense até ao final.
A fotografia é densa e dramática, intensificada pelo alto contraste, junto a trilha sonora que colabora para envolver o espectador no drama dos personagens.
Relutei muito antes de escrever sobre este filme, que considero o maior clássico do expressionismo que tive o prazer de conhecer. A obra é de uma força e fala por si, e qualquer palavra não a descreve em todo o seu merecimento.
Recomendo que assistam ao filme e vejam mais um clássico que o mestre Fritz Lang nos deixou, tema muito atual para refletir sobre a sociedade em que vivemos e os rumos que seguimos sem descanso.
No YouTube pode-se encontrar o filme na íntegra, ainda que dividido em partes, disponível para assistir no site.
153 min - Sci-Fi - (USA)
Fritz Lang
http://www.imdb.com/title/tt0017136/
Hoje, após alguns dias distante devido a um problema ainda não descoberto entre meu computador e o blog, testei vias diferentes da entrada normal pelo endereço original e cá estou para escrever sobre mais uma obra-prima, ou melhor, a grande obra a meu ver, do expressionismo alemão.
Estamos falando nada menos que Metropolis, mais uma vez de nosso já conhecido e citado Fritz Lang. Metropolis seria uma das 6 grandes obras de sua fase expressionista, considerados grandes expoentes do estilo.
Metropolis, século XXI. No Jardim dos Prazeres vivem os filhos dos abastados, desfrutando do melhor, distante da realidade externa que sustenta tal utopia, onde operários vivem em regime de escravidão, trabalhando abaixo da superfície, na Cidade dos Operários.
Freder, filho do fundador de Metropolis, ainda desfrutando do Jardim dos Prazeres, sente-se confuso após conhecer Maria, uma espécie de líder espiritual dos operários, que cuida dos filhos dos escravos e prega a não violência diante dos maus tratos. Nesse momento, Freder percebe que há algo além da realidade que lhe é apresentada e vai constatar por si mesmo a dura realidade, ficando horrorizado com a condição dos trabalhadores que por horas a fio mantém as máquinas em constante movimento, para manter a cidade em pleno funcionamento.
Essa passagem fez-me lembrar da versão romanceada mas com alguns detalhes interessantes do filme sobre o Buda (um filme em que Keanu Reaves protagoniza o personagem), que era um príncipe vivendo numa espécie de Eden construído pelo pai a fim de que este desfrutasse de todos os prazeres sem deparar-se com a realidade, e só quando este resolve fugir do palácio e enxergar de perto como vive o seu povo é que tornar-se-á um homem consciente da realidade da vida, tomando um rumo definido por sua escolha.
Em paralelo, para resolver a questão do cansaço humano que dificulta o funcionamento constante da máquina urbana, um “cientista” cria um robô supostamente infalível para substituir o contingente operário, e fica decidido que sua aparência será a de Maria pela influência que esta tem sobre seus trabalhadores.
Notem o arquétipo de Maria. Maria, que prega que um Salvador virá para salvar os pobres escravos. O nome da mãe do Salvador cristão, com toda benevolência e misericórdia pelos menos favorecidos. Mas a mulher neste filme se apresenta em diversas faces, como veremos a seguir.
O robô é uma mulher sedutora entre a burguesia e surge entre os trabalhadores para gerar a discórdia, com um discurso que incita a vingança e a violência, enquanto Maria é mantida aprisionada pelo cientista.
Vemos então a mulher bondosa, uma espécie de "femme fatale" traiçoeira e malígna - retrato que mais tarde representará a mulher no Noir mas aqui revela ainda o sentido nocivo da máquina preparada em mãos ambiciosas como a do cientista que promove algo para destruir o humano, substituindo-o.
Metropolis demonstra uma preocupação crítica com a mecanização industrial urbana, questionando a importância do sentimento humano, perdido no processo. Como pano de fundo, a valorização da tecnologia e a arquitetura. A cena inicial da troca de turno dos operários, onde estes entram juntos de cabeça baixa, e em um plano geral vê-se as grandes colunas e paredes muito amplas, estas parecem dominá-los e consumí-los. O movimento das engrenagens filmadas em closes fechados, intensificam a velocidade e a força que a máquina representa.
O final remete à conclusão de que "O mediador entre a cabeça e as mãos deve ser o coração!" e se concretiza no simbólico aperto de mão mediado por Freder entre Grot (líder dos trabalhadores) e Jon Fredersen - o empresário.
Metrópolis impressiona e angustia desde as cenas iniciais, onde os operários alinham-se em fila para a troca do turno. São autômatos, sem vida ou identidade própria, com suas vestes idênticas e a desesperança expressa em suas faces. É um mundo vazio, encoberto pela falta de ar e luz natural e envolvido pela fumaça das máquinas.
Predominam as cenas de forte expressão visual - característica do expressionismo - como a panorâmica da cidade com os seus veículos voadores e passagens suspensas. Alusões bíblicas, mistério, ação e romance, completam o leque que envolve o público e o mantém em suspense até ao final.
A fotografia é densa e dramática, intensificada pelo alto contraste, junto a trilha sonora que colabora para envolver o espectador no drama dos personagens.
Relutei muito antes de escrever sobre este filme, que considero o maior clássico do expressionismo que tive o prazer de conhecer. A obra é de uma força e fala por si, e qualquer palavra não a descreve em todo o seu merecimento.
Recomendo que assistam ao filme e vejam mais um clássico que o mestre Fritz Lang nos deixou, tema muito atual para refletir sobre a sociedade em que vivemos e os rumos que seguimos sem descanso.
No YouTube pode-se encontrar o filme na íntegra, ainda que dividido em partes, disponível para assistir no site.
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